A ira de José Carlos

 
moca

O ano é de 1822. Era uma primavera suave na pobre cidade de Hell’s Kitchen, Nova York. A moça tecelã levanta de seu colchão velho, em plena madrugada, lembrando-se do dia em que desfez seu marido, há dezoito anos.

Seu criado, José Carlos, também acorda. O barulho do tear de sua criadora o obrigou a levantar-se. José Carlos nunca se acostumou com isso. Ele queria viver sua própria vida, mas a servidão o acompanharia para sempre.

Após algumas horas de uma quietude perturbada pelo tear, a moça tecelã fez uma revelação chocante à José Carlos:

-José Carlos, você sempre me serviu com dedicação. Como hoje é um dos raríssimos dias em que não possuo afazeres, você pode sair.

Surpreendido, José Carlos colocou um casaco e correu para a porta. Pela primeira vez em anos, sairia de casa. Não pensou duas vezes para ir até a Taverna de Hell’s Kitchen.

Depois de quinze minutos de caminhada, ele já estava lá. Sentou em um dos bancos próximos ao balcão e pediu um uísque. Ao seu lado estava um homem alto, com um chapéu coco e uma jaqueta jeans.

-Oi, meu nome é José Carlos – até hoje José nunca soube o porquê de ter iniciado a conversa.

-Coé, playboy, eu sou Arthur Gomes. Que que cê tá fazendo por essas quebradas?

E assim uma conversa surgiu, uma conversa longa por sinal. Após quatro doses de uísque, um assunto veio à tona. José Carlos disse, já bêbado:

-Sabe… “hic”… eu odeio minha mestra. Ela só me faz trabalhar. Se eu… “hic” pudesse, deixava de ser um criado.

-Mas você pode fazer isso! É só se livrar dela. Se quiser, te dou uma ajuda.

E assim armou-se um esquema.

Enquanto isso, a moça tecelã não parava de trabalhar. Estava tecendo um companheiro  de presente para José Carlos. Matias era seu nome, e seria um “melhor amigo” de aniversário.

Estava quase finalizando seu trabalho, quando a campainha tocou.

-Pois não? – disse a moça.

-Tecelã, estou cansado da servidão. E vim aqui acabar com isso.

Quatro homens armados estavam atrás de José Carlos. A tecelã, surpresa, disse a ele:

-José Carlos, você devia ter conversado comigo sobre isso. Hoje é o dia em que te teci, e como presente ia dar-lhe duas coisas: liberdade e um novo companheiro.

Foi então que ela o mostrou seu novo amigo. Matias estava lá, curioso, querendo conhecer o homem de lã que estava à sua frente.

José Carlos, com um fio de lã azul saindo de seu olho-botão, deu um abraço na tecelã. Ele dispensou seus “acompanhantes” e, feliz e arrependido, viveu o resto de sua existência contente, servindo à moça tecelã, divertindo-se com Matias e, principalmente, dando graças à liberdade.

 

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Uma paixão por baixo de uma ilusão

Geraldo era um homem pobre, grosso, forte, de braços cabeludos. Com esse físico, qualquer pessoa jamais imaginaria que ele era realmente um estudante de medicina. Morava em uma pequena casa de frente para o mar e todos os dias acordava bem cedo para ir à casa de banho conversar com os banhistas e nadar, a fim de se tonificar pelo resto do dia para os estudos.

Um dia, quando estava em um corredor conversando com Nicolau, uma dama loira saiu de um quarto, chamou Geraldo pensando que o mesmo era um banhista e o convidou para banhá-la em troca de dinheiro. Ele pensou em se passar por banhista, não pelo dinheiro, mas sim por amor. Então ele se apresentou como Tulio e a acompanhou até o oceano.

Os dias foram se passando e Alda (a dama loira) e Geraldo foram ficando mais íntimos, até que um dia Alda descobriu que ele não sabia ler. Alda decidiu, então,  oferecer aulas grátis para ele em sua casa, à noite. No dia seguinte Geraldo compareceu à casa de Alda e, enquanto “estudava”, se aproveitava da situação para tentar algo com ela, mas Alda se sentiu muito pressionada e o mandou ir embora.

Geraldo ficou um pouco furioso e pensou em contar a verdade sobre ele, mas como a intenção do rapaz era conseguir algo com a linda dama, decidiu seguir em frente com o pensamento de conquistá-la.

Dias depois, Geraldo foi novamente a casa de seu amor para mais um dia de estudo e, aproveitando um momento de maior proximidade, agarrou Alda no meio da aula. Eles começaram a se beijar sem parar até que, desesperadamente, Alda implorou-lhe para não contar o ocorrido para ninguém; depois eles voltaram a se beijar e assim ficaram até o final da noite.

Senador Eleutério, mais “protetor” do que amante de Alda, acabou descobrindo o caso entre ela e Geraldo e resolveu mandá-la para Europa para ver se dava um fim aos encontros furtivos. Alda ficou triste e lhe implorou para que não fizesse isso, mas foi em vão. Então resolveu contar para Geraldo e esse decidiu que aquela era a hora de contar a verdade, e assim foi. Ao se dar conta de toda a farsa, Alda ficou surpresa e indecisa sobre o que iria fazer, até que decidiu mandá-lo embora.

Alda passou bastante tempo refletindo sobre o que tinha acontecido no dia anterior. Depois de muito pensar, chegou à conclusão que iria escrever uma carta para Geraldo se desculpando e sugeriu a ele que saíssem do Rio de Janeiro, já que ainda faltava uma semana para seu protetor levá-la para fora do país. Geraldo leu a carta, lhe respondeu e, um dia depois, foi até a casa de Alda. Esperou que Eleutério saísse por um tempo e levou Alda para sua casa, a fim de aguardar o dia em que iriam viajar.

O senador Eleutério, assim que notou a ausência de sua protegida, contratou detetives para descobrir onde ela tinha ido. Os detetives acharam a carta de Geraldo e foram direto para sua casa, mas quando chegaram lá não encontraram nada, pois Geraldo os viu chegando e saiu com Alda pela porta dos fundos.

A bela dama loira e o estudante de medicina não sabiam o que fazer naquele momento, então Alda lembrou que o senador guardava um dinheiro em sua conta para emergências; Geraldo sugeriu viverem uma nova vida na Itália, pois ele dominava essa língua, porque se ambos continuassem no Brasil o senador ia fazer de tudo para achá-la. Os dois decidiram ir para fora do país para viver uma nova vida amorosa. Durante a viagem, Alda refletia que não importa se a pessoa é realmente o que diz ser ou não, pois se ela te ama irá te amar de qualquer jeito.

https://www.letras.mus.br/nicky-jam/el-perdon/traducao.html

Sonho de uma tarde de inverno

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Sempre fui muito impulsiva. Isso me custou muito, mas talvez tenha me proporcionado a melhor parte de toda uma vida.

Tudo começou em uma tarde de inverno, quando vi um homem que aparentava ter cerca de vinte e cinco anos sendo linchado por um grupo de moradores atenienses. Pude perceber que o jovem trajava típicas roupas espartanas. Entendi então o motivo de tal violência: Esparta e Atenas estavam em guerra e aqueles moradores achavam que se tratava de um espião. Espartano ou não, se tratava de uma vida, não podia deixar que aquilo continuasse.

– Saiam de perto do meu irmão! – gritei com toda a força que pude, forçando algumas lágrimas para trazer mais vivacidade a minha atuação repentina – Meu pobre irmão voltava de Esparta para se juntar a nós na guerra e vocês o recebem desta maneira? Por acaso têm alguma prova de que ele é um espião? – o silêncio constrangedor entre eles me foi bastante satisfatório – Pois peçam-lhe desculpas e voltem para suas casas!

Depois da confusão, levei o rapaz até minha casa para cuidar-lhe e saber mais sobre sua história. Disse-me que se chamava Netuno e viera a Atenas em busca de estudo mais avançado. Jurou que não me faria mal algum e pediu ajuda e abrigo, estava completamente perdido na nova cidade. Permiti, contanto que também trabalhasse para suprir a casa.

Com o passar dos meses, tornamo-nos de amigos a namorados, e depois noivos. Foi então que me contou toda a verdade: era de fato um espião. Entretanto, sua honra não o permitia que fizesse qualquer coisa que me prejudicasse. Agora apaixonado, estava disposto a lutar contra qualquer espartano que ousasse nos afastar. Eu podia ver sinceridade em seus olhos, mas era doloroso demais saber que tudo era mentira. Fugi para a floresta, ignorando suas súplicas.

– O que faz aqui, humana? Será que já não basta destruírem nosso lar para dar continuidade a essa guerra inútil? Vocês não são os únicos moradores dessa terra! – gritou com voz potente a pequena fada. Dirigi a ela um olhar profundo e a mesma, comovida, perguntou-me: – Por que está chorando?

Contei toda a minha história, e que não sabia que destruíam a floresta por causa dessa disputa sem fim. Solidária, Titânia, rainha das fadas, se mostrou disposta a uma amizade inusitada, disse que conhecia a verdade por trás das palavras humanas, e eu era uma das poucas que a carregava em tudo o que dizia. Foi somente por isso que não me abandonou quando viu chegar Netuno d’entre as folhas, surpreso ao contemplar o ser mágico.  Pelo contrário, se aliou ao meu noivo em suas incessantes desculpas.

– Só o perdoo por causa de Titânia. – disse um tanto relutante, até que ele me abraçasse e prometesse não mais mentir.

Resolvidos os problemas entre nós dois, fizemo-lo ciente da atrocidade ainda maior que as cidades estavam provocando, pois, além de soldados, muitos animais e criaturas encantadas estavam sendo mortos.

– Conheci um duende certa vez, se chamava Oberon. Há a possibilidade de acabar com a guerra se juntarmos todos esses que estão em perigo nas florestas para lutar? – perguntou Netuno, esperançoso.

– Não trabalho com duendes. – Titânia logo o cortou – Não tem a mínima seriedade.

Houve um longo período de negociação entre nós e Oberon, que havia sido encontrado por meu noivo dois dias depois da conversa com a rainha fada, resultando em uma trégua “em nome do bem maior”, argumentei. Casei-me o mais depressa possível, em segredo, já que parte da cidade achava que Netuno era meu irmão. Depois de incontáveis reuniões bolando estratégias e buscando atrasar a produção de armas e carros de guerra, tínhamos um plano concreto, esperando para ser posto em prática. O que queríamos? Executar um feitiço que iludiria ambas as cidades, fazendo-as pensar que haviam vencido, esquecendo-se dos combates e voltando a suas velhas rotinas.

O grande problema era que demandava energia demais, por isso nem as fadas nem os duendes haviam tentado tal coisa, era possível somente por estarmos aliados. Nosso plano se concretizaria logo, se não fosse um detalhe: eu estava grávida. Netuno não permitiria que eu me esgotasse tanto e pudesse trazer problemas ao bebê. Estava muito enganado ao achar que eu aceitaria isso tão facilmente… O tempo correu muito depressa, completado meu oitavo mês de gravidez, tudo estava pronto para acabar de vez com a guerra.

Certo dia, ao adentrar a floresta, deparei-me com uma cena tão inusitada quanto bela: Titânia e Oberon, antes inimigos, se encaravam, o duende acariciava seu rosto enquanto ela sorria. Há algum tempo eu percebia que a rivalidade se tornava, aos pouquinhos, amor, mas não conseguia deixar de me espantar ao vê-los em tamanha demonstração de carinho. Titânia era destemida, defendia seus amigos com a própria vida, ajudava, era uma verdadeira rainha. Oberon, também rei, governava com cautela, aconselhava a todos, tinha uma personalidade mais tranquila, sempre buscando alegrar e encorajar as pessoas a sua volta.  Tão diferentes e tão compatíveis.

Uma última reunião antecedia a realização do feitiço, foi só então que descobrimos que era necessário entrar no combate para todos das tropas serem encantados. Supliquei a Netuno que não fosse, era arriscado demais, não podia perder meu marido tão amado, mas ele não desistiria, era orgulhoso demais para isso. O que me restava era aproveitar o tempo que tínhamos.

Chegado o dia do confronto, próximos ao campo de batalha, escondidos, esperamos. Os soldados posicionados nas fileiras avançavam, era a hora de agir. Netuno me abraçou forte enquanto eu chorava, e deu-me um beijo longo, tão cheio de amor que por um instante achei que nunca nos separaríamos. Ele foi até o centro do local e depositou uma planta com uma pequena fagulha de fogo, que cresceu até uma fumaça esverdeada, contendo os poderes de todas as fadas e duendes, ervas e tudo mais que conheciam, tomar o ar. A fumaça aturdiu os soldados e os fez largar as armas e pôr a cabeça entre as mãos, fechando os olhos e tossindo com força por alguns minutos. Depois do torpor, ainda um tanto confusos, deram meia volta e rumaram a suas cidades, acreditando que haviam vencido. A guerra estava terminada. A floresta e seus moradores estavam salvos. Estes, exaustos após tantos esforços, suspiraram aliviados.

Meu marido caminhava até nosso esconderijo, meu sorriso se desfez quando o vi desmoronar a dois metros de mim. ”Como eu não percebi a flecha em suas costas?”, me perguntava enquanto as lágrimas desciam pelo meu rosto. Comecei a sentir cólicas fortíssimas, ouvia Titânia gritar desesperada que me ajudassem, pois eu estava entrando em trabalho de parto. Duendes e fadas amparavam-nos com uma velocidade absurda, eu e meu marido fomos postos deitados um ao lado do outro, ele segurava minha mão e dizia que tudo daria certo, implorei que não falasse mais, estava perdendo muito sangue, não podia se esforçar. A dor me tomara, gritei até minha garganta doer, e finalmente pude ver o pequeno prematuro, era lindo. Todos choramos emocionados.

Netuno e eu seguramos nosso filho nos braços, era a primeira e última vez que o veríamos. Chamei Titânia e Oberon.

– Minha querida amiga, por favor, me prometa que cuidará dele.

– Vou cuidar como se fosse meu, ele vai crescer sabendo o quão honrados foram seus pais, dando a vida por nós… – ela disse com a voz embargada enquanto soluçava.

– Vocês foram um presente dos deuses, mas esse presente não poderá ficar conosco, que Hades os receba com a glória que merecem. – o rei duende também chorava.

– Não me entristeço por morrer por uma causa tão nobre. – Netuno se virou para mim – Eu amo você, Minerva, mais do que tudo.

– Eu também o amo mais do que tudo.

Com muito esforço, pus minha cabeça em seu peito, abraçando-o. Beijei-o e fechei meus olhos, minha mente se perdia no vazio enquanto minha vida e a dele iam se esvaindo.

– Nos vemos nos Campos Elísios.

A troca de casais

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Após Hérmia e Lisandro se acertarem com o pai da moça, eles finalmente se casaram e resolveram passar a lua de mel na cidade onde seus velhos amigos Richard e Miss Lantry moram. Os recém casados passeavam pela cidade quando, por coincidência do destino, Richard e M. Lantry os encontram e resolvem chamá-los para um chá e eles acabam aceitando.

Richard e M. Lantry estavam passando por uma situação difícil em seu relacionamento, pois a moça acabara de descobrir que o pai do nobre garoto, havia pago um homem para que o congestionamento acontecesse, então ela, acreditando eu o pai pagou o homem a pedido de seu filho, ficou muito chateada e já pensava em separar-se de Richard. Mesmo com as brigas, o casal resolve manter o convite. Durante o chá, Hérmia e Lisandro anunciaram aos amigos:

– Nós vamos nos mudar para essa cidade!

Com essa notícia, os quatro festejaram. Após alguns meses, Hérmia e Lisandro já se mudaram, e a situação de Richard e Miss Lantry vai ficando cada vez pior. Então ela resolve sair de casa e vai pedir a Hérmia para ficar na casa do casal durante alguns dias.

Durante os dias em que a nova hospede ficava na casa dos amigos, Lisandro tem a chance de conhecer M. Lantry melhor e começa a sentir algo diferente por ela, algo além de amizade. Enquanto isso, Hérmia passara a fazer visitas a Richard, que estava sentindo-se muito solitário.

Lantry e Lisandro passaram a se relacionar escondidos, pois Hérmia passava muito tempo fora, na casa de Richard e os amantes ficavam sozinhos durante muito tempo. O mesmo aconteceu com a recém casada e Richard, que também passavam muito tempo sozinhos. Até que, certo dia, ele estava muito sensível por estar sentindo falta de sua mulher, e Hérmia, que há tempos já sentia algo diferente por ele, aproveitou-se da situação e roubou um beijo de Richard que, sem reação, continuou o ato. E a partir daquele momento os dois passam a ter um relacionamento escondido.

O tempo passou, e os casais ainda estavam “trocados”. Certo dia, quando Hérmia estava indo fazer uma de suas visitas a Richard, percebe que teria que voltar à sua casa, pois havia  esquecido seus documentos. Ao chegar ao local, percebe algo diferente, porém prossegue a caminho de seu quarto, passou pela cozinha, sala e finalmente corredor e para à frente da porta de seu quarto, ao abri-la se depara com Lantry e Lisandro aos beijos. Hérmia, sem saber o que fazer ou falar, fechou a porta e dirigiu-se para a sala, onde sentou-se em seu sofá. Segundos depois, o homem vem gritando:

– Meu amor, Hérmia, me perdoe!

– Está tudo bem, na verdade, sou eu quem lhe peço desculpas –  Hérmia responde calmamente. Em seguida, Lisandro pergunta a ela:

– Mas por quê?

– Te trai com Richard… não queria ter feito, na verdade queria sim. No começo as visitas que fazia era como amiga, mas após algum tempo passei a gostar dele de forma diferente. Até que um dia, roubei um beijo e, desde então, temos nos encontrados.

E, naquele momento, que Hérmia termina de falar, Lantry sai de trás da parede, onde ouvia tudo escondida. Os três se olham de forma desconhecida e Lisandro tem a ideia de marcar para que os quatro possam encontrar-se para resolver o ocorrido, as duas mulheres concordam, e Hérmia diz que avisará Richard.

No dia marcado, Hérmia, Lisandro e M. Lantry vão juntos ao local marcado, afinal os três moravam na mesma casa, e Richard estava para ir ao local, porém levava consigo um envelope branco e muito suspeito.

No momento em que todos chegam ao destino, a primeira coisa que os olhos de Richard puderam ver foram os olhos de M. Lantry, com isso ele abriu um sorriso e estendeu a mão dizendo:

– Tome, trouxe esse envelope para você, foi deixado lá em casa pela secretária de papai, ela me deu após seu falecimento

– Seu pai faleceu? Sinto muito, não sabia, meus pêsames! – Diz Miss Lantry estendendo a mão em direção ao envelope.

Na carta escrita pelo pai de Richard, o homem afirma ter planejado o congestionamento sozinho, sem a ajuda de Richard, pois ele é um garoto puro e de sentimentos profundos. Porém, M. Lantry não sente nada a mais por Richard, ela lê a carta de forma surpresa e ao mesmo tempo “fria”. Ao terminar a leitura não fala nada em relação à carta, mas pede aos amigos para que eles possam sentar-se e resolverem o ocorrido de forma breve. Eles sentaram-se e conversaram durante longos minutos, que não pareciam ter fim. Após o término da conversa, os quatro levantam-se e cada um fez um caminho diferente.

Uns dizem que os casais nunca mais voltaram a ser como era antes Hérmia e Lisandro, Richard e Miss Lantry; outros dizem que todos se acertaram. Agora você escolhe o final perfeito!

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Antes da moça tecer

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Tudo aconteceu na cidade de Lysós, no ano de 1950. Melissa era uma bruxa muito diferente das outras, uma bruxa do bem. Tudo o que pedia, em um simples toque em seu vestido aparecia. Ela adquiriu esse poder com a sua avó, Clarisse, que antes de ser morta pela sua irmã, uma bruxa do mal, tinha que passar seu poder para uma herdeira e a única herdeira era Melissa.

Melissa se sentia triste, pois sua mãe tinha morrido. Ela morava em uma casa de madeira simples e se sentia solitária, então decidiu criar um cachorro para lhe fazer companhia. Tocou em seu vestido branco com pequenas borboletas roxas feita por ela e apareceu um dálmata filhote. Passaram-se seis anos e o cachorro, já crescido, fugiu de casa. Após esse episódio, a moça pensou muito e assumiu a responsabilidade de ter uma filha para herdar seu poder.

O tempo passou e ela se descobriu grávida de uma menina. Decidiu chamá-la de Linda, pois seria a mais bonita da cidade. Assim que nasceu, Melissa viu nos olhos azuis de Linda que seu poder tinha sido transmitido para sua filha. Quando Linda completou seus 16 anos, Melissa contou a ela sobre serem bruxas. Então Linda, não acreditando em sua mãe, foi tecer um pano para verificar se o que ela havia dito era verdade. Quando ela começou a tecê-lo chovia muito e ela decidiu tecer o lindo sol com fios de ouro. De repente o sol se abriu entre as nuvens; Linda, impressionada, correu para os braços da mãe e quis saber mais sobre esse poder.
A mãe falou que quando ela quisesse algo era só tecer e, desde então, ela não parou de tecer imagens bonitas, seres e objetos, ficando conhecida por todos como a moça tecelã.

Uma vida tecida em boas memórias

Resultado de imagem para maquina de costura saindo pano ilustrativo     Depois de perceber que em seu mundo não conseguiria ser feliz, a moça tecelã pensou em um modo de encontrar alguém que a amasse de verdade e que ela não precisasse tecer. Chegou à conclusão de que a melhor forma era sair daquela rotina.

Ficou imaginando uma maneira de realizar tal coisa. Sua melhor ideia foi fazer um portal que a levaria para outro lugar. Demorou um bom tempo para ela tecer esse portal, pois era de extrema complexidade, além de exigir muitas linhas.

Com ele pronto, preparou suas coisas e seguiu rumo a uma vida onde poderia ser livre. Quando o atravessou, se deparou com uma vila modesta, onde ficou encantada com os habitantes que passavam diante dela.

Começou a andar na vila para explorá-la e conhecê-la. Porém, logo a moça tecelã se perdeu. Ela andava  sem rumo quando esbarrou acidentalmente em um rapaz, ambos pediram desculpas. Naquele momento, a moça tecelã sentiu algo que nunca havia sentido antes: o amor.

Seu nome era Tissu, um jovem de corpo esbelto, cabelos lisos, olhos castanhos e sedutores. Ele lhe perguntou qual era seu nome, ela falou que não sabia quem era ela mesma. Tissu sentiu pena e, ao mesmo tempo, uma atração pela moça, pois ela era muito bonita e atraente; falou que iria ajudar a tecelã a lembrar quem ela era.

Não demorou muito tempo para que ficassem íntimos; Tissu deu a ela uma personalidade, uma vida e também um nome; agora se chamava Cassandra, um nome nobre e justo para uma moça atraente.

Logo Tissu e Cassandra começaram a namorar. Passou um tempo… Agora ambos estavam morando juntos, Cassandra estava apaixonada, o amor deles era como se fosse uma linha a tecer e assim foi até o final de suas adoráveis vidas.