Mamon e o arqueiro

 

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Depois da secretária ter saído, Antony pensou no casamento do filho com Miss Lantry, mas ele estava interessado em outra coisa, dinheiro!

– Talvez, no casamento de Richard, eu possa conhecer os pais da noiva, ver a casa onde moram, eles devem ser ricos. Então, pode ser, que eu aumente minha riqueza e possa demonstrar para todos, que se consegue tudo tendo dinheiro.

Passado três meses antes do fracasso do teatro, Richard estava prestes a se casar com sua amada, quando seu pai entrou em seu quarto e começou a perguntar como ia sua família, como era história deles  e outras informações pessoais.O noivo ficou muito chateado e não respondeu.

Quando acabou a cerimônia, ocorreu uma grande festa com muita comida e bebida para umas setecentas pessoas ficarem satisfeitas, e brincadeiras, filmes, fotos e vídeos.

Os recém-casados foram de charrete, direto para a lua de mel, que era em um cruzeiro.  E ficaram sessenta dias aproveitando. Passado este tempo, seu pai contou tudo o que havia acontecido antes do casamento, então o filho entendeu toda a trama e falou que não tinha necessidade dele ter feito aquilo, pois os dois se amavam. Então o pai desistiu de se intrometer na vida do filho, conformou-se e deixou o casal vivesse em paz.

Um amor por um romance

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Lá estava Geraldo aos prantos, deitado em sua cama, mal podia acreditar que tudo estava acabado, o amor de sua vida fora embora para não mais voltar, Alba ficaria marcada para sempre em seu coração e memória.

Eles se conheceram em uma fria noite de sexta-feira. Tudo  começou quando o rapaz, juntamente de dois amigos, foram a uma festa de quinze anos e, ao chegar lá, uma mulher imediatamente chamou a atenção de Geraldo. Ela era Alba, uma mulher de vinte anos, cabelos loiros e lindos olhos claros. Ao perceber a forma como o garoto olhava para a moça, Nicolau sugeriu que a chamasse para dançar, e assim ele fez.

A moça aceitou, e eles passaram a noite toda dançando. Quando Geraldo já estava indo embora, a jovem pediu seu telefone e, a partir deste dia, não pararam mais de falar, eles conversavam até de madrugada e se encontravam aos finais de semana.

Eles passaram a fazer faculdade na mesma universidade, ela cursava direito e ele medicina. Então se viam todos os dias, e depois de quatro anos juntos, casaram-se.

Certo dia, Geraldo recebeu um telefonema, era do hospital e avisava-o que ele fora contratado e devia começar seu estágio em uma semana. Muito feliz os namorados foram comemorar.

Uma semana se passou e  era seu primeiro dia de trabalho, muito nervoso ele entrou no hospital e, de imediato, foi recebido por um homem alto, moreno e forte, era Vinicius, um médico muito experiente que ficara responsável por apresentar o estabelecimento. Depois de conhecer o hospital e acompanhar atentamente os serviços do médico, o estagiário pode ir para casa.Chegando a casa, muito cansado, contou sua experiência para sua esposa e foi para a cama, mas não conseguia dormir, tomado por um sentimento muito forte que não soube  identificar.

No dia seguinte, Geraldo se dirigiu para o hospital ainda cansado, pois não dormira bem na noite anterior. Ao chegar lá, olhou para Vinicius e sentiu o mesmo sentimento intenso, que sentiu na noite anterior, só que agora mais forte.

Geraldo cumpriu seu dia de serviço, e, quando já estava a indo para casa, o médico falou:

– Que tal “a gente” sair para tomar uma cerveja, para comemorar seu primeiro mês de trabalho?

-Claro! Vou trocar de roupa!

E foram  para um bar famoso da cidade. Ao chegar lá, e bater bastante papo, um silêncio tomou a mesa e um sentimento forte conduziu a boca de Geraldo até a de Vinicius e eles se beijaram em um gesto muito apaixonado.

Um mês depois do episódio, os dois estavam a vivendo um romance, apesar da culpa, o que Geraldo sentia pelo médico era mais forte.

Era uma manhã de segunda-feira, Geraldo levantou de sua cama com um sentimento ruim, mas preferiu ignorar e foi trabalhar, ao sair de casa esqueceu, por um pequeno descuido, sua carteira, então Alba decidiu levar a mesma até ele.  Ela foi até o consultório onde Geraldo trabalhava e entrou sem bater na porta. Ela não acreditava no que seus olhos estavam vendo: Geraldo e Vinicius se beijavam apaixonadamente. Alba largou a carteira e saiu correndo e chorando pelas ruas, Geraldo a pegou pelo braço no meio do caminho e disse:

-Não é o que você está pensando!

-Eu não quero saber, está tudo acabado! Nunca mais me procure e não olhe na minha cara!

Após algumas semanas o divórcio já estava marcado. Geraldo se arrependia amargamente do que havia acontecido, e passou a fazer estágio com outro médico para evitar olhares com Vinicius.

Passado dois meses, chegara o dia do divórcio e Geraldo não conseguia parar de chorar, ele estava tomando consciência de que o amor de sua vida estava indo embora, pois, após assinar os papéis, Geraldo se veria definitivamente separado de Alba. Tudo estava concluído.

Alguns meses se passaram, Geraldo não conseguia mais viver com essa culpa, ele parou de trabalhar e entrou em uma depressão profunda, não saia mais da cama. Aos vinte e dois anos, sua vida havia acabado. Ele trocara um amor verdadeiro por um “romance de esquina”. Arrasado, ele passava dias e noites chorando inconformado. Agora, era só questão de tempo até o pior acontecer.

Amor Paradisíaco

Após algum tempo, não muito preciso (minutos, horas, dias), chegaram a um lindo lugar. Emílio ficara deslumbrado com o cenário, as flores e a sensação da brisa gostosa e correu com Carolina por campos verdejantes até avistarem uma pequena casa, a poucos metros de um rio, no qual percorria uma água cristalina, límpida. Ao adentrarem na casinha, ficaram deslumbrados com tanta beleza, mais parecia uma casa de bonecas, pela leveza de suas cores e o formato. Na parte de trás dela havia um pequeno jardim repleto de rosas, girassóis, violetas, azaleias e outras flores.

Quando Emílio e Carolina abriram a porta do quarto e avistaram a decoração, acharam estar sonhando. Possuía detalhes em ouro, cravejadas de pedras preciosas, como os aposentos de um rei. Não hesitaram um só momento em experimentar aquele colchão que se revelava macio como uma nuvem. Lembraram de como era a vida de amantes na terra, onde muitas peripécias fizeram, já que eram casados, mas viviam um saboroso romance de namorados, proibidos por seus pais em se relacionarem. A paixão que os envolvia era a mesma, forte e avassaladora.

Ali começava uma outra história de amor, daquelas vividas apenas pelos personagens dos livros retratadas nas telas dos cinemas. Emílio então, pegou Carolina pela cintura e começou a rodopiar com ela pelo quarto, pela sala e por toda a casa e Carolina, apaixonada e grande dançarina, acompanhava seu amor naquela dança sem música, experimentando os espaços fartos da casa. Dançaram e dançaram e, já suados e ofegantes, porém felizes, renderam-se ao convite daquela linda cama e deitaram-se para uma tarde de amor, sabendo que aquela não seria a única, mas a primeira de muitas que ainda vivenciariam. Eles sabiam que aquele ambiente acolhedor foi desejado e nele estava acontecendo uma nova oportunidade para viver um profundo amor que só foi concedido por conta do forte desejo de ambos. E assim, tiveram a certeza que estavam num paraíso criado por Deus.

Um novo amor

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Passou-se um mês desde que Fernando havia ido embora atrás do seu sonho de dar um futuro melhor para o suposto “amor de sua vida”. Tudo estava programado para dar certo, até o casal cometer um erro ao deixar a rotina distanciá-los.

Após não aguentar mais tanta solidão, ambos resolvem, sem comunicar um ao outro, que talvez devessem ceder um pouco e aceitar as propostas para saírem e se divertirem. Fernando resolveu ir em uma balada com seus amigos de faculdade e Fernanda foi ao cinema com algumas meninas que conhecia. Mas o que eles não esperavam é que os dois iriam conhecer pessoas novas que mudariam todo o rumo de suas vidas.

Fernando conheceu uma menina linda, de olhos e cabelos negros como a noite e, após perguntar muito sobre ela, descobriu que era recém-solteira e também a organizadora da festa, a tão famosa Teresa.

Fernanda não teve tanta “sorte”, demorou um pouco para se interessar por alguém, mas chegou o dia em que conheceu Lorenzo, um menino loiro e meigo que, assim como Fernando, resolveu sair de seu país para estudar, talvez seja essa semelhança que fez seu coração se sentir tão familiar com ele e querer sempre conhecê-lo mais e mais.

Depois de alguns meses, desses dois relacionamentos escondidos, Fernando não aguentava mais se sentir tão sujo por ter traído a confiança de Fernanda e resolveu contar tudo a ela, havia até que planejado não voltar mais para o Rio de Janeiro e se casar com Tereza. Então decidiu rescrever uma carta , relatando tudo.

O alívio de Fernanda foi muito grande ao terminar de ler a carta, pois nela estava escrito tudo que sentia. E muito feliz escreveu uma resposta explicando toda a situação e dizendo para ele fazer o que lhe deixasse mais feliz, pois, embora não fossem mais namorados, agora eram amigos e irmãos.

E os dois concluíram que, embora esse não fosse o final que eles esperavam, foi o melhor final que poderiam ter tido.

Feitos um para o outro?

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Em um certo dia, a mãe de um garoto chamado Eduardo o obriga a ir ao ateliê buscar uma encomenda, após resistir ele acaba indo.

Ao chegar lá, ele viu uma garota bonita, que parecia ser funcionária, então falou:

– Oi, então, eu vim buscar uma encomenda da minha mãe, a dona Carla.

A funcionária começou a procurar, mas se lembrou que algumas encomendas estavam guardadas em um outro cômodo e tinha que esperar a dona do ateliê chegar, pois só ela tinha a chave. Enquanto esperava, ele começou a conversa com ela, logo descobriu que se chamava Stela, a sua idade e outras coisas, e trocaram seus números de celular.

Depois de esperar muito, Stela recebeu uma ligação da dona do ateliê dizendo que ela não ia comparecer, pois estava passando muito mal. Stela disse para Eduardo passar no dia seguinte ao ateliê e quando ela acabasse com o expediente , eles iriam tomar um sorvete.

No dia seguinte, enquanto tomavam sorvete, conversavam muito, até que a Stela disse que não queria ser costureira, tinha outros sonhos, mas exercia o trabalho com muito amor, e até mostrou as roupas que criava, Eduardo achou tudo tão lindo e falou que ela tinha talento.

Uma semana depois, Eduardo trouxe um amigo dele, chamado Jonas, que amou as roupas que Stela criava, então disse que ela poderia apresentar as roupas no desfile dele. O desfile fez tanto sucesso, que Stela conseguiu vários trabalhos, e Eduardo sempre a acompanhava nos desfiles.

Passaram-se vários meses, Stela estava famosa e namorava Eduardo. Um dia Jonas surgiu com uma proposta de trabalho em Paris, Stela aceitou na hora, pois achava que Eduardo viria junto, porém ele não aceitou por causa da carreira de médico, que queria seguir. Eles tiveram uma discussão horrível, então ela enfurecida parte para Paris com Jonas. Eduardo, arrependido, tentou ligar várias vezes, mas não obteve êxito.

Após três anos, Eduardo ainda não conseguia esquecê la, recebe um conselho de um amigo, então vai a Paris para procurar por ela.

Em um certo dia, finalmente, Eduardo a encontra, perto de uma ponte, então feliz ele foi até Stela, mas, quando chegou perto da moça, Jonas apareceu junto com ela, o filho do casal.  Então, extremamente magoado, Eduardo se joga da ponte.

O Bilhete do Amor

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No final de semana eles se encontraram na praça para se conhecerem melhor, trocaram seus números e despediram-se com abraços. Na semana seguinte se encontram novamente eles começaram a se apaixonar mais e mais; até que em uma tarde ensolarada, os dois não conseguiam mais esconder os seus sentimentos, e deram seu primeiro beijo, muito esperado pelo casal.

Quando os dois tinham 17 (dezessete) anos, foram estudar no exterior, ele em Nona York e marina em Boston, mas sempre que podiam eles se encontravam, pois nenhuma distância pode acabar com o amor verdadeiro.

Terminaram a faculdade com 22 anos e Pitu pediu-a em casamento, um (1) ano depois eles casaram na praia (lugar sonhado pelos dois fazia tempo) a festa foi até o por do sol o casal passou a noite na praia para tirar fotografias ao nascer do sol.

A lua de mel foi em paris onde se divertiram muito, de lá foram para suas novas vidas.

Quando chegaram em casa tiveram uma grande surpresa Marina estava grávida. Com o passar dos nove meses, a filha deles nasceu a muito esperada Letícia.

Meses depois, eles andavam de carro, e houve um acidente, em que Marina ficou gravemente ferida e entrou em coma durante dois anos, ao sair do coma Marina não se lembra de nada de sua vida para tristeza de todos. Pitu faz de tudo para fazer sua esposa olhar sua família como olhava antes, em ver que todo o esforço seria em vão Pitu, fica muito triste e a única coisa que o faz seguir a diante é o amor pela sua filha e sua esposa.

Como sempre, muito insistente, continua tentando de tudo para reconquistar Marina, a leva na praça onde ocorreu o primeiro beijo. Aos poucos Marina vai se lembrando de sua história, de seu marido, de sua filha.

Dois (2) anos depois Marina estava completamente curada com sua memória toda restaurada e Pitu estava com as suas amadas.

Pitu e Marina tiveram mais duas meninas e viveram o resto de suas vidas muito felizes.

Amor de Verão

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Acordei com o meu despertador tocando. Mesmo no período de férias, mamãe insistia em me acordar cedo. Levantei-me rapidamente e fui me arrumar. Escovei os dentes e tomei um banho, eu ainda estava sonolenta. Após colocar uma roupa qualquer, eu desço para tomar café.
– Bom dia, querida! – Papai diz assim que me vê, mas logo volta sua atenção para seu jornal.
– Bom dia!– Digo e sento. Coloco um pedaço de bolo de laranja em meu prato e começo a comer, eu estava faminta!
– Helena! – Mamãe me repreende ao ver o quão rápido eu comia. – Isso não são modos de uma moça. – Ela diz e se senta também.
– Ah, querida, não seja tão rígida com nossa filha. – Papai me defende.
– Miguel, limites são necessários! – Explicou e logo voltou a falar. – Aliás, arrume suas malas. Seu táxi chega daqui a duas horas. – Ordenou.
– Táxi? Que táxi? – Pergunto confusamente.
– Te inscrevi em um acampamento de férias. Não é nada saudável ficar em casa durante as férias de verão! – Ela diz olhando para mim.
Após dar um murro na mesa, levanto-me e subo para o meu quarto.
Eu não acredito que ela fez isso! Imagina só, que patético! Não deve ser nada divertido passar as férias em um acampamento. Porém, como meu relacionamento com mamãe não estava nada bom, tratei de fazer rapidamente as minhas malas.
Depois de tudo pronto, eu já estava dentro do táxi.
– Adeus, querida! Se divirta! – Papai disse acenando para mim.
Eu aceno de volta e sorrio para meus pais, que faziam o mesmo, então o motorista logo deu partida com o carro.
Algum tempo depois, eu já havia chegado ao local.
– Senhorita, essa é sua última mala. – O motorista entrega e logo vai embora.
Olho ao redor por alguns segundos, até que não era tão ruim.
Várias pessoas passeavam pelo local: algumas estavam sentadas na grama verdinha, cantando e tocando, enquanto outras jogavam futebol e outras coisas.
– Oi! – Uma menina de cabelos loiros se aproxima e pega duas de minhas malas. – Me chamo Laura, primeira vez aqui?
– Sim… – Digo e sorrio de uma forma tímida. – Me chamo Helena.
– Vamos, vou te mostrar seu quarto… – Ela diz e me puxa.
Ao chegar à área dos dormitórios, Laura me leva ao quarto, e por sorte, iríamos dividi-lo. Ela me apresentou minha cama e me deu um tempinho para tomar um banho. Assim que saio do banheiro, eu a vejo toda arrumada.
– Vamos? – Ela pergunta e eu franzo o cenho.
– Pra onde?
– Para a festa de primeiro dia. – Ela responde. – Todo primeiro dia aqui no acampamento nós fazemos tipo uma reunião para conhecer os novatos. Já deve estar começando.
– Tudo bem. – Digo e apenas a sigo.
Assim que chegamos, ela se senta à roda e eu faço o mesmo. Estávamos perto do lago, tudo estava perfeitamente iluminado e decorado.
– Bem vindos ao Summer Camp! – Um homem dizia no centro da roda. – Meu nome é Bruno e como alguns de vocês sabem, sou o instrutor. Antes de começarmos a festa, iremos todos nos apresentar. – Ele explicava enquanto todos ouviam atentamente. – Você, venha aqui e se apresente. – Apontou para mim, todos me olhavam. Levanto e vou até lá.
– Meu nome é Helena, tenho 16 anos e moro no Rio de Janeiro com meus pais. Gosto de cantar e de dormir. – Disse e todos riram, logo sento-me de volta à roda.
– Muito bem! Caleb, por que não vem até aqui e nos conta sobre você? – Bruno direciona sua pergunta para um menino que estava sentado bem longe de mim.
– Vou ter que fazer isso todo ano, cara? – O garoto pergunta rindo. – Bom, me chamo Caleb, tenho 17 anos e também moro no Rio com meus pais. – Explicou olhando diretamente para mim. A luz refletia em seu rosto, então pude notar o quanto seus olhos verdes eram bonitos. Na verdade, ele era muito atraente. – Toco guitarra e gosto de garotas. – Ele terminou e foi se sentar.
– Obrigada pelo mesmo discurso de sempre, Caleb. – O instrutor disse e todos riram.
Durante a apresentação de todos os jovens do acampamento, ele mantinha seu olhar direcionado ao meu. De vez em quando eu desviava a atenção de seus olhos, mas quando olhava novamente, percebia que ele continuava me encarando. Às vezes ele sorria discretamente, o que me deixava um pouco sem graça, e ele parecia gostar disso.
– Vem, Helena, vamos nos divertir! – Laura me puxou para outro canto assim que a reunião havia acabado. Fomos para diversos lugares: andamos de barco pelo lago, jogamos vôlei, cantamos no karaokê e comemos bastante.
Andávamos pelo acampamento enquanto conversávamos, o vento estava realmente agradável. De repente, o mesmo menino que me encarava na reunião se aproxima.
– E aí, Laura? – Ele a cumprimenta e logo depois olha para mim. – Sua amiga fala?
– Fala sim. – Laura ri e nos apresenta. – Caleb, essa é Helena. Helena, esse é Caleb.
– Oi. – Digo baixo e sorrio timidamente.
– Acho que já nos conhecemos não acha? – Ele pergunta com um sorriso no rosto.
– Você a conhece? – Laura questiona.
– Claro, ela não parava de olhar para mim na reunião. – Ele diz sarcasticamente e eu sorrio sem graça. – Enfim, eu tenho que ir, até amanhã, meninas. – Ele coloca seu skate no chão e sai.
– Você tá caidinha por ele, não é? – Ela pergunta rindo, eu apenas reviro os olhos.
– Claro que não, meninos são todos bobões! – Disse e rimos juntas, então fomos para o dormitório.
Depois de alguns dias, eu já estava bastante enturmada com o acampamento e os outros.
“Papai e mamãe, os dias estão sendo bastante divertidos por aqui. Conheci muitas pessoas e fiz amizade com todas elas. Logo estarei de volta, me esperem! Carinhosamente, Helena.”
Terminei de escrever o email para meus pais e logo fui ao refeitório tomar o café da manhã. Assim que me sentei, Caleb veio falar comigo.
– Está de mau humor ou eu posso me aproximar? – Ele pergunta brincando, eu apenas dou uma risada, então ele me dá um beijo na bochecha e se senta. – Espero que não tenha esquecido de que temos que cuidar dos pirralhos hoje.
– Não esqueci, inclusive eu ia sair daqui direto pra lá. – Digo rindo. Depois de comer, fui para o dormitório me arrumar.
Durante esse tempo aqui no acampamento, eu e Caleb havíamos nos aproximado, eu o considerava como meu melhor amigo, sem contar sobre minha paixonite secreta por ele, mas isso não vem ao caso.
– Helena! – As crianças vêm correndo até mim e me abraçam.
Era tarefa minha e de Caleb darmos aula para eles, então todo sábado nós os levávamos para a sala de música e os ensinávamos tudo o que sabíamos.
– Então você coloca seus dedos nessa corda e… – Antes que eu pudesse terminar de ensinar à Lucas como fazer um acorde no violão, os risos histéricos de Caleb e os outros meninos me interromperam. Ele não parava de brincadeira desde o início da aula. Levanto-me e ando pisando forte até ele, cruzo meus braços e o encaro seriamente.
– Ah, oi, Lena… – Ele diz e sorri. – O que foi?
– Não adianta me chamar pelo apelido fofo, será que tem como você parar de brincar e estudar com eles? – Peço, eu estava brava de verdade.
– Ah, qual é? Eles não querem estudar. Vamos brincar! – Ele diz e as crianças riem.
– Você consegue ser mais infantil do que eles! – Grito com as mãos na cintura enquanto eles assistiam atentamente a nossa discussão. – Nossa tarefa é ensiná-los um pouco de música, então vê se você para de… – Sou impedida de falar ao ter chantilly de cupcake na minha boca. – Você é um idiota, Caleb! – Resmungo e pego outro cupcake que havíamos comprado para eles em cima da mesa, esfrego o bolinho em todo o seu rosto, fazendo as crianças gargalharem.
– Não devia ter feito isso, Lena! – Ele diz rindo. – GUERRA DE BOLINHO! – Ele exclamou, então, imediatamente todos nós começamos a tacar cupcakes uns nos outros.
Devido a gritaria e a baderna, o instrutor nos encontrou, e claro, estávamos encrencados!
– Não me interessa quem começou, vocês já são grandinhos o suficiente para fazerem isso! – Bruno brigava com a gente pela milésima vez. – Agora, saiam daqui e vão limpar a sala de música. – Ele ordenou e nós saímos.
– Você é um otário! – Digo rindo enquanto nos sentávamos à beira do lago.
– Ah, qual é? Foi divertido. – Ele disse e então rimos juntos. – A gente está cheio de cobertura de bolinho no rosto.
– Não só no rosto né… – Acrescento e ele assente.
– Deixe-me limpar isso aqui… – Ele se aproxima de meu rosto e passa seus dedos em minha bochecha, tentando limpar o chantilly que estava ali. Encaramos-nos por alguns segundos, era difícil não se hipnotizar com aquele par de olhos verdes.
Do nada, ele se aproxima de meu rosto, nossas respirações se misturavam. Ele sela nossos lábios, eu apenas fecho os olhos e deixo que ele me beije. Não dava pra explicar a sensação de ter seus lábios juntos dos meus, era como se uma onda de energia percorresse por todo meu corpo. Assim que nos afastamos, ele me olha sorrindo, eu faço o mesmo.
– Eu amo você, Lena. – Ele diz e me abraça.
– Também amo você, Caleb. – Sussurro, então nós voltamos nossas atenções para o céu estrelado acima de nós.
Depois de uns cinco dias, era a hora de dizer adeus para tudo aquilo.
Terminei de colocar a última peça de roupa na mala e o quarto finalmente estava vazio. Faz exatamente um mês desde que eu vim obrigada para cá. Não achei que eu conheceria tanta gente e me divertiria tanto assim.
– Promete que vai me mandar mensagem? – Laura perguntou tristonha após me abraçar.
– Claro, bobinha… – Disse rindo, então lhe entreguei a sua última mala, ela entrou no carro e o táxi deu partida. Assim que me viro, dou de cara com Caleb. – Oi… – Disse baixo.
– Oi. – Ele sorri timidamente. – Um último abraço? – Ele pediu, não havia como eu negar, então coloco meus braços em volta de seu tronco e ele me aperta. Eu sentiria falta daquele abraço, um abraço que me passava segurança e que me fazia muito bem. – Até mais… – Caleb estende sua mão, eu a aperto, então vejo que ele me dava um papel. Ele entra no carro e pisca, então vai embora.
– “Mande lembranças, Lena.” – Leio o que estava escrito, junto de seu número de telefone. – Adeus… – Sussurro ao vê-lo acenando para mim.
Após chegar em casa e receber muitos abraços de minha mãe, eu estava deitada em minha cama, completamente entediada. Coloco a mão no bolso e tiro o papel com o número de Caleb.
“E aí, sumido!” – Mando um SMS para ele com meu celular.
“Olha só, não consegue ficar sem falar comigo!” – Ele logo responde minha mensagem. – “Aliás, o que você acha de conhecer os meus pais?”
“Tá louco? E se não gostarem de mim?”
“Isso é impossível, Lena. Pensa na minha proposta. Tenho que ir agora, te vejo depois.”
Suspirei apenas ao pensar na ideia de conhecer os pais dele, tudo estava acontecendo rápido demais para mim.
No dia do “encontro” eu estava pirando!
– Helena, você já está pronta? – Mamãe entra no quarto e dá risada ao me ver arrumando o cabelo desesperadamente. – Já está bom filha, você está linda! – Pego minha bolsa e desço. Ela me deixa na esquina da casa de Caleb, então vou andando até lá.
Ao chegar, avisto uma ambulância parada na calçada de sua casa, resolvo tocar a campainha. Uma senhora abre a porta, suponho que fosse a mãe dele, ela não parava de chorar e seus olhos estavam inchados e vermelhos. Ela me abraça enquanto desaba mais ainda em meus braços.
– Onde ele está? – Pergunto com a voz trêmula, então ela me leva ao seu quarto. Deixo uma lágrima cair ao vê-lo na cama, imóvel e sem respirar.
– Eu sinto muito, querida… – Ela toca meu ombro, eu me aproximo da cama enquanto chorava incansavelmente. A mãe de Caleb me entrega um papel, uma espécie de carta. Eu a abro e começo a ler:
“Antes de qualquer coisa, eu gostaria de começar pedindo desculpas. Desculpas por não ter tido coragem de te contar a verdade desde o início. E a verdade, Lena, não é nada legal. Ela é dolorosa, mas não nos ilude. Eu deveria ter te contado desde o início, mas suponho agora que você descobriu tudo. Eu tenho câncer desde os meus 6 anos de idade. Todos os anos eu ia ao Summer Camp, meus pais me obrigavam, diziam que era uma maneira de esquecer minha situação, mas nenhum ano foi tão bom como esse. Apaixonei-me por você desde o primeiro contato visual, e eu sei que é piegas dizer uma coisa dessas, mas foi amor a primeira vista. Desde aquele dia eu não paro de pensar em você e nos seus olhos, na sua voz e o jeito tímido em que falava comigo.
Eu sinto muito por te fazer passar por isso, eu sou uma “granada” e deveria ter te contado que poderia explodir a qualquer momento, mas não o fiz. Não fiz porque eu te amo demais para te ter longe de mim, já perdi muitas pessoas por causa do câncer, e eu não podia arriscar perder a melhor coisa que me aconteceu na vida. O meu último mês de vida foi o melhor que já vivi, e isso tudo graças a você. Todos os verões em que passei no acampamento não chegaram nem perto desse.
Eu gostaria de ter tido a oportunidade de me despedir, mas fui covarde demais para encarar a realidade e te contar a verdade. Só peço que não se esqueça de mim, e que mantenha guardado na sua memória tudo o que passamos juntos, todas as risadas que dávamos e todas as confusões que nos metemos.
Durante todos esses 17 anos de idade eu nunca tive certeza de nada, mas agora tenho certeza de que amo você.”
Depois de um ano de sua morte, eu estava de volta ao acampamento.
Encaro o lago à minha frente enquanto mantinha o semblante sério e pensativo. Esse lugar não tem a mesma mágica do ano passado, é estranho ter que lidar com a ideia de que ele não está mais aqui ao meu lado, me fazendo dar risada e me irritando. Sinto falta de sua voz, de seu jeito e de seus olhos, é incrível como as coisas mudam do nada. Eu nunca poderia imaginar que eu conheceria meu primeiro amor aqui no acampamento.
Eu não concordei com a ideia de voltar depois do que aconteceu, mas talvez eu precisasse disso. Talvez eu precisasse tentar reviver o que aconteceu no ano passado. Se eu soubesse que o abraço que demos aquele dia seria o último, eu nunca o deixaria ir.
Dizem que o tempo é o maior remédio, mas a dor que sinto em meu peito parece ser incurável, e que vai durar a vida toda. Não tive a chance de lhe dar um “adeus” quando ele deu seu último suspiro, me resta agora tudo o que passamos juntos e também a sua imagem em meus sonhos.
– Eu amo você, Caleb. – Sussurro chorando baixinho e olho para o céu estrelado assim como no ano passado, mas,  dessa vez, sozinha.

 

 

O jogo da vida

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Em uma casa viviam duas pessoas, Beto, um viciado em games e seu pai, Antônio, que adorava ler jornal e beber café.

Beto passava suas noites em branco, pois amava seus jogos e era completamente viciado. Seu objetivo maior era zerar o máximo de games possíveis. Em consequência a isto, ele ia muito mal em seu colégio.

Beto Ribeiro estava no terceiro trimestre, no caso o último, e suas notas eram consideravelmente ruins e não percebia o quão grave isto era apesar de seu pai “encher seu saco” falando que era para ele estudar para que não repetisse, caso isto acontecesse ele ficaria por muito tempo sem seus games.

De manhã, bem cedo, por volta das cinco da manhã, toca o despertador altamente irritante que faz Beto acordar de mal humor, pois não dormiu quase nada já que estava em uma das suas jogatinas até de madrugada, ele sai de sua cama e vai direto a mesa para tomar café com seu pai e como sempre Antônio, já lá estava lendo um jornal e tomando seu café.

Os dois, cansados da mesma rotina de sempre descem para o térreo do apartamento, em um momento de reflexão Antônio pede a Deus que proteja o Beto e o ajude nos estudos, em seguida o pergunta se ele gostaria de uma carona, mas seu filho não gostava muito da ideia, ser visto com seu pai não causaria uma boa “impressão”, por isto recusava.

Ao chegar ao colégio, a turma de Beto recebe uma notícia sobre a vinda de três novos alunos e uma das integrantes era uma garota chamada Lilian, uma encantadora menina e com um QI altamente incrível. Ribeiro não ligou para os novos alunos que viriam nos próximos dias, pois acha que isto não iria influenciar em sua vida, porém, ele estava completamente enganado.

Uma comemoração foi planejada para as boas vindas dos novos alunos cujos nomes eram: Caio, Eric e a encantadora Lilian. Assim que Beto, o aluno desinteressado na vida e de tudo que ela pode oferecer de melhor, viu aquela linda garota, ele instantaneamente se interessou, apaixonou-se, pela formosa e quase formada mulher.

Lilian é uma garota muito inteligente, que se cuida e tem uma vida quase que formada. Loira, olhos castanhos claros, branca e muito bonita, ao contrário de Beto, um garoto totalmente desinteressado nos estudos, não era alto e nem tinha um desses corpos almejados pelos jovens, era apenas um menino que nunca tinha visto o mundo de uma forma diferente e não havia motivos para batalhar. Era uma pessoa que nunca parou para refletir sobre a vida e nem nada do tipo, tinha um cabelo negro escorrido, meio baixinho e fora de forma, mas no fundo só queria ter muitos amigos, amar e ser feliz.

Cerca de duas semanas depois, Caio foi até Beto para pedir informações e ajuda, todas as perguntas foram respondidas com facilidade, exceto “Será que você pode me passar a matéria do ano? ”, mas não havia nada em seu caderno além de desenhos e algumas histórias de jogos, então Beto respondeu “É o seguinte… aconteceu um incidente com meu caderno e eu to sem a matéria também, te recomendo a pedir a algum outro aluno, pois eu farei o mesmo”.  Eles continuam a conversa por um tempo até que Caio pergunta seu nome e se apresenta ao mesmo tempo: “Qual seu nome? O meu é Caio Filipe e tenho 17 anos”, meio tímido e sem jeito, responde Beto “O meu é Beto e tenho a mesma idade que você”. Despediram-se e foram fazer seus afazeres.

No mesmo dia da vinda dos alunos novos, foi tocado o sinal de saída. Beto se despedira do amigo e foi para o ponto de ônibus, mas no caminho uma garota pede por ajuda e ele vai verificar. Percebe que ela havia caído e se machucado levemente, no entanto para a surpresa dele era a encantadora Lilian. Após ser ajudada , diz “Obrigada, você foi muito legal por ter me ajudado mesmo sem me conhecer. Muito prazer, eu me chamo Lilian”. E com muita vergonha diz Beto “Isto não foi nada, só fiz o que gostaria que fizessem por mim”. Abrindo um grande sorriso, “Você vai para onde? ” Interroga Beto “Estou indo para o ponto, pegar o 721” .“Sério?! Eu também posso ir junto com você? ” “ Sim, claro que pode! ” – Exclama ela. Para a grande surpresa de Beto, ela mora apenas uns dois quarteirões de sua casa, então eles combinaram de se encontrar no ponto de ônibus no dia seguinte para juntos irem ao colégio.

Em casa, seu Antônio trouxe novidade do seu trabalho “Serei promovido Beto! Isto será uma grande oportunidade para que eu suba na empresa, meu filho, e talvez até virar um dos proprietários” – disse pai de Beto. “Tá falando sério, velho? Que da hora, bom que você está conseguindo crescer na empresa” .“Sim, sim, está foi uma gloriosa e honesta conquista”. No dia seguinte, Beto foi para o ponto de ônibus para esperar Lilian e logo em seguida ela veio. Ao chegar ao colégio, Lilian viu que Beto não tinha tanto interesse pelas matérias, porém ela começou a dar forças e ajudá-lo.

Depois de muito tempo de dedicação dos dois, estava próximo o momento decisivo, as provas. Beto havia estudado muito junto com Lilian, também fizeram novos amigos e conheceram novos lugares. Após as provas, todos os professores se surpreenderam com o grandioso desempenho de Beto que, por incrível que pareça, foi a maior nota da turma. Claro seguido de Lilian.

Depois de todo o sufoco das provas e de todos os desafios que eles passaram juntos, é a chegada das grandiosas férias em que Lilian e Beto se encontraram e saíram várias vezes juntos.

Então um dia Beto decidiu levá-la em uma montanha longe da cidade e lá eles ficaram o dia todo. Chegando a hora do pôr do sol e eles começaram a conversar e ficar cada vez mais próximos um do outro e quando finalmente o sol se encontrou com o horizonte, Beto a beijou.

Uma nova alvorada

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Após Stela ter seu pedido rejeitado, ela diz que é melhor cada um ir para seu lado, então ela parte em direção à sua casa. Desolada, resolve entrar em suas redes sociais para esfriar a cabeça, ao abri-las, vê uma solicitação de amizade de um colega de sua amiga. Curiosa, ela entra em seu perfil e vê que ele é um jogador de futebol amador, do “Misererenóbis”, time de uma cidade próxima, então, decide aceitá-lo.

Ao passar o feed de notícias, ela vê muitas publicações de seu ex-namorado, Stela decide apagá-las para esquecê-lo de vez. Com o feed mais vazio, ela consegue navegar mais rapidamente, assim, vê que uma amiga está marcando presença em um show.

*Beep*

Uma mensagem de alguém chamado “Bilau”, ela se assusta, porém descobre que era o nome do jogador de futebol através da imagem. De cara, começam uma conversa como se já fossem velhos amigos. A cada dia que se passa, ficam mais íntimos, porém se afastam ao mesmo tempo, pois a equipe de futebol tinha medo que ele se afastasse do esporte, Stela, pensando em aumentar a afetividade entre os dois, marca um encontro em uma cafeteria, sendo assim, ele aceita.

Lugar e horário marcados, mas cadê ele? Depois de muito tempo esperando, ele a manda uma mensagem dizendo que haveria treino. Ela volta para casa, um pouco triste. Ao chegar, liga seu MP3 e coloca sua música favorita, “Será?“, da Legião Urbana, então, lembra que Bilau gostava muito desta música, então resolve abrir seu Facebook e ver as notícias, como se tudo estivesse ocorrendo novamente. Até que, inesperadamente, ela descobre que o show era na verdade da Legião Urbana. Passam-se poucos dias, e ela já tem os ingressos nas mãos, escolhe sua melhor roupa e sai.

Chegando ao show, ela olha através da multidão e vê sua amiga, elas começam a conversar, até que, do nada, Bilau aparece e interrompe a conversa. Ele pede desculpas por não falar com ela e explica que sua equipe estava impedindo-o, então, os dois assumem um namoro, Stela lhe dá um beijo, sendo esse o primeiro de muitos outros ainda por vir.

O Bilhete de Amor

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Pitu mostrou o bilhete de Marina apenas para seu melhor amigo, Benjamim, que sentou na cadeira de trás. A aula acabou e estava na hora de se encontrar com a menina.

No caminho para a praça, Pitu sonhava acordado, lia e relia o bilhete, suspirava. Ao se aproximar do local do encontro, o nervosismo começou a tomar conta de todo o seu corpo. Suas pernas tremiam, suas mãos suavam e tudo o que tinha em mente apagava-se.

Minutos se tornavam horas, o coração batia mais rápido. Até que Pitu viu Marina se aproximando. Estava mais linda do que nunca: sua pele morena, seus cachos longos e negros e seus olhos cor de mel faziam Pitu suspirar. Porém aqueles olhos estavam estranhos, seu olhar estava confuso. Pitu arrumou o cabelo, endireitou a postura e dirigiu-se à menina. Antes que o garoto pudesse falar, Marina perguntou:

– Pitu, você veio com o Benjamim? Cadê ele?

– Marina, por que eu traria o Ben comigo?

Neste momento o semblante de Marina se alterou: o bilhete não era para Pitu, e sim para Benjamim, seu melhor amigo. A menina havia entregado sua declaração para o menino errado. Então Pitu, apaixonado, se declarou. Marina estava paralisada, a preocupação saltava de seus olhos. A situação era muito delicada, o melhor jeito era esclarecer toda a verdade:

– Pitu… o bilhete não era para você, eu o coloquei em baixo de sua mesa por engano.

Marina abraçou Pitu e foi embora. O menino estava com seus lindos olhos verdes inundados por lágrimas. Jogou futebol na praça com alguns amigos e depois foi para casa.

Admirável é a inocência da infância… A segunda-feira chegou e tudo o que acontecera no fim de semana parecia estar em um passado distante. Pitu cumprimentou todos os seus amigos, sentou em sua carteira e ficou à espera do início da aula.

O garoto colocou seu estojo em cima da mesa e seu caderno embaixo, e foi neste momento que percebeu que havia, novamente, um bilhete rosa com corações desenhados em toda parte. Por um instante, alegrou-se, porém se lembrou do que houvera dois dias atrás. Mas a curiosidade era maior que o medo.

Encorajou-se e abriu o envelope…

de: Maitê

para: Pitu

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O Reencontro

 

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Chegou o grande dia, já havia se passado uma semana desde o bilhetinho e o simples encontro na praça que, ousamos dizer, mudou a vida dos dois.

Aquele namorico estava indo muito bem, amor de criança, primeiro amor. Ficavam juntos no intervalo, algumas vezes suas mãos se encontravam logo após seus olhos, uma conexão sem palavras. Na sala de aula, por mais que Pitu tentasse se controlar, perdia a conta de quantas vezes seus olhares se encontravam, a beleza de Marina o encantava, antes a achava bonitinha, mas agora ela era a mais linda do universo, o amor transforma mesmo.

Marcaram um piquenique para celebrar uma semana de namoro. As coisas iam ficar melhores, se não fosse a conversa de Pitu com seus pais na noite anterior, aquela conversa acabara com ele e com todos os seus sonhos ao lado da amada, suas esperanças de ter algo duradouro com alguém com as mesmas ideias. Ele se mudaria, em duas semanas, para outro estado, outra escola e ficaria sem a sua felicidade, sem a sua Marina. “Por que isso agora? Logo quando estava dando tudo certo, eu até estava perdendo a minha timidez, ela me faz tão bem, vocês não se importam comigo? Eu não quero ir!”, disse Pitu, tentando convencer os pais de desistirem da mudança.

Chegando ao encontro, se deparou com Marina toda animada, eufórica, enquanto ele estava lá todo triste, cabisbaixo. Marina perguntava o que tinha acontecido enquanto arrumava as coisas para o piquenique. Quando entendeu do que se tratava, ficou em choque e começou a chorar, os dois se abraçaram forte, como se fosse o último abraço, e disseram no mesmo instante o mais sincero e puro “Eu te amo”.

As duas semanas passaram voando; parece que, quanto mais queremos que o tempo dure, mais rápido ele passa. Quando Pitu deu por si, estava colocando as malas no carro rumo ao Rio Grande do Sul; lembrou-se da promessa que eles haviam feito, de se ver todo ano e esperarem até poder voltar a namorar. Deram o último e mais apertado abraço, Pitu entrou no carro com lágrimas nos olhos e olhando para trás, até a figura da Marina sumir. Ele repetia na sua mente: “Nunca te esquecerei e nunca quebrarei a nossa promessa, nunca!!”.

As horas passaram mais lentas que tartaruga. Quando chegaram, acharam tudo perfeito, a casa era bem mais bonita, a escola era maior e melhor, os pais estavam ganhando mais, só faltava um detalhe: Marina não estava ali.

Passaram-se meses, um ano, e durante todo esse tempo ele não pôde vê-la; sentia sua falta, mas não tanto quanto antes, já se acostumara com a saudade e com a ideia de que jamais voltaria.

E assim foram 2,3,4,5,6,7,8,9,10 anos sem Marina e ainda pensava nela. Estava prestes a começar a faculdade, havia conhecido muitas meninas, mas nunca esqueceu o primeiro amor. No caminho da faculdade pensava em como ela estaria e se esse amor era recíproco. A faculdade não era dentro do país, era a faculdade dos sonhos de Marina também, pois os dois queriam cursar medicina.

Chegando na sua sala, foi ver os nomes dos alunos e ficou em choque, pálido, quando viu um nome que conhecia bem. Esfregou os olhos, pensando ter sido apenas ilusão, mas não era! Ela realmente estava na mesma sala que ele! A coisa mais impossível do mundo estava acontecendo! Sentiu uma cutucada em seu ombro e quase desmaiou quando se virou, lá estava ela, mais alta, bem mais atraente, mas com o mesmo sorriso de 10 anos atrás. Deram um abraço bem apertado e marcaram de sair para colocar a conversa em dia.

Agora lá estavam eles, em uma praça bem conhecida, tomando um sorvete e falando de tudo o que aconteceu em suas vidas. A noite caiu, foram jantar em um restaurante e acabaram no apartamento dele.

Tudo estava ótimo, botaram uma música lenta e começaram a dançar no meio da sala, como nos velhos tempos, seus corpos juntos, o rosto foi se aproximando até que Pitu a beijou.

Acordaram um ao lado do outro e Marina, chorando, disse que aquilo não podia ter acontecido; se arrumou às pressas e saiu.

Ele a encontrou na faculdade, acompanhado de um cara, seu namorado e então perguntou “O que será de nós dois?”, e ela respondeu “apenas uma linda lembrança”. Nesse momento ele viu o anel de noivado em seu dedo e a lágrima caiu. Ela entrou na aula e não se viram mais.

Quando estava em seu armário, esbarrou em uma menina e logo se desculpou. Para sua surpresa, era brasileira e disse “Oi, meu nome é Marina, e o seu?”.

 

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Sonho de uma tarde de inverno

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Sempre fui muito impulsiva. Isso me custou muito, mas talvez tenha me proporcionado a melhor parte de toda uma vida.

Tudo começou em uma tarde de inverno, quando vi um homem que aparentava ter cerca de vinte e cinco anos sendo linchado por um grupo de moradores atenienses. Pude perceber que o jovem trajava típicas roupas espartanas. Entendi então o motivo de tal violência: Esparta e Atenas estavam em guerra e aqueles moradores achavam que se tratava de um espião. Espartano ou não, se tratava de uma vida, não podia deixar que aquilo continuasse.

– Saiam de perto do meu irmão! – gritei com toda a força que pude, forçando algumas lágrimas para trazer mais vivacidade a minha atuação repentina – Meu pobre irmão voltava de Esparta para se juntar a nós na guerra e vocês o recebem desta maneira? Por acaso têm alguma prova de que ele é um espião? – o silêncio constrangedor entre eles me foi bastante satisfatório – Pois peçam-lhe desculpas e voltem para suas casas!

Depois da confusão, levei o rapaz até minha casa para cuidar-lhe e saber mais sobre sua história. Disse-me que se chamava Netuno e viera a Atenas em busca de estudo mais avançado. Jurou que não me faria mal algum e pediu ajuda e abrigo, estava completamente perdido na nova cidade. Permiti, contanto que também trabalhasse para suprir a casa.

Com o passar dos meses, tornamo-nos de amigos a namorados, e depois noivos. Foi então que me contou toda a verdade: era de fato um espião. Entretanto, sua honra não o permitia que fizesse qualquer coisa que me prejudicasse. Agora apaixonado, estava disposto a lutar contra qualquer espartano que ousasse nos afastar. Eu podia ver sinceridade em seus olhos, mas era doloroso demais saber que tudo era mentira. Fugi para a floresta, ignorando suas súplicas.

– O que faz aqui, humana? Será que já não basta destruírem nosso lar para dar continuidade a essa guerra inútil? Vocês não são os únicos moradores dessa terra! – gritou com voz potente a pequena fada. Dirigi a ela um olhar profundo e a mesma, comovida, perguntou-me: – Por que está chorando?

Contei toda a minha história, e que não sabia que destruíam a floresta por causa dessa disputa sem fim. Solidária, Titânia, rainha das fadas, se mostrou disposta a uma amizade inusitada, disse que conhecia a verdade por trás das palavras humanas, e eu era uma das poucas que a carregava em tudo o que dizia. Foi somente por isso que não me abandonou quando viu chegar Netuno d’entre as folhas, surpreso ao contemplar o ser mágico.  Pelo contrário, se aliou ao meu noivo em suas incessantes desculpas.

– Só o perdoo por causa de Titânia. – disse um tanto relutante, até que ele me abraçasse e prometesse não mais mentir.

Resolvidos os problemas entre nós dois, fizemo-lo ciente da atrocidade ainda maior que as cidades estavam provocando, pois, além de soldados, muitos animais e criaturas encantadas estavam sendo mortos.

– Conheci um duende certa vez, se chamava Oberon. Há a possibilidade de acabar com a guerra se juntarmos todos esses que estão em perigo nas florestas para lutar? – perguntou Netuno, esperançoso.

– Não trabalho com duendes. – Titânia logo o cortou – Não tem a mínima seriedade.

Houve um longo período de negociação entre nós e Oberon, que havia sido encontrado por meu noivo dois dias depois da conversa com a rainha fada, resultando em uma trégua “em nome do bem maior”, argumentei. Casei-me o mais depressa possível, em segredo, já que parte da cidade achava que Netuno era meu irmão. Depois de incontáveis reuniões bolando estratégias e buscando atrasar a produção de armas e carros de guerra, tínhamos um plano concreto, esperando para ser posto em prática. O que queríamos? Executar um feitiço que iludiria ambas as cidades, fazendo-as pensar que haviam vencido, esquecendo-se dos combates e voltando a suas velhas rotinas.

O grande problema era que demandava energia demais, por isso nem as fadas nem os duendes haviam tentado tal coisa, era possível somente por estarmos aliados. Nosso plano se concretizaria logo, se não fosse um detalhe: eu estava grávida. Netuno não permitiria que eu me esgotasse tanto e pudesse trazer problemas ao bebê. Estava muito enganado ao achar que eu aceitaria isso tão facilmente… O tempo correu muito depressa, completado meu oitavo mês de gravidez, tudo estava pronto para acabar de vez com a guerra.

Certo dia, ao adentrar a floresta, deparei-me com uma cena tão inusitada quanto bela: Titânia e Oberon, antes inimigos, se encaravam, o duende acariciava seu rosto enquanto ela sorria. Há algum tempo eu percebia que a rivalidade se tornava, aos pouquinhos, amor, mas não conseguia deixar de me espantar ao vê-los em tamanha demonstração de carinho. Titânia era destemida, defendia seus amigos com a própria vida, ajudava, era uma verdadeira rainha. Oberon, também rei, governava com cautela, aconselhava a todos, tinha uma personalidade mais tranquila, sempre buscando alegrar e encorajar as pessoas a sua volta.  Tão diferentes e tão compatíveis.

Uma última reunião antecedia a realização do feitiço, foi só então que descobrimos que era necessário entrar no combate para todos das tropas serem encantados. Supliquei a Netuno que não fosse, era arriscado demais, não podia perder meu marido tão amado, mas ele não desistiria, era orgulhoso demais para isso. O que me restava era aproveitar o tempo que tínhamos.

Chegado o dia do confronto, próximos ao campo de batalha, escondidos, esperamos. Os soldados posicionados nas fileiras avançavam, era a hora de agir. Netuno me abraçou forte enquanto eu chorava, e deu-me um beijo longo, tão cheio de amor que por um instante achei que nunca nos separaríamos. Ele foi até o centro do local e depositou uma planta com uma pequena fagulha de fogo, que cresceu até uma fumaça esverdeada, contendo os poderes de todas as fadas e duendes, ervas e tudo mais que conheciam, tomar o ar. A fumaça aturdiu os soldados e os fez largar as armas e pôr a cabeça entre as mãos, fechando os olhos e tossindo com força por alguns minutos. Depois do torpor, ainda um tanto confusos, deram meia volta e rumaram a suas cidades, acreditando que haviam vencido. A guerra estava terminada. A floresta e seus moradores estavam salvos. Estes, exaustos após tantos esforços, suspiraram aliviados.

Meu marido caminhava até nosso esconderijo, meu sorriso se desfez quando o vi desmoronar a dois metros de mim. ”Como eu não percebi a flecha em suas costas?”, me perguntava enquanto as lágrimas desciam pelo meu rosto. Comecei a sentir cólicas fortíssimas, ouvia Titânia gritar desesperada que me ajudassem, pois eu estava entrando em trabalho de parto. Duendes e fadas amparavam-nos com uma velocidade absurda, eu e meu marido fomos postos deitados um ao lado do outro, ele segurava minha mão e dizia que tudo daria certo, implorei que não falasse mais, estava perdendo muito sangue, não podia se esforçar. A dor me tomara, gritei até minha garganta doer, e finalmente pude ver o pequeno prematuro, era lindo. Todos choramos emocionados.

Netuno e eu seguramos nosso filho nos braços, era a primeira e última vez que o veríamos. Chamei Titânia e Oberon.

– Minha querida amiga, por favor, me prometa que cuidará dele.

– Vou cuidar como se fosse meu, ele vai crescer sabendo o quão honrados foram seus pais, dando a vida por nós… – ela disse com a voz embargada enquanto soluçava.

– Vocês foram um presente dos deuses, mas esse presente não poderá ficar conosco, que Hades os receba com a glória que merecem. – o rei duende também chorava.

– Não me entristeço por morrer por uma causa tão nobre. – Netuno se virou para mim – Eu amo você, Minerva, mais do que tudo.

– Eu também o amo mais do que tudo.

Com muito esforço, pus minha cabeça em seu peito, abraçando-o. Beijei-o e fechei meus olhos, minha mente se perdia no vazio enquanto minha vida e a dele iam se esvaindo.

– Nos vemos nos Campos Elísios.

Alfredo me abriu a caixa

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Eu e Alfredo estávamos parados naquela ponte, nos encarávamos como se nossa vida dependesse disso. Quando eu estava prestes a me virar e ir embora, começou a chover. Eu não me importava com isso, mas ele sim. Alfredo insistiu para que fossemos para sua casa, pois era mais perto e eu poderia pegar uma gripe com aquela chuva gelada.

Ao chegar a casa, Alfredo me entregou um roupão para usar sobre a roupa molhada e um copo de chocolate quente, eu agradeci e me sentei na poltrona, que ficava bem em frente ao sofá em que ele se encontrava. Novamente, como se estivéssemos na ponte, voltamos a nos encarar. Estava um silêncio constrangedor, que foi quebrado quando sua voz grave disse:

– Por que você ia me deixar, Stela?

– Você não iria me entender, Alfredo.

– Talvez Stela, talvez eu entenda, só me explique, por favor… – ele suplicava, então resolvi contar o por que.

– Antes de nós começarmos a namorar, eu acho que você já deve ter imaginado isso, eu tive outros namoros ou casos, chame como preferir. E, em todos eles, eu não estou generalizando, literalmente, em todos eles, quando eu contava o meu sonho de viajar pelo mundo, no meu barco, todos diziam relativamente a mesma coisa: “Desculpe, mas acho que deveríamos terminar aqui” e eu perguntava o porquê, e a resposta era quase sempre a mesma: “Por nada , só não combinamos tanto assim”. Eu te contei meu sonho Alfredo, e eu fiquei com medo de você me abandonar, como todos os outros. Então eu pensei, antes que ele me abandone, eu vou o abandonar primeiro. Você entende agora? Entende por que eu quase te deixei? – quando eu terminei minha história, algumas lágrimas já molhavam o meu rosto. Eu achei que ele fosse rir de mim quando eu acabasse minha história, mas o que ele fez me surpreendeu muito, ele me abraçou. Abraçou-me e disse algo que me deixou muito surpresa:

– Stela você gostaria de viajar pelo mundo comigo?

Alguns meses depois…

A Itália era incrivelmente bonita, o Alfredo realmente não tinha sido como meus outros namorados, ele era mil vezes melhor. Itália era o quarto país que visitávamos com o nosso barco.

Estávamos passeando por Roma, quando paramos em uma ponte extremamente parecida com a que quase terminamos, um sentimento de nostalgia me atingiu, eu fiquei um pouco triste e Alfredo disse algo que só piorou tudo:

– Preciso falar algo bem sério com você Stela.

– O que você precisa falar comigo Alfredo? – perguntei, receando uma resposta.

Ele simplesmente me virou as costas. Para mim já estava claro o que ele queria dizer, me virei chorando e quando dei o primeiro passo para ir embora sinto mãos me envolverem em um abraço e alguém sussurrar em meu ouvido:

– Eu nunca te deixaria Stela, você sabe disso. Quer casar comigo? – eu me viro com um enorme sorriso no rosto, e vejo Alfredo com uma caixa que continha um lindo anel dentro.

– Casar com você?! Sim Alfredo! Claro que eu aceito. Eu te amo!

– Eu também Stela! Eu também te amo!