Amor Paradisíaco

Após algum tempo, não muito preciso (minutos, horas, dias), chegaram a um lindo lugar. Emílio ficara deslumbrado com o cenário, as flores e a sensação da brisa gostosa e correu com Carolina por campos verdejantes até avistarem uma pequena casa, a poucos metros de um rio, no qual percorria uma água cristalina, límpida. Ao adentrarem na casinha, ficaram deslumbrados com tanta beleza, mais parecia uma casa de bonecas, pela leveza de suas cores e o formato. Na parte de trás dela havia um pequeno jardim repleto de rosas, girassóis, violetas, azaleias e outras flores.

Quando Emílio e Carolina abriram a porta do quarto e avistaram a decoração, acharam estar sonhando. Possuía detalhes em ouro, cravejadas de pedras preciosas, como os aposentos de um rei. Não hesitaram um só momento em experimentar aquele colchão que se revelava macio como uma nuvem. Lembraram de como era a vida de amantes na terra, onde muitas peripécias fizeram, já que eram casados, mas viviam um saboroso romance de namorados, proibidos por seus pais em se relacionarem. A paixão que os envolvia era a mesma, forte e avassaladora.

Ali começava uma outra história de amor, daquelas vividas apenas pelos personagens dos livros retratadas nas telas dos cinemas. Emílio então, pegou Carolina pela cintura e começou a rodopiar com ela pelo quarto, pela sala e por toda a casa e Carolina, apaixonada e grande dançarina, acompanhava seu amor naquela dança sem música, experimentando os espaços fartos da casa. Dançaram e dançaram e, já suados e ofegantes, porém felizes, renderam-se ao convite daquela linda cama e deitaram-se para uma tarde de amor, sabendo que aquela não seria a única, mas a primeira de muitas que ainda vivenciariam. Eles sabiam que aquele ambiente acolhedor foi desejado e nele estava acontecendo uma nova oportunidade para viver um profundo amor que só foi concedido por conta do forte desejo de ambos. E assim, tiveram a certeza que estavam num paraíso criado por Deus.

Amor de Verão

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Acordei com o meu despertador tocando. Mesmo no período de férias, mamãe insistia em me acordar cedo. Levantei-me rapidamente e fui me arrumar. Escovei os dentes e tomei um banho, eu ainda estava sonolenta. Após colocar uma roupa qualquer, eu desço para tomar café.
– Bom dia, querida! – Papai diz assim que me vê, mas logo volta sua atenção para seu jornal.
– Bom dia!– Digo e sento. Coloco um pedaço de bolo de laranja em meu prato e começo a comer, eu estava faminta!
– Helena! – Mamãe me repreende ao ver o quão rápido eu comia. – Isso não são modos de uma moça. – Ela diz e se senta também.
– Ah, querida, não seja tão rígida com nossa filha. – Papai me defende.
– Miguel, limites são necessários! – Explicou e logo voltou a falar. – Aliás, arrume suas malas. Seu táxi chega daqui a duas horas. – Ordenou.
– Táxi? Que táxi? – Pergunto confusamente.
– Te inscrevi em um acampamento de férias. Não é nada saudável ficar em casa durante as férias de verão! – Ela diz olhando para mim.
Após dar um murro na mesa, levanto-me e subo para o meu quarto.
Eu não acredito que ela fez isso! Imagina só, que patético! Não deve ser nada divertido passar as férias em um acampamento. Porém, como meu relacionamento com mamãe não estava nada bom, tratei de fazer rapidamente as minhas malas.
Depois de tudo pronto, eu já estava dentro do táxi.
– Adeus, querida! Se divirta! – Papai disse acenando para mim.
Eu aceno de volta e sorrio para meus pais, que faziam o mesmo, então o motorista logo deu partida com o carro.
Algum tempo depois, eu já havia chegado ao local.
– Senhorita, essa é sua última mala. – O motorista entrega e logo vai embora.
Olho ao redor por alguns segundos, até que não era tão ruim.
Várias pessoas passeavam pelo local: algumas estavam sentadas na grama verdinha, cantando e tocando, enquanto outras jogavam futebol e outras coisas.
– Oi! – Uma menina de cabelos loiros se aproxima e pega duas de minhas malas. – Me chamo Laura, primeira vez aqui?
– Sim… – Digo e sorrio de uma forma tímida. – Me chamo Helena.
– Vamos, vou te mostrar seu quarto… – Ela diz e me puxa.
Ao chegar à área dos dormitórios, Laura me leva ao quarto, e por sorte, iríamos dividi-lo. Ela me apresentou minha cama e me deu um tempinho para tomar um banho. Assim que saio do banheiro, eu a vejo toda arrumada.
– Vamos? – Ela pergunta e eu franzo o cenho.
– Pra onde?
– Para a festa de primeiro dia. – Ela responde. – Todo primeiro dia aqui no acampamento nós fazemos tipo uma reunião para conhecer os novatos. Já deve estar começando.
– Tudo bem. – Digo e apenas a sigo.
Assim que chegamos, ela se senta à roda e eu faço o mesmo. Estávamos perto do lago, tudo estava perfeitamente iluminado e decorado.
– Bem vindos ao Summer Camp! – Um homem dizia no centro da roda. – Meu nome é Bruno e como alguns de vocês sabem, sou o instrutor. Antes de começarmos a festa, iremos todos nos apresentar. – Ele explicava enquanto todos ouviam atentamente. – Você, venha aqui e se apresente. – Apontou para mim, todos me olhavam. Levanto e vou até lá.
– Meu nome é Helena, tenho 16 anos e moro no Rio de Janeiro com meus pais. Gosto de cantar e de dormir. – Disse e todos riram, logo sento-me de volta à roda.
– Muito bem! Caleb, por que não vem até aqui e nos conta sobre você? – Bruno direciona sua pergunta para um menino que estava sentado bem longe de mim.
– Vou ter que fazer isso todo ano, cara? – O garoto pergunta rindo. – Bom, me chamo Caleb, tenho 17 anos e também moro no Rio com meus pais. – Explicou olhando diretamente para mim. A luz refletia em seu rosto, então pude notar o quanto seus olhos verdes eram bonitos. Na verdade, ele era muito atraente. – Toco guitarra e gosto de garotas. – Ele terminou e foi se sentar.
– Obrigada pelo mesmo discurso de sempre, Caleb. – O instrutor disse e todos riram.
Durante a apresentação de todos os jovens do acampamento, ele mantinha seu olhar direcionado ao meu. De vez em quando eu desviava a atenção de seus olhos, mas quando olhava novamente, percebia que ele continuava me encarando. Às vezes ele sorria discretamente, o que me deixava um pouco sem graça, e ele parecia gostar disso.
– Vem, Helena, vamos nos divertir! – Laura me puxou para outro canto assim que a reunião havia acabado. Fomos para diversos lugares: andamos de barco pelo lago, jogamos vôlei, cantamos no karaokê e comemos bastante.
Andávamos pelo acampamento enquanto conversávamos, o vento estava realmente agradável. De repente, o mesmo menino que me encarava na reunião se aproxima.
– E aí, Laura? – Ele a cumprimenta e logo depois olha para mim. – Sua amiga fala?
– Fala sim. – Laura ri e nos apresenta. – Caleb, essa é Helena. Helena, esse é Caleb.
– Oi. – Digo baixo e sorrio timidamente.
– Acho que já nos conhecemos não acha? – Ele pergunta com um sorriso no rosto.
– Você a conhece? – Laura questiona.
– Claro, ela não parava de olhar para mim na reunião. – Ele diz sarcasticamente e eu sorrio sem graça. – Enfim, eu tenho que ir, até amanhã, meninas. – Ele coloca seu skate no chão e sai.
– Você tá caidinha por ele, não é? – Ela pergunta rindo, eu apenas reviro os olhos.
– Claro que não, meninos são todos bobões! – Disse e rimos juntas, então fomos para o dormitório.
Depois de alguns dias, eu já estava bastante enturmada com o acampamento e os outros.
“Papai e mamãe, os dias estão sendo bastante divertidos por aqui. Conheci muitas pessoas e fiz amizade com todas elas. Logo estarei de volta, me esperem! Carinhosamente, Helena.”
Terminei de escrever o email para meus pais e logo fui ao refeitório tomar o café da manhã. Assim que me sentei, Caleb veio falar comigo.
– Está de mau humor ou eu posso me aproximar? – Ele pergunta brincando, eu apenas dou uma risada, então ele me dá um beijo na bochecha e se senta. – Espero que não tenha esquecido de que temos que cuidar dos pirralhos hoje.
– Não esqueci, inclusive eu ia sair daqui direto pra lá. – Digo rindo. Depois de comer, fui para o dormitório me arrumar.
Durante esse tempo aqui no acampamento, eu e Caleb havíamos nos aproximado, eu o considerava como meu melhor amigo, sem contar sobre minha paixonite secreta por ele, mas isso não vem ao caso.
– Helena! – As crianças vêm correndo até mim e me abraçam.
Era tarefa minha e de Caleb darmos aula para eles, então todo sábado nós os levávamos para a sala de música e os ensinávamos tudo o que sabíamos.
– Então você coloca seus dedos nessa corda e… – Antes que eu pudesse terminar de ensinar à Lucas como fazer um acorde no violão, os risos histéricos de Caleb e os outros meninos me interromperam. Ele não parava de brincadeira desde o início da aula. Levanto-me e ando pisando forte até ele, cruzo meus braços e o encaro seriamente.
– Ah, oi, Lena… – Ele diz e sorri. – O que foi?
– Não adianta me chamar pelo apelido fofo, será que tem como você parar de brincar e estudar com eles? – Peço, eu estava brava de verdade.
– Ah, qual é? Eles não querem estudar. Vamos brincar! – Ele diz e as crianças riem.
– Você consegue ser mais infantil do que eles! – Grito com as mãos na cintura enquanto eles assistiam atentamente a nossa discussão. – Nossa tarefa é ensiná-los um pouco de música, então vê se você para de… – Sou impedida de falar ao ter chantilly de cupcake na minha boca. – Você é um idiota, Caleb! – Resmungo e pego outro cupcake que havíamos comprado para eles em cima da mesa, esfrego o bolinho em todo o seu rosto, fazendo as crianças gargalharem.
– Não devia ter feito isso, Lena! – Ele diz rindo. – GUERRA DE BOLINHO! – Ele exclamou, então, imediatamente todos nós começamos a tacar cupcakes uns nos outros.
Devido a gritaria e a baderna, o instrutor nos encontrou, e claro, estávamos encrencados!
– Não me interessa quem começou, vocês já são grandinhos o suficiente para fazerem isso! – Bruno brigava com a gente pela milésima vez. – Agora, saiam daqui e vão limpar a sala de música. – Ele ordenou e nós saímos.
– Você é um otário! – Digo rindo enquanto nos sentávamos à beira do lago.
– Ah, qual é? Foi divertido. – Ele disse e então rimos juntos. – A gente está cheio de cobertura de bolinho no rosto.
– Não só no rosto né… – Acrescento e ele assente.
– Deixe-me limpar isso aqui… – Ele se aproxima de meu rosto e passa seus dedos em minha bochecha, tentando limpar o chantilly que estava ali. Encaramos-nos por alguns segundos, era difícil não se hipnotizar com aquele par de olhos verdes.
Do nada, ele se aproxima de meu rosto, nossas respirações se misturavam. Ele sela nossos lábios, eu apenas fecho os olhos e deixo que ele me beije. Não dava pra explicar a sensação de ter seus lábios juntos dos meus, era como se uma onda de energia percorresse por todo meu corpo. Assim que nos afastamos, ele me olha sorrindo, eu faço o mesmo.
– Eu amo você, Lena. – Ele diz e me abraça.
– Também amo você, Caleb. – Sussurro, então nós voltamos nossas atenções para o céu estrelado acima de nós.
Depois de uns cinco dias, era a hora de dizer adeus para tudo aquilo.
Terminei de colocar a última peça de roupa na mala e o quarto finalmente estava vazio. Faz exatamente um mês desde que eu vim obrigada para cá. Não achei que eu conheceria tanta gente e me divertiria tanto assim.
– Promete que vai me mandar mensagem? – Laura perguntou tristonha após me abraçar.
– Claro, bobinha… – Disse rindo, então lhe entreguei a sua última mala, ela entrou no carro e o táxi deu partida. Assim que me viro, dou de cara com Caleb. – Oi… – Disse baixo.
– Oi. – Ele sorri timidamente. – Um último abraço? – Ele pediu, não havia como eu negar, então coloco meus braços em volta de seu tronco e ele me aperta. Eu sentiria falta daquele abraço, um abraço que me passava segurança e que me fazia muito bem. – Até mais… – Caleb estende sua mão, eu a aperto, então vejo que ele me dava um papel. Ele entra no carro e pisca, então vai embora.
– “Mande lembranças, Lena.” – Leio o que estava escrito, junto de seu número de telefone. – Adeus… – Sussurro ao vê-lo acenando para mim.
Após chegar em casa e receber muitos abraços de minha mãe, eu estava deitada em minha cama, completamente entediada. Coloco a mão no bolso e tiro o papel com o número de Caleb.
“E aí, sumido!” – Mando um SMS para ele com meu celular.
“Olha só, não consegue ficar sem falar comigo!” – Ele logo responde minha mensagem. – “Aliás, o que você acha de conhecer os meus pais?”
“Tá louco? E se não gostarem de mim?”
“Isso é impossível, Lena. Pensa na minha proposta. Tenho que ir agora, te vejo depois.”
Suspirei apenas ao pensar na ideia de conhecer os pais dele, tudo estava acontecendo rápido demais para mim.
No dia do “encontro” eu estava pirando!
– Helena, você já está pronta? – Mamãe entra no quarto e dá risada ao me ver arrumando o cabelo desesperadamente. – Já está bom filha, você está linda! – Pego minha bolsa e desço. Ela me deixa na esquina da casa de Caleb, então vou andando até lá.
Ao chegar, avisto uma ambulância parada na calçada de sua casa, resolvo tocar a campainha. Uma senhora abre a porta, suponho que fosse a mãe dele, ela não parava de chorar e seus olhos estavam inchados e vermelhos. Ela me abraça enquanto desaba mais ainda em meus braços.
– Onde ele está? – Pergunto com a voz trêmula, então ela me leva ao seu quarto. Deixo uma lágrima cair ao vê-lo na cama, imóvel e sem respirar.
– Eu sinto muito, querida… – Ela toca meu ombro, eu me aproximo da cama enquanto chorava incansavelmente. A mãe de Caleb me entrega um papel, uma espécie de carta. Eu a abro e começo a ler:
“Antes de qualquer coisa, eu gostaria de começar pedindo desculpas. Desculpas por não ter tido coragem de te contar a verdade desde o início. E a verdade, Lena, não é nada legal. Ela é dolorosa, mas não nos ilude. Eu deveria ter te contado desde o início, mas suponho agora que você descobriu tudo. Eu tenho câncer desde os meus 6 anos de idade. Todos os anos eu ia ao Summer Camp, meus pais me obrigavam, diziam que era uma maneira de esquecer minha situação, mas nenhum ano foi tão bom como esse. Apaixonei-me por você desde o primeiro contato visual, e eu sei que é piegas dizer uma coisa dessas, mas foi amor a primeira vista. Desde aquele dia eu não paro de pensar em você e nos seus olhos, na sua voz e o jeito tímido em que falava comigo.
Eu sinto muito por te fazer passar por isso, eu sou uma “granada” e deveria ter te contado que poderia explodir a qualquer momento, mas não o fiz. Não fiz porque eu te amo demais para te ter longe de mim, já perdi muitas pessoas por causa do câncer, e eu não podia arriscar perder a melhor coisa que me aconteceu na vida. O meu último mês de vida foi o melhor que já vivi, e isso tudo graças a você. Todos os verões em que passei no acampamento não chegaram nem perto desse.
Eu gostaria de ter tido a oportunidade de me despedir, mas fui covarde demais para encarar a realidade e te contar a verdade. Só peço que não se esqueça de mim, e que mantenha guardado na sua memória tudo o que passamos juntos, todas as risadas que dávamos e todas as confusões que nos metemos.
Durante todos esses 17 anos de idade eu nunca tive certeza de nada, mas agora tenho certeza de que amo você.”
Depois de um ano de sua morte, eu estava de volta ao acampamento.
Encaro o lago à minha frente enquanto mantinha o semblante sério e pensativo. Esse lugar não tem a mesma mágica do ano passado, é estranho ter que lidar com a ideia de que ele não está mais aqui ao meu lado, me fazendo dar risada e me irritando. Sinto falta de sua voz, de seu jeito e de seus olhos, é incrível como as coisas mudam do nada. Eu nunca poderia imaginar que eu conheceria meu primeiro amor aqui no acampamento.
Eu não concordei com a ideia de voltar depois do que aconteceu, mas talvez eu precisasse disso. Talvez eu precisasse tentar reviver o que aconteceu no ano passado. Se eu soubesse que o abraço que demos aquele dia seria o último, eu nunca o deixaria ir.
Dizem que o tempo é o maior remédio, mas a dor que sinto em meu peito parece ser incurável, e que vai durar a vida toda. Não tive a chance de lhe dar um “adeus” quando ele deu seu último suspiro, me resta agora tudo o que passamos juntos e também a sua imagem em meus sonhos.
– Eu amo você, Caleb. – Sussurro chorando baixinho e olho para o céu estrelado assim como no ano passado, mas,  dessa vez, sozinha.

 

 

O Bilhete de Amor

tumblr_static_tumblr_m5gh75eqot1r1jbp8o1_400_large      No relógio estava marcando uma e quarenta e cinco, estava faltando quinze minutos para o meu primeiro encontro com a Marina. Mesmo que ainda faltassem alguns minutos, eu já estava esperando-a no nosso ponto de encontro, o relógio grande da praça. Cada vez que o ponteiro andava marcando a passagem do tempo eu ficava mais nervoso; e se ela tivesse desistido de me encontrar? E se ela não gostasse de mim de verdade? Sempre que pensava nessas possibilidades a minha mente ficava mais bagunçada e mais borboletas no meu estômago surgiam.

Depois de uns dez minutos, Marina chegou, ela estava muito bonita, como sempre. Suas vestimentas eram simples, talvez essa fosse uma das características de que eu mais gostasse nela, era uma menina simples que não chamava atenção, mas ainda assim tinha um brilho especial.

– Eu finalmente cheguei! Você estava me esperando por muito tempo? – ela me perguntou com um sorriso no rosto.

– Não muito. – respondi acenando com a cabeça – Eu estou feliz que você esteja aqui. Para onde vamos? O que vamos fazer?

– Vamos passear um pouco! Gosto muito de caminhar por essa praça, sempre venho com o meu pai ou sozinha.

Andamos um pouco enquanto conversávamos até pararmos em uma lojinha onde tinha um senhor vendendo sorvete.

– Oi, tio! – Marina o cumprimentou com um grande sorriso (com certeza, o sorriso dela era o mais bonito de todos).

– Oi, Marina! – pelo jeito eles já se conheciam – Quem é esse seu amigo? Estão se divertindo?

– O nome dele é Pitu! Ele é o meu namorado!

Ao ouvir aquilo não pude deixar de corar, era a primeira vez que alguém me chamava de “namorado”.

– Prazer em conhecê-lo, Pitu!- Ele me cumprimentou, parecia ser bem gentil.

– Ah! Er… Prazer. – eu estava nervoso.

– Espero que cuide bem da Marina, ela é uma garota muito especial. Sim, ela é.

– Certo.

Quando olhei para Marina, vi que ela estava olhando a tabela de preços e sabores enquanto contava algumas moedas.

– Está tudo bem? – perguntei, pois pude ver que seu sorriso havia sumido.

– Eu queria comprar sorvete de chocolate para nós dois, mas não tenho dinheiro suficiente – eu queria ajudá-la, coloquei a mão no bolso de trás do meu short na esperança de encontrar algumas moedinhas, porém não havia nada.

– Não se preocupe com isso! – o senhor da lojinha estava nos olhando, com dois sorvetes de chocolate na casquinha em suas mãos, ele estava nos dando de graça – Hoje é um dia especial para vocês, divirtam-se!

– Obrigada, tio!

– Muito obrigado, senhor!

Depois disso, fomos até o parquinho, porém, enquanto caminhávamos até o local, Marina deixou seu sorvete cair acidentalmente no chão; reparei que ela ficou triste e então ofereci o meu para ela, ela não aceitou, então resolvemos dividir.

Ao chegarmos ao parquinho, fomos para os balanços e ficamos por lá conversando, ficamos nos balançando e competindo pra ver quem ia mais alto. Marina era meio competitiva e desajeitada, quase caiu do balanço umas duas vezes.

– Você e aquele senhor se conhecem há muito tempo? – Perguntei.

– Está falando do senhor da lojinha de sorvete? – ela olhou para mim e confirmei acenando com a cabeça – O nome dele é José, ele cuidou de mim durante… Um problema. – Marina ficou meio triste depois disso. Será que falei alguma coisa errada?

– A verdade é que… A minha mãe morreu faz dois anos, ela tinha câncer, o tratamento era caro e… – algumas lágrimas se formaram em seus olhos, fui até ela e a abracei.

– Está tudo bem, não precisa falar mais nada. – tentei reconfortá-la. – O dia hoje foi muito bom! Vamos sair juntos mais vezes, amanhã no mesmo horário? – perguntei.

– Claro! – ela me respondeu sorrindo, o seu sorriso era, com certeza, o mais bonito.