Coração Machucado

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Em um dia normal, na aula de língua portuguesa, Pedro conhece a Natalha, no mesmo momento ele decide escrever uma carta de amor para ela, porém tinha vergonha de entregar a mensagem.

       No decorrer da aula, Pedro percebe que Natalha também olhava para ele, então  ficaram trocando olhares.
       Então ele cria coragem, e decide entregar a carta para ela. Ao entregar, Natalha fala que não sentia o mesmo, e justificou os olhares explicando que estava olhando para a espinha enorme, que havia acima dos seus olhos.
          Desolado , devido o fora que levou. Pedro vai para casa triste.  Decidido a nunca mais escrever uma carta de amor.

Uma Surpresa para Daphne

 

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Já era tarde, eu estudava deitava assistindo uma série qualquer quando o telefone tocou. Eu só sabia me perguntar quem seria, por estar tão tarde.

Era meu ex-namorado, o Peter. Peter Vest-Pockt, o homem que mais me fez sofre, acabou com a minha vida e me largou no altar. No momento, só sabia me perguntar o que ele queria, o porquê de estar me ligando.

Eu não aquentava ouvir aquela voz.  Peter é um asqueroso, me dá nojo. E lá estava ele, com a mesma intenção, com a voz leve, entre suspiros. Eu estava disposta a me negar a falar com ele, mas quando aquela voz me chamou … eu fui.

No início, o desprezei, mas ao longo da ligação, rendi-me. Ele falou dos momentos em que andamos de Catamarã, em Veneza, de quando fomos ao museu de cera em Londres e naquela roda gigante. De quando fomos à Paris, visitamos o museu do Louvre, a torre Eiffel, e ao maravilhoso Bistrô que vendia um pimentão recheado. Ao falar do pimentão, pediu-me o ingrediente secreto, foi aí que minha ‘’ficha caiu’’, ele não me queria, queria o ingrediente secreto.

Eu fui uma grande tola, caí em uma armação de Peter Vest-Pocket. Terminei a ligação enfurecida, não conseguia acreditar na minha burrice.

Após me xingar, infinitamente, fui à cozinha, senti falta de Paris, estava disposta a preparar o pimentão, disposta também a esquecer o tão desprezível Peter Vest-Pocket.

A volta da ilusão

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Alda partiu para a Europa, ainda muito triste com fim de sua ilusão, que fazia tão bem a ela… Descobrira na noite anterior que seu amado “Túlio” era Geraldo, um estudante de medicina.

Enquanto isso, Geraldo continua seus estudos. Porém, o tempo faz com que as coisas melhorem. Alda estava estudando em um parque, quando conheceu um homem de valor, ótimo lutador no tatame. Seu nome era Toshitaro. Pareceu amor à primeira conversa! Os dois precisavam falar. Ele contou que sua ex-mulher o traiu com seu melhor amigo. Ela também contou sua história.

Os dois passavam a se encontrar quase que diariamente. Alda descobriu que Toshitaro estava se tornando um lutador de sucesso por toda a Europa. Ela já estava terminando os estudos.

Já Geraldo se tornou um grande médico, rico e casado! No final da faculdade, ele conheceu Marilene. Uma menina alguns anos mais velha, e um pouco metida, como diziam as más línguas! Também era médica, mas não possuía um consultório particular, como Geraldo.

Os dois se casaram na praia, em um dia aparentemente feliz, mas ele sentia falta de Alda Pereira, seu grande amor.

Quando Alda estava prestes a se casar com Toshitaro, recebeu a notícia de que precisaria fazer uma viagem ao Brasil para visitar seu pai. Por coincidência do destino, no dia de sua chegada, Geraldo estava levando Marilene ao aeroporto. Ela iria representá-lo em um congresso no exterior por um tempo.

Geraldo estava de saída quando, de repente, avista Alda. Seu coração bate mais forte e ele corre ao seu encontro, esquecendo-se completamente do anel que enfeitava seu dedo. Ela se surpreende com o inesperado reencontro, e quando estava prestes a sair de perto, Geraldo lhe ofereceu uma carona.

Enquanto isso, Marilene chega à Europa e conhece pessoalmente Tochitaro, de quem já era uma grande fã.

Ela passa a frequentar suas lutas e ele a leva às suas reuniões. Finalmente decide terminar com Alda, pois está completamente apaixonado por Marilene.

Tochitaro fez uma chamada por skype e Alda responde rapidamente. Ele está com Marilene, ela não vê Geraldo desde a carona até o aeroporto.

Tochitaro começa, falando:

– Alda, precisamos coversar! Eu quero terminar!

Marilene completa:

– Estamos apaixonados!

Tochitaro pede:

– Marilene, não se mete!

Alda em choque, responde:

– Tudo bem, eu aceito o divórcio.

E foi isso que aconteceu, os dois se divorciaram e Tochitaro casou-se com Marilene, que é realmente o seu grande amor. Enquanto isso, Geraldo chama Alda para conversar. Ele se declara para ela, contando como ele é, sem nenhuma mentira ou ilusão dessa vez… E, finamente, eles assumem o relacionamento e começaram a viver esse amor.

 

Música tema: https://www.vagalume.com.br/ellie-goulding/love-me-like-you-do.html

Uma Surpresa Para Peter!

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Peter percebeu o erro que cometera, pois a amiga para quem ele havia preparado aquele jantar especial o dispensou. Daphne parecia estar disposta a voltar com ele, se ele insistisse. Então ele pensou consigo mesmo, “o que eu falo? Ela deve estar uma fúria comigo e eu não posso ter a cara de pau de ligar depois de tudo. E se eu só tentar…”

Peter respirou fundo e criou coragem pra ligar:

-Alô?

– Esse tom de voz não está soando bem, sua amiga não gostou do pimentão, é? – Respondeu, Daphne, com um tom debochado.

– Olha, eu sei que foi errado o que eu fiz, mas você pode conversar comigo, pelo menos?

– Bem… da última vez isso não deu muito certo!

– Daphne, para com isso, eu te amo.

– Peter, para…

– Você poderia vir aqui em casa para a gente conversar?

– Claro. Mas, Peter, você lembra aquela batata recheada que você fazia?

– Como iria me esquecer do prato que fazia para você?

– Sim, mas qual era mesmo o ingrediente especial do molho, Peter?

– Pimenta.

– Tudo bem, até mais.

– Como até mais?

– Ué, estou fazendo o mesmo que você fez comigo, eu vou preparar essa receita para um “amigo” meu.

– Daphne!

E os dois ficaram, como diz a música, nesse amor e ódio eterno. Nem se ligavam mais, porém eu acho que algum dia os dois vão perceber que se gostam. Eu acho…

O outro lado da verdade

Desperate blonde reaching for boyfriend against blackboard

Antenor voltara ao trabalho, já estressado pensando no baile de primavera ao qual teria de ir acompanhando sua namorada. Ele odiava esse tipo de festa, mas Isabella havia lhe implorado tanto que ele acabou cedendo.

Chegaram um pouco atrasados, devido ao pequeno trânsito e à demora de Isabella para se arrumar. Assim que chegaram, a moça foi falar com uns conhecidos, deixando Antenor de lado.

Menos de dois minutos após ser deixado por Isabella, uma garota meio baixa, de cabelos loiros, olhos castanhos e com uma expressão de nervosismo veio falar com ele. Antenor, que nunca levara jeito para socializar e já estava estressadíssimo, fez alguns comentários rudes, que ele esperava que tivessem soado como piadas, apesar de terem um quê de verdade, e se retirou para fumar.

Pouco depois achou Isabella, que já estava cansada de tanto dançar valsa, e a convenceu a ir embora para casa, pois tinha que trabalhar na manhã seguinte.

Na volta do baile, ocorreu a discussão de sempre: “Por que não para de fumar?”, “Você nunca se manterá em um trabalho”, “Espero que esse dê certo”, “E as contas para pagar?”. Esse era o bate-boca diário.

A manhã do dia seguinte foi comum. Transporte cheio, típica manhã da General Osório. Sorte a dele que a loja em que trabalhava ficava em uma rua próxima, mas bem menos movimentada, e até um pouco difícil de achar. Pelo menos era o que todos diziam, e o que Antenor pensava, até que viu a mesma garota da noite anterior, que falara com ele no baile, entrando pela porta. Decidiu fingir que não a conhecia, afinal devia ter vindo para comprar algo. Não, dessa vez, ela havia ido procurá-lo, pelo que aparentava. “Meu Deus! Tanto trabalho só para ver minha pessoa? Acho que não”, era o que pensava Antenor, mas a menina parecia se esforçar para demonstrar o contrário. “Agradeço a visita, qualquer hora dessas dou uma ligada”, mas não ligou. Não que precisasse, já que a menina ligava para o trabalho de Antenor e desligava após ouvir o “Alô?” quase todo dia, umas três vezes.

Antenor chegava a casa já irritado, ainda tendo que lidar com os ciúmes de Isabella por essa garota que nenhum dos dois sabia ao certo quem era. Chamava se Aline, ou Amanda, alguma coisa com A e trabalhava ali no salão mesmo.

Mais ligações nos dias que se seguiram, Antenor já gritava ao telefone, independentemente de quem fosse do outro lado da linha. Recebeu mais uma, duas, cinco ligações e, pelo que aparentava, também havia um amigo da garota envolvido. “Estou comprometido, se um dia me der na telha, EU MESMO TELEFONO!”, gritou pela última vez. Depois de tanto transtorno e gritaria, ao ser chamado pelo chefe, não precisou nem adivinhar quem era. “Eu mesmo me retiro”, respondeu com voz baixa, assim que entrou. Orgulhoso como era, preferia se retirar a ser retirado. Chegando a casa, a briga foi feia. Isabella, com sua cabeça quente e temperamento explosivo, chegou a quebrar alguns copos. Chamaram a polícia. “Nada de mais, senhor policial”, dizia Isabella, um pouco envergonhada. Depois disso, sem gritaria. Uma ignorada aqui, uma troca de olhares de raiva e tristeza ali, um beijo rápido e frio e um boa noite seco. Afinal, não é bom dormirem brigados.

Já se passavam dias, após o episódio do telefone, sem mais ligações. Mas vinham diversas cartas. Todas falando quase a mesma coisa. “Esse relacionamento não lhe faz bem”, “Pode arranjar coisa melhor, como eu”, “Eu te amo mais que tudo” e alguns versos bonitos de uma música, poema ou livro.

Mais algumas cartas, mais alguns presentinhos, mais alguns dias. Num belo fim de tarde chuvoso, lá estava a menina. Toda encharcada, parecendo um cão que caiu do caminhão, esperando Antenor sair do serviço novo.

Antenor, que não pôde deixar de sentir pena, abrigou a garota embaixo de seu guarda-chuva surrado, levou-a para o ponto e a colocou dentro do ônibus.

A menina estava ficando desesperada. A fofoca na vizinhança se espalhava rapidamente. Foi até procurar Alzira, a velha do bairro que mexia com magia negra, pelo menos era o que diziam. E para isso Antenor respondia: “não poderia me importar menos”, afinal, dali a alguns meses  se casaria com sua amada.

Fora os transtornos e fofocas que a garota trazia para sua vida, estava tudo muito bem para Antenor. Casamento marcado para muito breve. Ansioso. Nervoso. O trabalho pelo menos estava fixo até agora. As contas, pagas. E olhe só, não fumava há quase um mês.

Finalmente se casou. Feliz da vida, os anos foram passando. Lugares diferentes, empregos diferentes, nada que atrapalhasse o amor do casal. As contas continuavam pagas, houve recaídas, mas já era o segundo semestre sem um cigarro na boca. Mais alguns meses, e veja! São gêmeos! Ainda recebia cartas de vez em quando, a menina se casou com Gilvan, grande amigo, “baita salvação que ele foi”. “Deve ter criado um apego por mim”, pensava Antenor, ao receber as cartas da menina que falavam sobre a vida dela, e como ela havia seguido em frente, recebia um pedido de desculpas em todas elas. No entanto, mal sabia ele que ela estaria a esperá-lo na estação no próximo domingo.

 

 

 

 

 

Música: https://www.vagalume.com.br/coldplay/shiver-traducao.html

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nas Águas do Seu Mar

Joshua POV.

   Eu não ligava para os outros marinheiros que conversavam alto, não ligava para o quão escuro e nublado o dia estava e tinha até esquecido o quanto odiava o fato de ter sido praticamente atirado nesse navio por meu pai. Tudo só por causa dela, Stela, que agora estava apoiada na beirada do navio, os cabelos esvoaçantes pelo vento forte e o olhar perdido em algum lugar na imensidão do mar.

Ela conseguia roubar toda a minha atenção, assim como o oceano roubava a sua. Estava sempre presente em alguma parte de minha mente desde que a conhecera no pier local, marcando presença ali todo domingo e, eventualmente, passeando nos navios que sempre apareciam aos montes. Foi difícil e levou bastante tempo para fazê-la retirar os olhos do mar e focá-los em mim, já que parecia ficar presa em uma espécie de transe toda vez que ouvia o barulho das ondas.

Agora ela servia como uma âncora para mim, me impedindo de me perder no mar com todas as lembranças de seu rosto e sorriso. Mas ao mesmo tempo que me ajudava a continuar são, sua imagem também me desnorteava, me cegando a todos os perigos que o mar indomável oferecia aos marinheiros e, com isso, me deixando vulnerável.

Felizmente (ou infelizmente) nos aproximávamos cada vez mais, o que aumentou mais minha paixão pela mulher que mais parecia uma tempestade em alto-mar. Mas tinha plena noção que ela, como qualquer mulher de espírito livre como as ondas, poderia ir embora a qualquer momento, ainda mais se se sentisse pressionada ou presa. Por isso tentava deixá-la confortável ao meu lado a todo custo, para que pudesse continuar a contar minhas histórias e, talvez, vivermos uma nossa.

 

Narrador POV.

   Aos poucos, os dois jovens foram se aproximando, encontrando inúmeros gostos em comum. Joshua fazia questão de compartilhar suas aventuras em alto-mar com a garota (de quem, após conhecer o passado, tornou-se grande amigo). Não conseguia negar que estava ligeiramente apaixonado pela moça, até a buscava nas manhãs gélidas de sexta-feira em sua casa, que beirava a imensidão de águas agitadas, fazendo-a se sentir próxima de seu falecido pai. Contudo, já estava ciente de que a mais nova não estava interessada em nenhum tipo de relacionamento sério, queria continuar solteira, livre como as gaivotas que voavam em pleno pôr do sol.

À espreita, um marinheiro de fios claros, rebeldes, denominado Rogério, observava tudo. Seu ódio por Joshua aumentava a cada troca de olhares entre os dois amigos e, após descobrir que também nutria sentimentos de mesmo gênero pela mulher, com certo receio de perdê-la, achou melhor se confessar. Inicialmente ficou confusa e perguntou se era um tipo de brincadeira, mas depois de notar que cada parcela da afeição era real, com um sorriso doce em seus lábios aveludados, disse que também gostava muito dele, todavia, não achava estar pronta para dar esse grande passo em sua vida.

Para a surpresa e alegria dos dois (e desgraça para Rogério), se tornaram cada vez mais próximos, mas esses bons momentos voaram para longe junto com a brisa do mar. Stela começou a discutir frequentemente com seu amigo e o mesmo não entendia o porquê de tanta confusão. Sentiu seu mundo cair em uma noite de domingo, avistando sua amada observando o luar nos braços de outro homem e, infelizmente, conhecia muito bem aquelas madeixas amareladas que se mesclavam com o cabelo negro da moça.

 

  Rogério POV.

   Eu não sei muito bem o que deu em mim. Realmente. Me sinto horrível desde que Stela entrou no nosso navio. Mas essa sensação de estar com ela é tão boa, mesmo que por meios errados.

Ver Joshua e Stela quase juntos fez o sangue subir à minha cabeça. Eu realmente parei de me importar com o que a religião ou as pessoas bondosas e sensatas diziam, só seguia meu coração angustiado, e traí a confiança do meu colega de tripulação.

Eu comecei a escrever cartas. Cartas para Stela. Nelas jaziam palavras escritas com o ódio de uma caneta azul gasta. Uma delas foi:

  “Querida Stela,

   Por que não me corresponde? Você disse que gostava tanto de mim… Isso me machuca demais. Acho que é melhor me afastar definitivamente de você. Isso não me faz nem nunca me fará bem.

                                        Com amor não correspondido por você,

                                                                            Joshua.”

   Sim, meus caros, eu escrevi cartas me passando pelo homem que roubava minha Stela. Depois disso, ele com certeza teria o que merecia.

Me sentia sempre o melhor de dois demônios ao fazer aquelas coisas. Pior do que eu, só o próprio diabo. Algo dentro de mim me deixava triunfante ao me comparar com aquele ser obscuro.

Depois de receber esta e mais algumas cartas nada amigáveis do falso Joshua, Stela veio procurar apoio em mim. Ela desabafava, comigo, o quanto se sentia chateada por ele ter escrito algo e no outro dia não se lembrar de nada.

Até chegar a fatídica noite. Stela não era de abraçar as pessoas, pelo menos nunca a vi praticar tal ato, mas mesmo assim ela me envolveu em seus braços e deixou um beijo estalado em minha bochecha. Isso comprovou uma porcentagem de sucesso no meu plano.

Isso foi acontecendo com cada vez mais frequência. Ouvia a mais nova desabafar todas as noites. O luar parecia colaborar comigo, refletindo sua imagem iluminada, poética e melancólica nas águas do mar. Mas que era como Stela: intenso, vasto, profundo e agitado.

E ela me beijou num dia ensolarado de verão. Um beijo calmo e terno, como o mar naquele dia. Foi uma sensação indescritível, seus lábios doces em contato com os meus me faziam sentir mais leve que o ar.

Contei a novidade à tripulação, enquanto Joshua parecia mais abatido do que nunca. Pensei que, pelo menos, Stela estaria nos braços do homem certo.

Em um dia de inverno, Joshua conversou comigo, dizendo que Stela sempre ia embora. Como resposta, disse que ela só se prenderia a mim se quisesse.

Na prática não foi bem assim. Caprichava nas belas palavras que derretiam o coração de Stela. Mas, na verdade, apenas tinha achado cartas do verdadeiro Joshua enquanto limpava seu quarto. Anotei tudo no pulso na primeira vez, e passei a levar um bloquinho de papel para anotar tudo e amolecer a moça.

Muito tempo depois, Stela e eu estávamos unidos, mas não oficialmente. Não nos casamos, por escolha dela. Concordava com o que ela propusesse, para não correr o risco de perdê-la para Joshua novamente.

Tudo ia acontecendo, e Joshua parecia cada vez mais abatido. Não comia direito, não fazia a barba, não cortava o cabelo. Parecia um mendigo, maltrapilho e magro. Daria até pena, se isso não fosse para chamar a atenção de Stela.

Não pude negar o alívio que preencheu meu peito quando o homem se jogou na imensidão das águas do mar. Se juntou à sua água amada para se libertar de um amor não correspondido. Eu acalentava Stela, mas não estava nem um pouco triste. Pelo contrário, estava radiante.

Não sei como, mas um marinheiro de nossa tripulação descobriu minha armadilha. Não contou nada a Stela, segundo seu discurso, mas finalizou com um “no inferno você pagará por tudo o que fez.”

Eu apenas lhe lancei um sorriso maroto e voltei para o convés, onde Stela se encontrava admirando as águas. Eu a abracei por trás, enquanto observávamos o mesmo ponto.

 

Turma: 805

Grupo: Manuela, Maria Clara e Luana

A Parada da Ilusão

romance

Sete anos depois de Alda e Geraldo terem se separado, Geraldo já tinha se tornado médico e também estava noivo de uma jovem e linda mulher de nome Laura, que tinha (junto ao pai) uma loja de iscas de peixe na orla da praia.

Alda tinha viajado muito, foi para Europa e América do Norte. No Canadá ela encontrou um homem chamado  Peter Johnson, um pintor muito rico e conhecido por suas belas obras de arte.

Alda tinha o sonho de se casar na sua terra natal, lá no sul do Brasil, lugar muito longe de onde eles estavam morando, porém, Peter a amava muito e realizou seu sonho, ele pagou a viagem e deu a ela, de noivado, o anel mais caro que ele podia comprar. E então eles foram para o Brasil.

Enquanto isso, Geraldo recebeu uma ótima oferta de emprego de um hospital em Santa Catarina e logo aceitou, sem pensar duas vezes. Laura, porém, não estava muito contente com a ideia, porque toda sua família morava perto do casal e ela não queria deixar toda família. Geraldo, entretanto, disse:

– Querida, eu achei um ótimo local para nos casarmos em Santa Catarina, eu pagarei a viagem e a estadia de seus pais e seus irmãos!

Depois disso Laura aceitou e todos foram.

Uma semana antes de Alda e Peter se casarem eles fizeram algumas viagens pelo Sul do Brasil, foram a Florianópolis e Santa Catarina. Geraldo marcou uma viagem pois Laura sempre quis esquiar, porém quando eles estavam embarcando no avião Geraldo teve uma surpresa: Alda tinha pegado o mesmo avião. Alda não hesitou e disse bem alto:

– Geraldo, quanto tempo! Você não mudou nada.

Laura logo perguntou:

– Quem é essa?

Geraldo ficou quieto e olhou para Alda como se tivesse visto um anjo ou um demônio, e quando ia responder, Peter se levantou do acento, deu um beijo em Alda e perguntou:

– Quem são?

Alda respondeu:

– Apenas um velho amigo.

E os dois seguiram seus caminhos.

Quando eles chegaram em Floripa, Peter convidou Laura e Geraldo para os acompanhar até um ótimo restaurante. Lá Geraldo continuou quieto e Ada perguntou:

– Laura, você e Geraldo vão se casar?

– Sim, vamos nos casar semana que vem.

– Que coincidência, nós também.

Então Geraldo foi ao banheiro e logo atrás veio Alda, que sussurrou em seu ouvido:

– Vamos fugir!

Geraldo olhou para ela e disse:

– Não vou viver uma mentira de novo!

– Geraldo, aquilo não foi uma mentira para mim, aquilo só abriu meus olhos para a verdade, a verdade é que eu te amo e se não ficarmos juntos, aí é que estaremos vivendo uma mentira!

Então Alda e Geraldo fugiram para o Ceará, lá tiveram cinco filhos e morreram juntos.

A Traição de Fujie

Ainda me lembro de quando meu pai me deu a notícia de que iríamos nos mudar do Japão para o Brasil, diferença de 24 horas, uma cultura totalmente diferente da que estava acostumado, novo idioma. Era apenas um garoto de cinco anos e estava apavorado com tudo aquilo, mesmo com meu pai dizendo que iríamos ficar numa colônia japonesa no Brasil e que eu iria conseguir me enturmar.

Acostumar-se com uma cultura totalmente diferente da sua é uma missão difícil. Nos dois primeiros anos eu estudei numa escola japonesa enquanto fazia curso de português. Até aí estava tudo bem, mas quando eu fui para a escola brasileira, tudo desandou, comecei a ser zoado por ser japonês.

Meu pai começou a perceber a diferença na minha personalidade e resolveu me pôr numa escola de judô, pois, segundo ele, eu tinha que “me reencontrar com minhas origens”. No judô tínhamos muitas competições, e foi numa dessas competições, anos mais tarde, que conheci Rafael, de quem fiquei muito próximo.

Levei-o para conhecer as coisas do Japão, beber saquê nos restaurantes da Liberdade, mostrei-lhe o cinema, e sempre o ajudava no judô, já que eu estava num nível mais avançado do que ele.

Os anos foram se passando e a nossa amizade aumentando, a ponto de até mesmo meu pai arrumar um emprego no seu estúdio de fotografias para Rafael. Foi nessa época que encontrei a mulher mais bela do mundo, pela qual me apaixonei.

Seu nome era Fujie. Desde que a encontrei, fiz de tudo para conquistá-la, o que, depois de um tempo, funcionou.

Nos casamos no verão passado, nossa lua de mel foi numa estação de águas, onde passamos três semanas – as três semanas mais felizes da minha vida.

Depois de um mês de casados, Fujie parecia diferente, estava mais distante. Pensava que o problema era comigo, que não a fazia feliz. Tentava falar com Rafael, mas o mesmo também parecia estranho, parecia estar escondendo alguma coisa.

E foi em uma noite chuvosa que descobri o motivo de tanta estranheza, algo que eu nunca queria ter visto: Surpreendi Fujie e meu melhor amigo Rafael me traindo.

Senti-me com o coração vazio, lágrimas escorriam pelos meus olhos; se não tivesse visto, não acreditaria.

Não aguentando a traição, me divorciei de Fujie e cortei qualquer tipo de relação com Rafael, mesmo ele tentando se explicar. Mudei-me de volta para o Japão, onde abri uma academia de Judô e me casei novamente com Hatsune, com quem tive dois filhos, Kaneki e Jooheon.

Dessa vez, sem traição.