Mamon e o arqueiro

 

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Depois da secretária ter saído, Antony pensou no casamento do filho com Miss Lantry, mas ele estava interessado em outra coisa, dinheiro!

– Talvez, no casamento de Richard, eu possa conhecer os pais da noiva, ver a casa onde moram, eles devem ser ricos. Então, pode ser, que eu aumente minha riqueza e possa demonstrar para todos, que se consegue tudo tendo dinheiro.

Passado três meses antes do fracasso do teatro, Richard estava prestes a se casar com sua amada, quando seu pai entrou em seu quarto e começou a perguntar como ia sua família, como era história deles  e outras informações pessoais.O noivo ficou muito chateado e não respondeu.

Quando acabou a cerimônia, ocorreu uma grande festa com muita comida e bebida para umas setecentas pessoas ficarem satisfeitas, e brincadeiras, filmes, fotos e vídeos.

Os recém-casados foram de charrete, direto para a lua de mel, que era em um cruzeiro.  E ficaram sessenta dias aproveitando. Passado este tempo, seu pai contou tudo o que havia acontecido antes do casamento, então o filho entendeu toda a trama e falou que não tinha necessidade dele ter feito aquilo, pois os dois se amavam. Então o pai desistiu de se intrometer na vida do filho, conformou-se e deixou o casal vivesse em paz.

Coração Machucado

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Em um dia normal, na aula de língua portuguesa, Pedro conhece a Natalha, no mesmo momento ele decide escrever uma carta de amor para ela, porém tinha vergonha de entregar a mensagem.

       No decorrer da aula, Pedro percebe que Natalha também olhava para ele, então  ficaram trocando olhares.
       Então ele cria coragem, e decide entregar a carta para ela. Ao entregar, Natalha fala que não sentia o mesmo, e justificou os olhares explicando que estava olhando para a espinha enorme, que havia acima dos seus olhos.
          Desolado , devido o fora que levou. Pedro vai para casa triste.  Decidido a nunca mais escrever uma carta de amor.

Um amor por um romance

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Lá estava Geraldo aos prantos, deitado em sua cama, mal podia acreditar que tudo estava acabado, o amor de sua vida fora embora para não mais voltar, Alba ficaria marcada para sempre em seu coração e memória.

Eles se conheceram em uma fria noite de sexta-feira. Tudo  começou quando o rapaz, juntamente de dois amigos, foram a uma festa de quinze anos e, ao chegar lá, uma mulher imediatamente chamou a atenção de Geraldo. Ela era Alba, uma mulher de vinte anos, cabelos loiros e lindos olhos claros. Ao perceber a forma como o garoto olhava para a moça, Nicolau sugeriu que a chamasse para dançar, e assim ele fez.

A moça aceitou, e eles passaram a noite toda dançando. Quando Geraldo já estava indo embora, a jovem pediu seu telefone e, a partir deste dia, não pararam mais de falar, eles conversavam até de madrugada e se encontravam aos finais de semana.

Eles passaram a fazer faculdade na mesma universidade, ela cursava direito e ele medicina. Então se viam todos os dias, e depois de quatro anos juntos, casaram-se.

Certo dia, Geraldo recebeu um telefonema, era do hospital e avisava-o que ele fora contratado e devia começar seu estágio em uma semana. Muito feliz os namorados foram comemorar.

Uma semana se passou e  era seu primeiro dia de trabalho, muito nervoso ele entrou no hospital e, de imediato, foi recebido por um homem alto, moreno e forte, era Vinicius, um médico muito experiente que ficara responsável por apresentar o estabelecimento. Depois de conhecer o hospital e acompanhar atentamente os serviços do médico, o estagiário pode ir para casa.Chegando a casa, muito cansado, contou sua experiência para sua esposa e foi para a cama, mas não conseguia dormir, tomado por um sentimento muito forte que não soube  identificar.

No dia seguinte, Geraldo se dirigiu para o hospital ainda cansado, pois não dormira bem na noite anterior. Ao chegar lá, olhou para Vinicius e sentiu o mesmo sentimento intenso, que sentiu na noite anterior, só que agora mais forte.

Geraldo cumpriu seu dia de serviço, e, quando já estava a indo para casa, o médico falou:

– Que tal “a gente” sair para tomar uma cerveja, para comemorar seu primeiro mês de trabalho?

-Claro! Vou trocar de roupa!

E foram  para um bar famoso da cidade. Ao chegar lá, e bater bastante papo, um silêncio tomou a mesa e um sentimento forte conduziu a boca de Geraldo até a de Vinicius e eles se beijaram em um gesto muito apaixonado.

Um mês depois do episódio, os dois estavam a vivendo um romance, apesar da culpa, o que Geraldo sentia pelo médico era mais forte.

Era uma manhã de segunda-feira, Geraldo levantou de sua cama com um sentimento ruim, mas preferiu ignorar e foi trabalhar, ao sair de casa esqueceu, por um pequeno descuido, sua carteira, então Alba decidiu levar a mesma até ele.  Ela foi até o consultório onde Geraldo trabalhava e entrou sem bater na porta. Ela não acreditava no que seus olhos estavam vendo: Geraldo e Vinicius se beijavam apaixonadamente. Alba largou a carteira e saiu correndo e chorando pelas ruas, Geraldo a pegou pelo braço no meio do caminho e disse:

-Não é o que você está pensando!

-Eu não quero saber, está tudo acabado! Nunca mais me procure e não olhe na minha cara!

Após algumas semanas o divórcio já estava marcado. Geraldo se arrependia amargamente do que havia acontecido, e passou a fazer estágio com outro médico para evitar olhares com Vinicius.

Passado dois meses, chegara o dia do divórcio e Geraldo não conseguia parar de chorar, ele estava tomando consciência de que o amor de sua vida estava indo embora, pois, após assinar os papéis, Geraldo se veria definitivamente separado de Alba. Tudo estava concluído.

Alguns meses se passaram, Geraldo não conseguia mais viver com essa culpa, ele parou de trabalhar e entrou em uma depressão profunda, não saia mais da cama. Aos vinte e dois anos, sua vida havia acabado. Ele trocara um amor verdadeiro por um “romance de esquina”. Arrasado, ele passava dias e noites chorando inconformado. Agora, era só questão de tempo até o pior acontecer.

Floresta Esperançosa

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Após uma série de conflitos passados pelos dois amantes Hérmia e Lisandro, eles finalmente conseguiram se casar e viver uma vida feliz e calma.

Até que em um dia, durante uma manhã ensolarada em Atenas, Hérmia estava sentindo tonturas e um leve enjoo, e acabou indo consultar um médico para saber se não se tratava de alguma doença. Após algum tempo na sala do doutor, recebeu a grande notícia de que iria ser mãe.

Nos primeiros momentos ela não sabia ao certo o que fazer, não sabia se chorava ou pulava de alegria. Agora, só lhe restava dar a grande notícia para Lisandro. Ao chegar a casa, deparou-se com Lisandro preocupado e nervoso, ela não sabia ao certo o porquê, mas resolveu lhe chamar para contá-lhe a novidade:

-Amor, tenho uma coisa para te contar – disse Hérmia

– Pois conte minha amada, aposto que é algo bom, já que chegou toda animada para me contar.

– Lisandro, nossa família agora terá mais um integrante.

Confuso, Lisandro respondeu:

– Como assim? Teremos algum animal de estimação ou algo do tipo?

– Não Lisandro, teremos um filho.

No momento em que Lisandro recebeu a noticia de que iria ser pai, ele se sentiu o homem mais feliz do mundo, correu para abraçar Hérmia, e contar para seus vizinhos que iria ser pai.

Logo à tarde, Lisandro e seus vizinhos e amigos haviam organizado uma grande festa, em que todos da cidade pudessem entrar e festejar.

Durante o festejo, um guarda ateniense chegou aflito para alertar uma possível invasão à cidade de Atenas, pois havia avistado um grande numero de soldados vindo em direção aos muros da cidade. Rapidamente, todos os homens foram convocados para defender a cidade, e as mulheres e crianças deveriam buscar abrigo.

Lisandro abraçou Hérmia com força, e disse que a amava mais que tudo no mundo, e que não deixaria que nada fizesse mal a ela.

Ao correr atrás de abrigo, Hérmia não conseguiu achar um local seguro, pois todos já estavam lotados, a sua única chance era fugir para a floresta encantada. Lá, os seres mágicos a acolheram e cuidaram dela durante a guerra, que durou alguns meses.

Depois do exército inimigo ter ganhado a guerra, o rei ordenou que vasculhassem os arredores do reino  atrás de possíveis sobreviventes e, ao entrarem na floresta, encontraram Hérmia e correram atrás dela para capturá-la. A fuga desesperada de Hérmia foi em vão, ela acabou se cansando e sua única esperança era conseguir entregar seu filho para que as criaturas mágicas o mantivessem à salvo. Então foi capturada e feita prisioneira pelos inimigos, e seu filho foi criado pelas criaturas mágicas da floresta.

O Amor Verdadeiro Realmente Existe?

depositphotos_88290508-stock-photo-handsome-groom-kissing-blonde-beautiful.jpg   Logo após eu ter presenteado meu sobrinho com o anel de sua mãe, ele teve sorte e ficou noivo da mulher que amava.

Eu estava na casa do meu irmão tentando encontrá-lo, quando ouço uma voz diferente vindo da biblioteca:

-Muito bem – disse Anthony – foi uma boa ensaboadela! Vejamos… você recebeu cinco mil dólares em dinheiro.

    – Ainda desembolsei mais trezentos –  disse a voz estranha aos ouvidos de Ellen – Fui forçado a ultrapassar um pouco o orçamento. As carroças e tílburis custaram cinco dólares, mas precisei pagar dez pelos carroções e parelhas. Os outros condutores cobraram dez dólares, e alguns  dos carros carregados, vinte. O que ficou mais caro, porém, foram os guardas; paguei cinquenta dólares a dois, e aos demais, vinte e cinco. Mas não funcionou tudo maravilhosamente, Mr. Rockwall? Fiquei satisfeito por William A. Brady não ter assistido a essa pequena cena exterior de congestionamento de veículos.

Não acredito que foi tudo armação! Ele não deveria ter metido o dinheiro, quando o fator principal é o amor…

Quando a maçaneta havia girado, Anthony chamou pelo nome “Kelly”.

– Não viu, na confusão geral, uma espécie de garoto gorduchinho, pelado, armado de arco e flechas, viu?

    – Homessa – “Kelly” disse – Não vi nada. Se era como o senhor diz, com certeza os guardas o teriam apanhado antes de eu chegar.

    – Bem imaginei que o velhaco lá não estaria – Anthony riu – Até logo, Kelly.

Logo após ouvir meu irmão se despedir do convidado, corri o mais rápido até a cozinha para não ser notada. Vejo o tal sujeito, Kelly, ir em direção a porta e vou até a biblioteca ao encontro de meu irmão. Assim que chego no cômodo, vou direto ao assunto:

– E então, agora você admite que foi amor verdadeiro?

– O quê? Como assim? Por que está dizendo isso? – Anthony respondeu.

– Não minta para mim dizendo que não acredita no amor. Eu ouvi você agora há pouco. – Afirmei, com um olhar desconfiado.

– Isso não é justo. Você sempre escuta minhas conversas! – Anthony respondeu forçando uma cara de tristeza.

– Mas por que você pagou para que isso acontecesse? Você realmente achou que eles não fossem ficar juntos? – perguntei parando em sua frente.

– Até o momento, eu achava que o amor poderia ser comprado, mas com as palavras de Kelly, percebi que não era bem assim.

– Há! – eu gritei – Você admitiu! Você acredita no amor verdadeiro!

– É, acho que sim.

A ira de José Carlos

 
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O ano é de 1822. Era uma primavera suave na pobre cidade de Hell’s Kitchen, Nova York. A moça tecelã levanta de seu colchão velho, em plena madrugada, lembrando-se do dia em que desfez seu marido, há dezoito anos.

Seu criado, José Carlos, também acorda. O barulho do tear de sua criadora o obrigou a levantar-se. José Carlos nunca se acostumou com isso. Ele queria viver sua própria vida, mas a servidão o acompanharia para sempre.

Após algumas horas de uma quietude perturbada pelo tear, a moça tecelã fez uma revelação chocante à José Carlos:

-José Carlos, você sempre me serviu com dedicação. Como hoje é um dos raríssimos dias em que não possuo afazeres, você pode sair.

Surpreendido, José Carlos colocou um casaco e correu para a porta. Pela primeira vez em anos, sairia de casa. Não pensou duas vezes para ir até a Taverna de Hell’s Kitchen.

Depois de quinze minutos de caminhada, ele já estava lá. Sentou em um dos bancos próximos ao balcão e pediu um uísque. Ao seu lado estava um homem alto, com um chapéu coco e uma jaqueta jeans.

-Oi, meu nome é José Carlos – até hoje José nunca soube o porquê de ter iniciado a conversa.

-Coé, playboy, eu sou Arthur Gomes. Que que cê tá fazendo por essas quebradas?

E assim uma conversa surgiu, uma conversa longa por sinal. Após quatro doses de uísque, um assunto veio à tona. José Carlos disse, já bêbado:

-Sabe… “hic”… eu odeio minha mestra. Ela só me faz trabalhar. Se eu… “hic” pudesse, deixava de ser um criado.

-Mas você pode fazer isso! É só se livrar dela. Se quiser, te dou uma ajuda.

E assim armou-se um esquema.

Enquanto isso, a moça tecelã não parava de trabalhar. Estava tecendo um companheiro  de presente para José Carlos. Matias era seu nome, e seria um “melhor amigo” de aniversário.

Estava quase finalizando seu trabalho, quando a campainha tocou.

-Pois não? – disse a moça.

-Tecelã, estou cansado da servidão. E vim aqui acabar com isso.

Quatro homens armados estavam atrás de José Carlos. A tecelã, surpresa, disse a ele:

-José Carlos, você devia ter conversado comigo sobre isso. Hoje é o dia em que te teci, e como presente ia dar-lhe duas coisas: liberdade e um novo companheiro.

Foi então que ela o mostrou seu novo amigo. Matias estava lá, curioso, querendo conhecer o homem de lã que estava à sua frente.

José Carlos, com um fio de lã azul saindo de seu olho-botão, deu um abraço na tecelã. Ele dispensou seus “acompanhantes” e, feliz e arrependido, viveu o resto de sua existência contente, servindo à moça tecelã, divertindo-se com Matias e, principalmente, dando graças à liberdade.

 

A parada da ilusão

O tempo foi passando, Geraldo e Alda seguiram caminhos completamente diferentes. A distância fez perceber que eles se gostavam de verdade, mas ninguém tomou a atitude de ir atrás um do outro, então tiveram que tocar suas vidas.

Geraldo formou-se em medicina e realizou o sonho de ser médico, e  com a ajuda de sua amiga Luciana, abriu seu consultório; já Alda, na viagem conheceu um gringo, chamado Lahan, que foi se tornando especial e estava ajudando-a a esquecer o amado.

O consultório de Geraldo vivia cheio de pacientes, Luciana sempre estava lá para ajudar. Até que um dia ele percebeu que não via mais a moça só como amiga, então decidiu pedi-lá em namoro. As coisas entre Alda e Lahan estavam indo bem, como o gringo vinha de uma família tradicional, depois de um tempo de namoro, resolveu pedir a companheira em casamento e foram permanecendo felizes.

Um ano depois a loira resolveu trazer seu marido para conhecer o Rio de Janeiro. Quando chegaram da viagem, ela levou Lahan ao parque, que adorava ir na infância para fazer um piquenique. Chegando lá, Geraldo também estava no local, quando o olhar deles se cruzaram, parecia que o mundo tinha parado e voltado na época que eram felizes juntos. Os dois ficaram sem reação e acabaram não se falando.

No dia seguinte, Dayse e Gabriel, um casal amigos de ambos, enviaram um convite para suas casas, convidando-os para serem padrinhos de casamento. Os dias foram passando, eles se aproximando e a paixão cada vez mais se reacendendo. Com isso, Geraldo tomou a iniciativa de beijar Alda, pois não estava mais conseguindo ficar sem ela, depois do beijo eles fizeram as pazes e, com um pouco de culpa, decidiram não contar nada para  Luciana e Lahan.

O grande dia do casamento dos amigos finalmente chegou, e quando os recém-casados estavam prestes a sair do altar, Geraldo pediu a atenção de todos os convidados, falou em voz alta o nome de Alda e em seguida fez o surpreendente pedido de casamento. A loira ficou sem palavras, correu para os braços do verdadeiro amor e sem pensar duas vezes disse sim. Todos ficaram chocados, principalmente Luciana e Lahan, que foram traídos na frente de todos, decidiram  juntarem-se para apoiarem um ao outro, pois o choque foi grande.

Depois desse conflito, as coisas foram se acalmando e os casais foram se “reorganizando”. Luciana e Lahan ficaram juntos, enquanto Alda e Geraldo estavam planejando o casamento. Conformados com a nova realidade, todos viveram em paz.

 

Link da música: https://www.youtube.com/watch?v=lp-EO5I60KA

A Volta de Carolina

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Após Emílio atirar em Carolina e depois em si mesmo, os vizinhos chegaram, porém ele não estava morto. Foi levado a tempo  para o hospital e passou algumas semanas por lá. Usou este período para pensar sobre seus atos; já do outro lado, Carolina morreu de fato, e podia entrar por duas portas: uma que dava para uma cidade de casas douradas; outra que dava para Emílio, para que pudesse ao menos vê-lo pela última vez antes de ir para sempre.

Carolina entrou na porta e saiu em Paris, perto da casa onde morava Emílio, escondeu-se para que ele não a visse. Quando Emílio chegou estava acompanhado da vizinha, ela dizia algo sobre como era amiga de Carolina e queria ajudá-lo no que pudesse. Emílio pensou que Carolina foi o amor da vida dele, porém ela já se foi, a moça devia ter esperado a hora dele e não ele que deveria se apressar para acompanhá-la. Decidiu então convidar a vizinha para sair, seu nome era Marta. Foram para um restaurante caro, ela era rica, divertiram-se com a história um do outro e voltaram, cada um para sua casa, porém a casa da vizinha estava toda bagunçada com os móveis virados, a louça quebrada, as roupas jogadas no chão, entre outras coisas, Carolina havia tido um ataque de ciúmes. Marta foi para outra casa mais longe dali. Emílio tinha gostado dela e a convidou para sair outra vez, ele foi buscá-la em sua casa e a mulher tinha preparado um jantar para os dois.

Carolina, com medo de eles se apaixonarem, havia seguido Emílio até a casa de Marta e entrou escondida para os observar com a finalidade de atrapalhar um possível envolvimento. Após algum tempo, ela começou a mexer os móveis para assustá-los e eles, achando que era algum ladrão, foram checar, mas não acharam ninguém e voltaram para a mesa. Emílio sentia como se algo estivesse errado, pediu licença e foi ao banheiro. Encontrou Carolina, ficou muito assustado, pois já fazia tempo que ela tinha morrido. A moça disse que Emílio estava a traindo e achou que ele a amava. Emílio respondeu que devia seguir sua vida e esperar sua morte natural. Ela disse que queria  estar com ele na cidade dourada, porém Emílio não podia ir, queria seguir sua vida com Marta, prometeu que não teria relações com ela e se guardaria para Carolina. Assim, ela foi para a cidade dourada a espera de Emílio.

Os anos foram se passando e a tuberculose desenvolveu-se no corpo de Emílio, que morreu dormindo, sem sofrimento. Entrou na porta da cidade dourada e encontrou Carolina, que o esperava amorosamente.

O Amor de Peter

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Daphne, logo após a minha pergunta, respondeu:

– Não! Eu apenas quero que você me deixe em paz.

– Mas…

– Por favor, só me deixe sozinha.

Ela desligou o telefone logo após isso. Foi a última vez que falei com ela.

Fiquei muito triste, não sei por quê. Eu gostava de ser assim, encontrar mulheres bonitas, flertar com elas e deixá-las depois, mas a Daphne… Ela era diferente.

Depois de um tempo meus amigos me chamaram para ir ao boliche, eu não queria, mas eles insistiram tanto que eu fui só para tentar esquecer a Daphne. Ao chegar, encontrei minha amada nos braços de outro homem. Senti arrependimento ao ver aquilo. Vi que ser mulherengo me faria ficar sozinho, pois ninguém quer um homem que adora namorar várias mulheres.

Neste momento fiquei paralisado, apenas vi a linda Daphne vindo em minha direção.

Foi quando eu vi seu lindo rosto, seus olhos iguais a diamantes, seus cabelos cacheados que me atraíam e sua cor de pele negra, adorável. Para mim, ela era perfeita.

Quando ela se aproximou de mim, disse:

– Oi, Peter, estou sabendo da sua depressão, eu te perdoo por tudo que você fez comigo. Estou torcendo para a sua recuperação.

Estava tão chocado que nem consegui falar com ela. Que vontade de poder falar o que eu sentia, porém era tarde, o meu amor já estava nos braços de outro homem.

Eu tentei fazer como antigamente, esquecer rapidamente e escolher outra para namorar. Porém eu sempre a encontrava na praça, ao pôr do sol. Ela não saía da minha cabeça.

Em um dia, eu a encontrei nos braços do mesmo homem no boliche e, o que mais me deixou surpreso, eles se beijaram. Depois disto eu desisti de tentar namorar Daphne e fugi para longe, onde nunca mais eu iria vê-la e eu poderia continuar a ser o mulherengo de sempre.

Daphne nem percebeu meu desaparecimento, continuou sua vida normalmente, até que um dia ela foi me procurar para ver se eu tinha saído da depressão. Foi quando ela percebeu que eu fugi. A minha linda pediu a ajuda de seu namorado para me encontrar e, juntos, eles procuraram por todo o bairro, mas ninguém sabia o que tinha acontecido comigo. Quando ela chegou em casa, viu um presente em sua mesa; ela abriu e leu a carta que estava junto ao presente:  “Para a nossa amizade”, de um anônimo. Dentro vinha um buquê de flores, daquelas que Daphne mais gostava: rosas brancas.

A minha querida descobriu que eu havia enviado o presente e mandou de volta o buquê, dizendo:

“Querido Peter, adorei o buquê de flores, porém não posso aceitar. Meu namorado (que eu queria te apresentar, ele se chama Fernando) não gostou e não quer que você envie mais presentes para a nossa casa. Beijos, Daphne e Fernando.”

Parecia que eu tentar ser seu amigo não resolveria nada, só pioraria. Porém, não desisti, pelo menos ter uma amizade era o que eu queria.

Daphne foi trabalhar e, quando voltou, encontrou outro presente. Abriu o pacote escondido de Fernando e se deparou com um urso de pelúcia abraçando um coração, onde estava escrito “eu te amo”. Ela adorou, mas sabia que era meu. Ela leu a carta que enviei junto com o presente, na qual estava escrito: “mesmo que ele pense mal de mim, eu quero ser seu amigo, este presente não tem nada de mais. Por favor, pense. Agradeço, anônimo.”

Ela tentou falar com Fernando e, de novo, piorei tudo:

– Peter só quer ser meu amigo. – disse Daphne.

– Se ele quer ser seu amigo, por que lhe deu presentes românticos, como buquê de flores e um ursinho de pelúcia no qual está escrito “eu te amo”? Ele podia te dar um vestido, ou uma blusa, aí eu não ficaria com raiva.

– Isso não faz sentido, ele nunca me amou, foi um interesseiro.

– Daphne, você está me traindo?

– O quê? Nunca iria te trair, por favor, é só uma amizade.

Daphne tentava provar para ele que eu não a amava, porém, era mentira, eu queria tê-la só para mim. Decidi esperar para o próximo presente.

Em um final de semana, a minha linda dos cachos recebeu um CD escrito “toque-me” e na carta dizia: “estou cansado de me esconder, preciso dizer, Daphne, te tratei mal, mas eu me arrependo. Por Favor, toque este CD.

P.S.- Eu te amo.

Peter”

Ela colocou o CD e começou a tocar uma música romântica que ela adorava. Eu apareci na porta flertando com ela e cantando:

– Sei que machuquei você, mas quero voltar, te tratei mal, mas agora quero te amar, volta pra mim, o nosso amor não vai ter fim.

Daphne viu aquilo e disse para mim que não iria ficar comigo:

– Você magoou meu coração, não quero voltar a ficar com você.

Eu percebi o erro que cometi e fui embora.

Eu fui a um bar e fiquei lá, extremamente triste. Passei a frequentá-lo diariamente, sentia que não tinha motivo para viver. Até que em um dia, percebi algo de diferente naquele local, alguém diferente estava lá. Comecei a ouvir uma música familiar, a que eu coloquei para flertar com Daphne, porém, era uma mulher cantando, com uma voz bela e suave. Ela me lembrava muito a dama de olhos de diamantes, sua fofura, a voz suave, e a sua risada linda; foi quando percebi que amor à primeira vista realmente existe.

Link da música: https://www.vagalume.com.br/shawn-mendes/stitches.html

Sonho de uma tarde de inverno

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Sempre fui muito impulsiva. Isso me custou muito, mas talvez tenha me proporcionado a melhor parte de toda uma vida.

Tudo começou em uma tarde de inverno, quando vi um homem que aparentava ter cerca de vinte e cinco anos sendo linchado por um grupo de moradores atenienses. Pude perceber que o jovem trajava típicas roupas espartanas. Entendi então o motivo de tal violência: Esparta e Atenas estavam em guerra e aqueles moradores achavam que se tratava de um espião. Espartano ou não, se tratava de uma vida, não podia deixar que aquilo continuasse.

– Saiam de perto do meu irmão! – gritei com toda a força que pude, forçando algumas lágrimas para trazer mais vivacidade a minha atuação repentina – Meu pobre irmão voltava de Esparta para se juntar a nós na guerra e vocês o recebem desta maneira? Por acaso têm alguma prova de que ele é um espião? – o silêncio constrangedor entre eles me foi bastante satisfatório – Pois peçam-lhe desculpas e voltem para suas casas!

Depois da confusão, levei o rapaz até minha casa para cuidar-lhe e saber mais sobre sua história. Disse-me que se chamava Netuno e viera a Atenas em busca de estudo mais avançado. Jurou que não me faria mal algum e pediu ajuda e abrigo, estava completamente perdido na nova cidade. Permiti, contanto que também trabalhasse para suprir a casa.

Com o passar dos meses, tornamo-nos de amigos a namorados, e depois noivos. Foi então que me contou toda a verdade: era de fato um espião. Entretanto, sua honra não o permitia que fizesse qualquer coisa que me prejudicasse. Agora apaixonado, estava disposto a lutar contra qualquer espartano que ousasse nos afastar. Eu podia ver sinceridade em seus olhos, mas era doloroso demais saber que tudo era mentira. Fugi para a floresta, ignorando suas súplicas.

– O que faz aqui, humana? Será que já não basta destruírem nosso lar para dar continuidade a essa guerra inútil? Vocês não são os únicos moradores dessa terra! – gritou com voz potente a pequena fada. Dirigi a ela um olhar profundo e a mesma, comovida, perguntou-me: – Por que está chorando?

Contei toda a minha história, e que não sabia que destruíam a floresta por causa dessa disputa sem fim. Solidária, Titânia, rainha das fadas, se mostrou disposta a uma amizade inusitada, disse que conhecia a verdade por trás das palavras humanas, e eu era uma das poucas que a carregava em tudo o que dizia. Foi somente por isso que não me abandonou quando viu chegar Netuno d’entre as folhas, surpreso ao contemplar o ser mágico.  Pelo contrário, se aliou ao meu noivo em suas incessantes desculpas.

– Só o perdoo por causa de Titânia. – disse um tanto relutante, até que ele me abraçasse e prometesse não mais mentir.

Resolvidos os problemas entre nós dois, fizemo-lo ciente da atrocidade ainda maior que as cidades estavam provocando, pois, além de soldados, muitos animais e criaturas encantadas estavam sendo mortos.

– Conheci um duende certa vez, se chamava Oberon. Há a possibilidade de acabar com a guerra se juntarmos todos esses que estão em perigo nas florestas para lutar? – perguntou Netuno, esperançoso.

– Não trabalho com duendes. – Titânia logo o cortou – Não tem a mínima seriedade.

Houve um longo período de negociação entre nós e Oberon, que havia sido encontrado por meu noivo dois dias depois da conversa com a rainha fada, resultando em uma trégua “em nome do bem maior”, argumentei. Casei-me o mais depressa possível, em segredo, já que parte da cidade achava que Netuno era meu irmão. Depois de incontáveis reuniões bolando estratégias e buscando atrasar a produção de armas e carros de guerra, tínhamos um plano concreto, esperando para ser posto em prática. O que queríamos? Executar um feitiço que iludiria ambas as cidades, fazendo-as pensar que haviam vencido, esquecendo-se dos combates e voltando a suas velhas rotinas.

O grande problema era que demandava energia demais, por isso nem as fadas nem os duendes haviam tentado tal coisa, era possível somente por estarmos aliados. Nosso plano se concretizaria logo, se não fosse um detalhe: eu estava grávida. Netuno não permitiria que eu me esgotasse tanto e pudesse trazer problemas ao bebê. Estava muito enganado ao achar que eu aceitaria isso tão facilmente… O tempo correu muito depressa, completado meu oitavo mês de gravidez, tudo estava pronto para acabar de vez com a guerra.

Certo dia, ao adentrar a floresta, deparei-me com uma cena tão inusitada quanto bela: Titânia e Oberon, antes inimigos, se encaravam, o duende acariciava seu rosto enquanto ela sorria. Há algum tempo eu percebia que a rivalidade se tornava, aos pouquinhos, amor, mas não conseguia deixar de me espantar ao vê-los em tamanha demonstração de carinho. Titânia era destemida, defendia seus amigos com a própria vida, ajudava, era uma verdadeira rainha. Oberon, também rei, governava com cautela, aconselhava a todos, tinha uma personalidade mais tranquila, sempre buscando alegrar e encorajar as pessoas a sua volta.  Tão diferentes e tão compatíveis.

Uma última reunião antecedia a realização do feitiço, foi só então que descobrimos que era necessário entrar no combate para todos das tropas serem encantados. Supliquei a Netuno que não fosse, era arriscado demais, não podia perder meu marido tão amado, mas ele não desistiria, era orgulhoso demais para isso. O que me restava era aproveitar o tempo que tínhamos.

Chegado o dia do confronto, próximos ao campo de batalha, escondidos, esperamos. Os soldados posicionados nas fileiras avançavam, era a hora de agir. Netuno me abraçou forte enquanto eu chorava, e deu-me um beijo longo, tão cheio de amor que por um instante achei que nunca nos separaríamos. Ele foi até o centro do local e depositou uma planta com uma pequena fagulha de fogo, que cresceu até uma fumaça esverdeada, contendo os poderes de todas as fadas e duendes, ervas e tudo mais que conheciam, tomar o ar. A fumaça aturdiu os soldados e os fez largar as armas e pôr a cabeça entre as mãos, fechando os olhos e tossindo com força por alguns minutos. Depois do torpor, ainda um tanto confusos, deram meia volta e rumaram a suas cidades, acreditando que haviam vencido. A guerra estava terminada. A floresta e seus moradores estavam salvos. Estes, exaustos após tantos esforços, suspiraram aliviados.

Meu marido caminhava até nosso esconderijo, meu sorriso se desfez quando o vi desmoronar a dois metros de mim. ”Como eu não percebi a flecha em suas costas?”, me perguntava enquanto as lágrimas desciam pelo meu rosto. Comecei a sentir cólicas fortíssimas, ouvia Titânia gritar desesperada que me ajudassem, pois eu estava entrando em trabalho de parto. Duendes e fadas amparavam-nos com uma velocidade absurda, eu e meu marido fomos postos deitados um ao lado do outro, ele segurava minha mão e dizia que tudo daria certo, implorei que não falasse mais, estava perdendo muito sangue, não podia se esforçar. A dor me tomara, gritei até minha garganta doer, e finalmente pude ver o pequeno prematuro, era lindo. Todos choramos emocionados.

Netuno e eu seguramos nosso filho nos braços, era a primeira e última vez que o veríamos. Chamei Titânia e Oberon.

– Minha querida amiga, por favor, me prometa que cuidará dele.

– Vou cuidar como se fosse meu, ele vai crescer sabendo o quão honrados foram seus pais, dando a vida por nós… – ela disse com a voz embargada enquanto soluçava.

– Vocês foram um presente dos deuses, mas esse presente não poderá ficar conosco, que Hades os receba com a glória que merecem. – o rei duende também chorava.

– Não me entristeço por morrer por uma causa tão nobre. – Netuno se virou para mim – Eu amo você, Minerva, mais do que tudo.

– Eu também o amo mais do que tudo.

Com muito esforço, pus minha cabeça em seu peito, abraçando-o. Beijei-o e fechei meus olhos, minha mente se perdia no vazio enquanto minha vida e a dele iam se esvaindo.

– Nos vemos nos Campos Elísios.

O outro lado da verdade

Desperate blonde reaching for boyfriend against blackboard

Antenor voltara ao trabalho, já estressado pensando no baile de primavera ao qual teria de ir acompanhando sua namorada. Ele odiava esse tipo de festa, mas Isabella havia lhe implorado tanto que ele acabou cedendo.

Chegaram um pouco atrasados, devido ao pequeno trânsito e à demora de Isabella para se arrumar. Assim que chegaram, a moça foi falar com uns conhecidos, deixando Antenor de lado.

Menos de dois minutos após ser deixado por Isabella, uma garota meio baixa, de cabelos loiros, olhos castanhos e com uma expressão de nervosismo veio falar com ele. Antenor, que nunca levara jeito para socializar e já estava estressadíssimo, fez alguns comentários rudes, que ele esperava que tivessem soado como piadas, apesar de terem um quê de verdade, e se retirou para fumar.

Pouco depois achou Isabella, que já estava cansada de tanto dançar valsa, e a convenceu a ir embora para casa, pois tinha que trabalhar na manhã seguinte.

Na volta do baile, ocorreu a discussão de sempre: “Por que não para de fumar?”, “Você nunca se manterá em um trabalho”, “Espero que esse dê certo”, “E as contas para pagar?”. Esse era o bate-boca diário.

A manhã do dia seguinte foi comum. Transporte cheio, típica manhã da General Osório. Sorte a dele que a loja em que trabalhava ficava em uma rua próxima, mas bem menos movimentada, e até um pouco difícil de achar. Pelo menos era o que todos diziam, e o que Antenor pensava, até que viu a mesma garota da noite anterior, que falara com ele no baile, entrando pela porta. Decidiu fingir que não a conhecia, afinal devia ter vindo para comprar algo. Não, dessa vez, ela havia ido procurá-lo, pelo que aparentava. “Meu Deus! Tanto trabalho só para ver minha pessoa? Acho que não”, era o que pensava Antenor, mas a menina parecia se esforçar para demonstrar o contrário. “Agradeço a visita, qualquer hora dessas dou uma ligada”, mas não ligou. Não que precisasse, já que a menina ligava para o trabalho de Antenor e desligava após ouvir o “Alô?” quase todo dia, umas três vezes.

Antenor chegava a casa já irritado, ainda tendo que lidar com os ciúmes de Isabella por essa garota que nenhum dos dois sabia ao certo quem era. Chamava se Aline, ou Amanda, alguma coisa com A e trabalhava ali no salão mesmo.

Mais ligações nos dias que se seguiram, Antenor já gritava ao telefone, independentemente de quem fosse do outro lado da linha. Recebeu mais uma, duas, cinco ligações e, pelo que aparentava, também havia um amigo da garota envolvido. “Estou comprometido, se um dia me der na telha, EU MESMO TELEFONO!”, gritou pela última vez. Depois de tanto transtorno e gritaria, ao ser chamado pelo chefe, não precisou nem adivinhar quem era. “Eu mesmo me retiro”, respondeu com voz baixa, assim que entrou. Orgulhoso como era, preferia se retirar a ser retirado. Chegando a casa, a briga foi feia. Isabella, com sua cabeça quente e temperamento explosivo, chegou a quebrar alguns copos. Chamaram a polícia. “Nada de mais, senhor policial”, dizia Isabella, um pouco envergonhada. Depois disso, sem gritaria. Uma ignorada aqui, uma troca de olhares de raiva e tristeza ali, um beijo rápido e frio e um boa noite seco. Afinal, não é bom dormirem brigados.

Já se passavam dias, após o episódio do telefone, sem mais ligações. Mas vinham diversas cartas. Todas falando quase a mesma coisa. “Esse relacionamento não lhe faz bem”, “Pode arranjar coisa melhor, como eu”, “Eu te amo mais que tudo” e alguns versos bonitos de uma música, poema ou livro.

Mais algumas cartas, mais alguns presentinhos, mais alguns dias. Num belo fim de tarde chuvoso, lá estava a menina. Toda encharcada, parecendo um cão que caiu do caminhão, esperando Antenor sair do serviço novo.

Antenor, que não pôde deixar de sentir pena, abrigou a garota embaixo de seu guarda-chuva surrado, levou-a para o ponto e a colocou dentro do ônibus.

A menina estava ficando desesperada. A fofoca na vizinhança se espalhava rapidamente. Foi até procurar Alzira, a velha do bairro que mexia com magia negra, pelo menos era o que diziam. E para isso Antenor respondia: “não poderia me importar menos”, afinal, dali a alguns meses  se casaria com sua amada.

Fora os transtornos e fofocas que a garota trazia para sua vida, estava tudo muito bem para Antenor. Casamento marcado para muito breve. Ansioso. Nervoso. O trabalho pelo menos estava fixo até agora. As contas, pagas. E olhe só, não fumava há quase um mês.

Finalmente se casou. Feliz da vida, os anos foram passando. Lugares diferentes, empregos diferentes, nada que atrapalhasse o amor do casal. As contas continuavam pagas, houve recaídas, mas já era o segundo semestre sem um cigarro na boca. Mais alguns meses, e veja! São gêmeos! Ainda recebia cartas de vez em quando, a menina se casou com Gilvan, grande amigo, “baita salvação que ele foi”. “Deve ter criado um apego por mim”, pensava Antenor, ao receber as cartas da menina que falavam sobre a vida dela, e como ela havia seguido em frente, recebia um pedido de desculpas em todas elas. No entanto, mal sabia ele que ela estaria a esperá-lo na estação no próximo domingo.

 

 

 

 

 

Música: https://www.vagalume.com.br/coldplay/shiver-traducao.html

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dois Milionários e uma Desconhecida

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Os mais velhos dizem que temos apenas duas chances de sermos ricos nesta vida: a primeira, é na hora de nascer; a segunda, na hora de casar. Desperdiçadas essas chances, pronto, vai ser pobre pelo resto da vida.

Emílio nasceu e cresceu na cidade de Barbacena, morava em um bairro humilde, em um barraco feito de tijolos podres e cimento velho. Sua mãe, empregada doméstica, não ganhava o suficiente para pagar as contas; seu pai, segurança do prédio pertencente à família mais rica da cidade, ganhava mais que sua esposa e, mesmo assim, não era o bastante para sustentar sua mulher e três filhos.

Emílio, o filho mais velho, trabalhava desde pequeno, fazendo bicos aqui e acolá. Sempre quis mais, sonhava em morar em uma mansão, ter helicópteros, computadores, vários empregados a sua disposição e muito mais. Sua mãe, de cara, já percebera a ganância e fome de dinheiro de seu filho. Ouvia-se muito ela dizer:

– Emílio já encontrou o amor, o nome de sua parceira é Dinheiro, por ela esse menino faria qualquer coisa, amor verdadeiro esse.

Com vinte e cinco anos de idade, o filho do segurança do prédio da família mais rica de Barbacena encontrou-se com a filha mais nova dessa família: um encontro ao acaso,  indo visitar o pai, Emílio esbarrou nela sem querer. Foi amor à primeira vista, ela apaixonou-se por ele e ele pelo dinheiro dela.

Não tardou para começarem a se encontrar todo dia no mesmo prédio, demorou menos ainda para começarem a namorar e logo ele fez o pedido tão esperado. Ajoelhado em um restaurante, perguntou:

– Dinheiro, digo, Gisele, quer casar comigo? – Ela, toda apaixonada, aceitou, e ele, muito contente por não ter desperdiçado a segunda chance, começou a preparar o festejo.

Não conseguiram ter filhos, mas ninguém ficou abatido, para Gisele apenas Emílio importava, e para Emílio, bem, não é preciso repetir.

Contudo, o tempo passou e Emílio percebeu que não só de mansões e carros de luxo o homem vive, estava faltando alguma coisa. Mais empregados? Uma casa maior? Computadores mais modernos? Ele não sabia dizer.

Um belo dia, andando no shopping, Emílio se deparou com o que faltava na sua vida. Ela era linda, com feições delicadas e simples, um rosto que seria fácil de esquecer se não fosse tão hipnotizante e marcante, era aquele tipo de rosto que se você olha uma vez não chama atenção, mas quanto mais você olha, mais bonito vai ficando, sempre.

O homem rico aproximou- se enquanto ela lia um livro, “O Corcunda de Notre Dame”, e começou a conversar, perguntou seu nome. “Carolina” foi a resposta, dita de forma tão suave e doce que até os anjos pararam para ouvir.

Desconfiada no início, a moça não deu muita atenção ao homem, porém, aos poucos, foi se encantando por aquele rico, aparentemente muito superficial, mas com a mente tão profunda e surpreendente quanto o universo.

Passaram sempre a se encontrar no mesmo shopping, apaixonaram-se aos poucos, aquele tipo de amor que se constrói peça por peça, como um quebra-cabeça, no início impossível de construir, confuso demais, mas, com o tempo, nota-se uma imagem linda e simples de ser compreendida.

No começo Emílio enganou Carolina, mas, depois de um tempo, depois que estavam completamente apaixonados, ele contou sobre sua esposa. Espantosamente, Carolina não se importou, ela o amava e sabia que Emílio, ganancioso como só ele, não largaria o dinheiro. Aceitou, portanto, ser a amante, a tão famosa “outra”.

E Gisele, não desconfiava de nada? Muito pelo contrário, ela sabia de tudo, desde os encontros no shopping até os eventuais encontros carnais em lugares mais reservados. Mas ela amava muito Emílio para abandoná-lo e sustentou isso por um tempo, até seu orgulho gritar em sua cabeça dizendo que ela não merecia tal humilhação.

Foi em uma tarde nublada, o vento uivava como uma amante em seu ocasional encontro com o outro, uivava quase tão alto quanto o som do revólver. Dois tiros seguidos, secos, limpos, sem gritos ou correria. Depois, um último disparo, executado da mesma forma. Horas depois encontraram os corpos, um casal de milionários, membros da família mais rica de Barbacena, e uma mulher, até então desconhecida. Disseram que a desconhecida e o milionário eram amantes, e a milionária matou os dois e depois se matou. A polícia deu ao caso o nome de “Os Amantes”.

Sonho de Amor

Era uma tarde de verão na cidade de Florândia no interior do Rio de Janeiro, onde o jovem Francisco ia para a sua faculdade de medicina, estudava na UFM (universidade federal de medicina) umas das mais importantes do estado.

Estava sempre acompanhado de seu amigo Eduardo Marinho, eles se dirigiram à sala, a professora chega e apresenta a estagiária Nyvi, uma moça bonita e jovem, mas nem tanto jovem quanto Francisco, foi amor à primeira vista.

Mais tarde, Francisco vai buscar seu irmão na escola. Pitu, um rapaz um tanto esperto, mas não era dos melhores em álgebra.

Pitu pergunta se está tudo à Francisco, pois ele estava bem contente. Francisco, por sua parte, não prestou atenção, pois pensava apenas em Nyvi.

No outro dia se repete o ciclo de Francisco só olhar para Nyvi. Até que ela nota e vai conversar com ele. Eles conversam juntos e notam que têm muito em comum, na hora da saída, Francisco a convida para ir à quermesse do outro mês, ela aceita.

Francisco chega a casa e sua mãe o manda ir comprar leite, ovos e salsicha no mercado com Pitu seu irmão. Chegando lá Pitu nota Nivy conversando com outro rapaz, esse cara era Caio, filho de um dono de fábrica de automóveis, muito rico, ele a pede em casamento e oferece um belo dote a moça, Francisco fica muito triste e decidi contar tudo que sente a ela na quermesse, pois ele não estava disposto a perdê-la.

Chega então o dia, ela estava mais bonita do que nunca para Francisco, que por sua vez estava todo elegante, e Pitu foi com sua namorada Marina no carrossel. Eles passeiam bastante, brincam em diversas barracas.

Até que eles param e chegam a uma mesa onde Francisco decidiu contar tudo o que sentia para Nivy, entretanto chega Caio e, sem enrolar, fala para que ela se case com ele ou terá consequências terríveis não apenas para ela, mas para toda sua família, e ele a agarra.

Francisco ficou muito irritado e dá um soco na boca de Caio, que cai no chão desnorteado e foge, pois ficou muito assustado. Francisco conta tudo a Nivy, que o compreende, mas ela disse que não podia aceitar, pois era comprometida.

Francisco entra em choque, pois ele de fato a amava. Ela vai embora e Pitu leva seu irmão choroso para casa. No dia seguinte na escola, Nivy e Francisco se encontram, Francisco a trata com indiferença, ela fica ressentida pela maneira que ele a tratou e se retira sem dizer nada, naquele momento Francisco percebeu que aquilo tudo que ele sentia era só um sonho, um sonho de amor.

Música: All of Me – Jonh Legend

Autores: Caio Moraes; João Vitor; Pedro da Cruz

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A Traição de Fujie

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Não acredito que estava fazendo aquilo.

Já era outro dia, voltara a casa de madrugada, com minha cabeça quase explodindo e perdido em pensamentos. Rotina lenta, cansada como minha mente. A única coisa que pensava era contar tudo, apanhar até não poder mais, ou simplesmente que Fujie desaparecesse do nada, que tudo aquilo não tivesse acontecido.

No judô, era aparente meu cansaço: movimentos lentos e previsíveis, yukos, basaris. Até que Toshi percebe e pergunta:

-O que houve? Parece que você ficou acordado por dias! Aconteceu algo?

Minha vontade era de contar tudo, ali mesmo, acabar com tudo. Que nada.

-Estou bem, só não consegui dormir mesmo. Vamos continuar.

Já era tarde. Voltei a casa passando pelo Teikam, Fujie me olha com um olhar safado. Não conseguia esquecer. Tentei dormir, e nada.

Assim se repetia pelos próximos sete dias: acordava, trabalhava, Judô, Fujie, dormia mal. Já não aguentava mais, minha vida estava em lástimas. Resolvi contar.

Reuni-me com Toshi depois do judô. Desabafei tudo, chorando, implorando por ser agredido, por ser esquecido, ou qualquer coisa pior que isto.

Toshi não expressava reação, parecia pálido, um fantasma. Em instantes, chamou Fujie, pedindo explicações sobre tudo que ouviu. Essa foi minha surpresa.

-Não acredito que você fez isso com meu amigo! Tentando-o contra mim desse jeito, sua maldita!

Não acreditava que estava ouvindo aquilo, os dois começaram a discutir e Fujie foi expulsa de casa. Toshitaro se virou, e, com toda frieza, disse:

-Não posso te culpar pelo que aconteceu, temos nossos impulsos e, às vezes, não conseguimos nos controlar. E mais, uma amizade verdadeira é mais valiosa que um amor!

Estava aliviado, em paz, aquilo realmente me fez bem.

Meses depois conheci uma mulher, acabou de entrar no Judô, estamos juntos até o momento. Carla é realmente especial, assim como a amizade de Toshitaro.

 

 

ADEUS

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Ao chegar na rodoviária, a Pomba Enamorada se encosta numa mesa e começa a procurar pelo seu “verdadeiro amor”. Depois de 2 horas de espera, eis que ela vê um homem com um sobretudo marrom e chapéu cinza descendo de um ônibus amarelo, como a moça havia previsto. Ela olhou para ele e quando seus olhares se encontraram, ficaram se encarando por alguns segundos, sem reação alguma. Então Antenor tomou uma atitude: foi em direção a ela. Ela ficou nervosa, com o coração acelerado. Todas as lembranças de Antenor vieram à tona e, logo após isso, ela o escuta chamando por seu nome.

Depois de dez minutos de conversa numa lanchonete próxima dali, ela se esqueceu do nervosismo, do passado, até do marido. Ela só sorria. Depois de horas de uma conversa prazerosa, ele tinha que ir embora. Estava chovendo. Antenor percebeu que não podia deixar aquela dama lá. Ele a chamou para um motel, ela aceitou.

Ao chegar nos seus aposentos, conversaram, beberam um pouco e tiveram uma longa noite de amor.

Quando Antenor acordou, viu que ela não estava mais lá e em seu lugar, havia um papel escrito “adeus”. Ela voltou para casa, viu seus filhos chegando do trabalho e passou o dia com eles, enquanto seu marido trabalhava. Um pouco antes de Gilvan chegar, escreveu uma carta, se despediu de seus filhos e foi embora. Quando seu marido chegou, encontrou um papel em cima do sofá que dizia: “adeus”. E no final de tudo, percebeu que a liberdade era seu verdadeiro amor.

 

Turma: 805

Grupo: Lucas, Ryan e Ruan