Pomba enamorada

No dia em que lhe foi dito, pomba enamorada não exitou em ir até a rodoviária, aguardou-o  e, quando o viu, sentiu a mesma coisa de anos atrás. Ficou um pouco envergonhada pela situação, lembrou que ele a rejeitara por muito tempo, nesta hora, veio a dúvida entre ir ou não ir, falar com ele ou não. Então ela foi, nunca tinha tido vergonha, não seria agora que teria. Partiu em disparada atrás de Antenor, que estava andando em direção ao ponto de ônibus. Vendo-o, apertou os passos e, quando chegou perto, deu um suspiro e logo o chamou. Como ela esperava, olhou-a assustado e perguntou:

-É você mesmo?

-Sim, sou eu

-Como me achastes?

-Um passarinho me falou

-Não cansa?

-Eu o amo

Como esperado, Antenor mais uma vez tratou-a de forma deselegante, arrogante. Então ela foi para sua casa, mais uma vez decepcionada por esperar algo diferente, criou uma esperança que, no fim, só a fez sofrer.

Dias depois, acordou e foi fazer as coisas que eram de sua rotina, como comprar pão. Ao chegar à padaria,  um senhor de chapéu tampando no rosto a chamou, ela foi, quando olhou era ele viu que era o Antenor. Ele disse que queria conversar, contando nesta conversa o motivo por ter a rejeitado por tanto tempo, revelando também que lá no fundo sempre a amou e que estava ali para começar uma vida ao seu lado.

Logo, ela foi para casa pensando em uma maneira de contar ao seus filhos e marido, pois agora sim seria uma mulher verdadeiramente feliz e realizada.

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Uma Surpresa para Daphne

 

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Já era tarde, eu estudava deitava assistindo uma série qualquer quando o telefone tocou. Eu só sabia me perguntar quem seria, por estar tão tarde.

Era meu ex-namorado, o Peter. Peter Vest-Pockt, o homem que mais me fez sofre, acabou com a minha vida e me largou no altar. No momento, só sabia me perguntar o que ele queria, o porquê de estar me ligando.

Eu não aquentava ouvir aquela voz.  Peter é um asqueroso, me dá nojo. E lá estava ele, com a mesma intenção, com a voz leve, entre suspiros. Eu estava disposta a me negar a falar com ele, mas quando aquela voz me chamou … eu fui.

No início, o desprezei, mas ao longo da ligação, rendi-me. Ele falou dos momentos em que andamos de Catamarã, em Veneza, de quando fomos ao museu de cera em Londres e naquela roda gigante. De quando fomos à Paris, visitamos o museu do Louvre, a torre Eiffel, e ao maravilhoso Bistrô que vendia um pimentão recheado. Ao falar do pimentão, pediu-me o ingrediente secreto, foi aí que minha ‘’ficha caiu’’, ele não me queria, queria o ingrediente secreto.

Eu fui uma grande tola, caí em uma armação de Peter Vest-Pocket. Terminei a ligação enfurecida, não conseguia acreditar na minha burrice.

Após me xingar, infinitamente, fui à cozinha, senti falta de Paris, estava disposta a preparar o pimentão, disposta também a esquecer o tão desprezível Peter Vest-Pocket.

Fernando e Fernanda

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O fato dele está voltando para casa depois de tanto tempo era estranho, por algum motivo me sentia inquieta. Fazia exatamente cinco anos que eu não via Fernando. Desde sua partida para o exterior começamos a nos machucar, porém nós nos amávamos. Muitas coisas tinham mudado, casei-me e soube que ele estava Noivo.

Fui morar no Canadá logo depois que Fernando foi mandado para o colégio interno. Aqui conheci Richard, meu marido, e às vezes visito minha mãe, que mora numa cidade vizinha.
Às oito horas, quando acordei, o sol batia em minha face, olho paro o lado e me deparo com Richard dormindo. As lembranças da noite passada martelavam o meu cérebro, foram estressante.
   – Porque não quer buscar Fernando no aeroporto? – Richard pergunta.
   – Minha mãe fará isso por mim. – Respondo.
   – Eu sei, mas você está me escondendo algo e eu quero saber, Fernanda! – Ele grita.
   – Eu não quero ir! Que chato! – Me irrito.
   – Onde você Vai, Fernanda? – Deixo ele falando sozinho e subo as escadas.
Levantei-me da cama e fui direto para o banheiro, tomar um belo banho, pois soube que Fernando havia chegado e estava na casa de nossa mãe. Aperto a companhia.
    – Já vai! – Ele grita e meu coração dispara.
    – Uau, como você mudou. – Ele diz meio sem graça. Será que ele me ama? Porque foi embora? Milhares de perguntas sem respostas vieram.
Passaram-se alguns anos, desde que Fernando chegou de viagem, e nunca mais nos vimos.
    – Amor… – Richard me chama.
    – Estou na cozinha. – Grito para que ele me escute.
    – Chegou uma carta de sua mãe. – Ele me entrega.
    – Daqui a pouco abro. – desconverso.
    – E porque não abre agora? – Questiona.
    – Quando eu acabar, eu abro. – Continuo cortando as cebolas, entretanto num ritmo
acelerado. Eu já sabia do que a carta se tratava, estava apenas adiando sua leitura, não queria que Richard percebesse minha tristeza.
    – Seu irmão irá se casar. – Curioso, abriu a carta sem que eu pedisse.
    – Que bom! – Tento demonstrar felicidade.
    – Você irá? – Pergunta Richard.
    – E por qual motivo eu não iria? – Pergunto tentando não chorar.
O dia do casamento havia chegado, eu apenas chorava, enquanto Richard tomava banho para ir, e eu enrolava.
   – Fernanda, quem se atrasa é a noiva. – Ele brinca.
   – Estou indo, Richard. – Respondo.
Ao chegar à igreja cumprimentados os conhecidos e sentamos. Logo avistei Fernando de terno no altar, ele estava lindo. Meu coração apertado, muita vontade de chorar, mas respirei fundo.
   – Você está se sentindo bem? – Pergunta Richard
   – Estou sim. É muita emoção. – Uma lágrima cai e seco rapidamente para que ninguém note.
A marcha nupcial começa a tocar, vejo sua noiva, Denise, entrando com uma imensa felicidade estampada no rosto, afinal, era um dia muito importante para eles.
Ao final dá cerimônia todos celebravam e eu, apenas, queria sair o mais rápido possível daquele lugar.
   Quatro anos depois, Fernando e Denise foram visitar-me, formaram uma fantástica família.
   – Sophie, pare de correr. – Grito.
   – Tenha mais calma, amor. – Richard diz.
   – Seu tio e sua tia, estão vindo aqui, então não se suje. – me irrito. A campanhia toca.
   – Entre. – Ouço a voz de Richard.
   – Como estão as coisas? – Pergunta Fernando.
   – Estão bem. – Meu marido responde.
Eles caminharam até a varanda e conversaram, enquanto as crianças brincavam, e eu e Denise estávamos preparando o almoço. Foi uma tarde muito agradável, há muio tempo eu não me distraía, além do mais para que lembrar o passado se temos o futuro inteiro para nós.

O Bilhete de Amor

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Pitu mostrou o bilhete de Marina apenas para seu melhor amigo, Benjamim, que sentou na cadeira de trás. A aula acabou e estava na hora de se encontrar com a menina.

No caminho para a praça, Pitu sonhava acordado, lia e relia o bilhete, suspirava. Ao se aproximar do local do encontro, o nervosismo começou a tomar conta de todo o seu corpo. Suas pernas tremiam, suas mãos suavam e tudo o que tinha em mente apagava-se.

Minutos se tornavam horas, o coração batia mais rápido. Até que Pitu viu Marina se aproximando. Estava mais linda do que nunca: sua pele morena, seus cachos longos e negros e seus olhos cor de mel faziam Pitu suspirar. Porém aqueles olhos estavam estranhos, seu olhar estava confuso. Pitu arrumou o cabelo, endireitou a postura e dirigiu-se à menina. Antes que o garoto pudesse falar, Marina perguntou:

– Pitu, você veio com o Benjamim? Cadê ele?

– Marina, por que eu traria o Ben comigo?

Neste momento o semblante de Marina se alterou: o bilhete não era para Pitu, e sim para Benjamim, seu melhor amigo. A menina havia entregado sua declaração para o menino errado. Então Pitu, apaixonado, se declarou. Marina estava paralisada, a preocupação saltava de seus olhos. A situação era muito delicada, o melhor jeito era esclarecer toda a verdade:

– Pitu… o bilhete não era para você, eu o coloquei em baixo de sua mesa por engano.

Marina abraçou Pitu e foi embora. O menino estava com seus lindos olhos verdes inundados por lágrimas. Jogou futebol na praça com alguns amigos e depois foi para casa.

Admirável é a inocência da infância… A segunda-feira chegou e tudo o que acontecera no fim de semana parecia estar em um passado distante. Pitu cumprimentou todos os seus amigos, sentou em sua carteira e ficou à espera do início da aula.

O garoto colocou seu estojo em cima da mesa e seu caderno embaixo, e foi neste momento que percebeu que havia, novamente, um bilhete rosa com corações desenhados em toda parte. Por um instante, alegrou-se, porém se lembrou do que houvera dois dias atrás. Mas a curiosidade era maior que o medo.

Encorajou-se e abriu o envelope…

de: Maitê

para: Pitu

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Tobias

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    Meu nome é Carolina, tenho 21 anos e estou em meu último ano na faculdade de música. Meus amigos me acham uma menina atraente, mas eu acho minha pele branca e cabelos negros sem graça.

    – Carol! – disse minha amiga, Rafaela – essa sua tosse está impossível… Já disse para você ir ao médico.

    Bufei. Para ela era fácil dizer, ela tinha dinheiro. Já eu tinha que esperar no mínimo três horas em uma UPA qualquer. Tudo na minha vida era assim mesmo, coração em um quartinho perto da faculdade e só estou na mesma por concurso público. Tinha lá os meus devaneios com uma vida melhor, mas era só.

    –  Eu vi hoje você cheia de ciúmes do Tobias com as alunas da manhã… Desiste disso amiga, ele é nosso professor – disse Rafa. 

   – Rafa, você podia, favor, parar com isso? Ninguém manda no coração, infelizmente… 

    Depois da minha resposta, a porta se abriu e então ele entrou com o casaco de sempre, porém mais lindo do que nunca. Era impossível conter o sorriso.

    -Bom dia, turma! Paramos onde na aula passada?

                                                               DUAS SEMANAS DEPOIS

    Eu estou calada no banco carona do carro da Rafa. Eu não tinha condições de fazer nada, apenas esperar a minha inevitável…

     -Eu falo com os meus pais, a gente paga o tratamento, Carol.

     -Não! Me deixe em casa e obrigada por me levar no médico.

      Rafa não respondeu, só suspirou, frustrada. Sabia que era melhor, eu já não tinha mais objetivo mesmo… Me restava viver só mais um pouquinho, só mais um pouquinho. Como eu iria contar para os meus pais que eu estava com tuberculose em estado avançado? Melhor nem contar! 

                                                                   QUATRO MESES DEPOIS 

        Hoje fazem exatamente quatro meses que não vou para a faculdade… Quatro meses sem ver o Tobias.

        Antes a Rafa vinha me ver, mas com a minha reclusão, acho que ela já entendeu que não quero papo. Na última vez em que a vi, entreguei uma carta para ela dar a Tobias. Só realmente em minha cabeça que ficamos juntos.

       Todos os dias eu penso em uma vida refeita ao lado dele. Aqueles olhos castanhos, pele clara, ombros largos… Tenho ciúmes de qualquer menina, mulher ou senhora que chegue pertinho dele, mesmo que em vão…

        -Ai,ai, Tobias, Já pensou? Já imaginou nós dois juntos?

       Levantei da cama com dificuldade, peguei uma foto minha e da Rafa em mãos, ao lado uma foto de minha família. Deixei tanta coisa para trás…

       Foi nessa hora que eu senti um aperto no peito, mas era algo diferente, não era amor nem saudade, era dor. A minha respiração falhou de uma forma pior do que eu já estava acostumada. Minhas pernas bambearam e eu caí de costas no chão. Nesse instante eu soube que era a minha hora. Fechei os olhos e focalizei o meu pensamento no melhor da minha vida… Tobias!

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O Amor de Peter

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Daphne, logo após a minha pergunta, respondeu:

– Não! Eu apenas quero que você me deixe em paz.

– Mas…

– Por favor, só me deixe sozinha.

Ela desligou o telefone logo após isso. Foi a última vez que falei com ela.

Fiquei muito triste, não sei por quê. Eu gostava de ser assim, encontrar mulheres bonitas, flertar com elas e deixá-las depois, mas a Daphne… Ela era diferente.

Depois de um tempo meus amigos me chamaram para ir ao boliche, eu não queria, mas eles insistiram tanto que eu fui só para tentar esquecer a Daphne. Ao chegar, encontrei minha amada nos braços de outro homem. Senti arrependimento ao ver aquilo. Vi que ser mulherengo me faria ficar sozinho, pois ninguém quer um homem que adora namorar várias mulheres.

Neste momento fiquei paralisado, apenas vi a linda Daphne vindo em minha direção.

Foi quando eu vi seu lindo rosto, seus olhos iguais a diamantes, seus cabelos cacheados que me atraíam e sua cor de pele negra, adorável. Para mim, ela era perfeita.

Quando ela se aproximou de mim, disse:

– Oi, Peter, estou sabendo da sua depressão, eu te perdoo por tudo que você fez comigo. Estou torcendo para a sua recuperação.

Estava tão chocado que nem consegui falar com ela. Que vontade de poder falar o que eu sentia, porém era tarde, o meu amor já estava nos braços de outro homem.

Eu tentei fazer como antigamente, esquecer rapidamente e escolher outra para namorar. Porém eu sempre a encontrava na praça, ao pôr do sol. Ela não saía da minha cabeça.

Em um dia, eu a encontrei nos braços do mesmo homem no boliche e, o que mais me deixou surpreso, eles se beijaram. Depois disto eu desisti de tentar namorar Daphne e fugi para longe, onde nunca mais eu iria vê-la e eu poderia continuar a ser o mulherengo de sempre.

Daphne nem percebeu meu desaparecimento, continuou sua vida normalmente, até que um dia ela foi me procurar para ver se eu tinha saído da depressão. Foi quando ela percebeu que eu fugi. A minha linda pediu a ajuda de seu namorado para me encontrar e, juntos, eles procuraram por todo o bairro, mas ninguém sabia o que tinha acontecido comigo. Quando ela chegou em casa, viu um presente em sua mesa; ela abriu e leu a carta que estava junto ao presente:  “Para a nossa amizade”, de um anônimo. Dentro vinha um buquê de flores, daquelas que Daphne mais gostava: rosas brancas.

A minha querida descobriu que eu havia enviado o presente e mandou de volta o buquê, dizendo:

“Querido Peter, adorei o buquê de flores, porém não posso aceitar. Meu namorado (que eu queria te apresentar, ele se chama Fernando) não gostou e não quer que você envie mais presentes para a nossa casa. Beijos, Daphne e Fernando.”

Parecia que eu tentar ser seu amigo não resolveria nada, só pioraria. Porém, não desisti, pelo menos ter uma amizade era o que eu queria.

Daphne foi trabalhar e, quando voltou, encontrou outro presente. Abriu o pacote escondido de Fernando e se deparou com um urso de pelúcia abraçando um coração, onde estava escrito “eu te amo”. Ela adorou, mas sabia que era meu. Ela leu a carta que enviei junto com o presente, na qual estava escrito: “mesmo que ele pense mal de mim, eu quero ser seu amigo, este presente não tem nada de mais. Por favor, pense. Agradeço, anônimo.”

Ela tentou falar com Fernando e, de novo, piorei tudo:

– Peter só quer ser meu amigo. – disse Daphne.

– Se ele quer ser seu amigo, por que lhe deu presentes românticos, como buquê de flores e um ursinho de pelúcia no qual está escrito “eu te amo”? Ele podia te dar um vestido, ou uma blusa, aí eu não ficaria com raiva.

– Isso não faz sentido, ele nunca me amou, foi um interesseiro.

– Daphne, você está me traindo?

– O quê? Nunca iria te trair, por favor, é só uma amizade.

Daphne tentava provar para ele que eu não a amava, porém, era mentira, eu queria tê-la só para mim. Decidi esperar para o próximo presente.

Em um final de semana, a minha linda dos cachos recebeu um CD escrito “toque-me” e na carta dizia: “estou cansado de me esconder, preciso dizer, Daphne, te tratei mal, mas eu me arrependo. Por Favor, toque este CD.

P.S.- Eu te amo.

Peter”

Ela colocou o CD e começou a tocar uma música romântica que ela adorava. Eu apareci na porta flertando com ela e cantando:

– Sei que machuquei você, mas quero voltar, te tratei mal, mas agora quero te amar, volta pra mim, o nosso amor não vai ter fim.

Daphne viu aquilo e disse para mim que não iria ficar comigo:

– Você magoou meu coração, não quero voltar a ficar com você.

Eu percebi o erro que cometi e fui embora.

Eu fui a um bar e fiquei lá, extremamente triste. Passei a frequentá-lo diariamente, sentia que não tinha motivo para viver. Até que em um dia, percebi algo de diferente naquele local, alguém diferente estava lá. Comecei a ouvir uma música familiar, a que eu coloquei para flertar com Daphne, porém, era uma mulher cantando, com uma voz bela e suave. Ela me lembrava muito a dama de olhos de diamantes, sua fofura, a voz suave, e a sua risada linda; foi quando percebi que amor à primeira vista realmente existe.

Link da música: https://www.vagalume.com.br/shawn-mendes/stitches.html

A Pomba Enamorada ou uma história de amor

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A Pomba Enamorada vai ao encontro do misterioso amado, cujo nome se iniciava com a letra A. Quando chegou, ficou feliz, porém insegura, pois quem estava lá era Antenor. Sem fôlego e emocionada, pergunta a ele:

– O que você veio fazer aqui?

Então ele responde:

– Vim aqui para te encontrar novamente e te dar uma segunda chance.

– Nossa mãe, esperaria ganhar na megassena e não esperaria que você fosse dizer isso.

Depois desse diálogo inicial,  Antenor a chama para um restaurante para conversarem. Entrando lá, eles olharam o cardápio e pediram o jantar, depois de pedir a comida, a Pomba Enamorada pergunta a ele novamente:

– Como você, depois de tudo o que fez comigo, veio me encontrar?

– Então, eu pensei bem sobre o fato de você ter ficado aquele tempo todo insistindo e eu ignorando e resolvi te dar uma chance.

Surpreendida, ela fez várias outras perguntas sobre ele, não vendo a hora passar.

Depois de conversarem bastante, Antenor leva a Pomba Enamorada para casa.

No carro, a Pomba beija Antenor de surpresa. Dias depois, a Pomba Enamorada passa mal dentro de casa e liga para Antenor desesperada, ele atende e foi correndo para lá. Quando chegou, se surpreendeu, ela desmaiou na hora, parou de respirar e morreu.

No dia do enterro da Pomba, Antenor foi o único a comparecer naquele dia triste e escuro. Antenor estava muito triste e se arrependeu por não ter dado a atenção que ela merecia. Depois de alguns minutos Antenor sentiu uma dor forte do peito e morreu… de amor.

Link da Música :https://www.vagalume.com.br/fabio-jr/alma-gemea.html

Uma Surpresa Para Peter!

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Peter percebeu o erro que cometera, pois a amiga para quem ele havia preparado aquele jantar especial o dispensou. Daphne parecia estar disposta a voltar com ele, se ele insistisse. Então ele pensou consigo mesmo, “o que eu falo? Ela deve estar uma fúria comigo e eu não posso ter a cara de pau de ligar depois de tudo. E se eu só tentar…”

Peter respirou fundo e criou coragem pra ligar:

-Alô?

– Esse tom de voz não está soando bem, sua amiga não gostou do pimentão, é? – Respondeu, Daphne, com um tom debochado.

– Olha, eu sei que foi errado o que eu fiz, mas você pode conversar comigo, pelo menos?

– Bem… da última vez isso não deu muito certo!

– Daphne, para com isso, eu te amo.

– Peter, para…

– Você poderia vir aqui em casa para a gente conversar?

– Claro. Mas, Peter, você lembra aquela batata recheada que você fazia?

– Como iria me esquecer do prato que fazia para você?

– Sim, mas qual era mesmo o ingrediente especial do molho, Peter?

– Pimenta.

– Tudo bem, até mais.

– Como até mais?

– Ué, estou fazendo o mesmo que você fez comigo, eu vou preparar essa receita para um “amigo” meu.

– Daphne!

E os dois ficaram, como diz a música, nesse amor e ódio eterno. Nem se ligavam mais, porém eu acho que algum dia os dois vão perceber que se gostam. Eu acho…

A Moça Tecelã: Em Busca da Vingança

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Após três meses de sofrimento, devido seu ex-marido interesseiro, a moça não queria apenas destecê-lo da história, então resolveu que se vingaria contra seu ex, fazendo-o sentir o que ela sentiu. Assim, para dar início a sua vingança, ela começou a tecê-lo, novamente.

Horas depois, ele enfim reapareceu, no entanto a moça havia tecido um lugar onde ele ficaria, isolado  dos moradores da cidade.

O objetivo da moça era fazê-lo sofrer de solidão, mas, lá no fundo do seu coração, não conseguia deixá-lo ali sofrendo. Ela tentava resistir a isso, tendo então vontade de tecer outros companheiros, porém todos demonstraram serem interesseiros, após saber da habilidade de tecer e o último homem, ao descobrir sobre a habilidade, pensou em vários planos para conseguir tudo que queria, usando-a. Então ele, após pensar tanto a sequestrou, e a levou para uma casa abandonada, onde a ameaçaria se não tecesse para ele o que quisesse.

A moça ficou dias nessa casa enquanto seu ex-marido tentava escapar de onde estava, mas quando finalmente saiu de lá, foi para a cidade tentar se reconciliar com ela, pois, os dias em que ficou preso, o fez pensar nas coisas que fez de ruim, tornando-o então um homem humilde e bondoso.

Quando chegou à cidade, foi perguntando às pessoas do vilarejo como chegaria à casa da moça, porque não conhecia muito bem a cidade, já que, quando foi destecido, esqueceu tudo que não fosse relacionado à moça.

Enfim, chegou a casa, chamou, chamou, mas ninguém o atendia, então foi entrando, e ficou surpreso ao ver a casa vazia, foi perguntando aos vizinhos se sabiam onde ela estava e um deles falou ter visto um homem tirando à força a moça de sua casa.

Após dias, em que seu ex-marido recolhia informações, ele foi em busca da moça, que para ele se tornou seu verdadeiro amor. Chegando lá, ele se surpreendeu ao ver que o homem estava com ela, era seu irmão. Eles conversaram, esclareceram toda a história, mas os dois ainda queriam a mesma moça, mas com intensões diferentes. Para que o ex-marido conseguisse a moça, teve que dar uma lição em seu irmão, e a resgatou, provando a ela seu verdadeiro amor. Depois, ao voltarem à cidade, ela finalmente conseguiu ser feliz e ter os filhos que tanto queria, e nunca mais se sentiu sozinha na vida.

Link da música: https://www.youtube.com/watch?v=aUCrEEcVkVw

O outro lado da verdade

Desperate blonde reaching for boyfriend against blackboard

Antenor voltara ao trabalho, já estressado pensando no baile de primavera ao qual teria de ir acompanhando sua namorada. Ele odiava esse tipo de festa, mas Isabella havia lhe implorado tanto que ele acabou cedendo.

Chegaram um pouco atrasados, devido ao pequeno trânsito e à demora de Isabella para se arrumar. Assim que chegaram, a moça foi falar com uns conhecidos, deixando Antenor de lado.

Menos de dois minutos após ser deixado por Isabella, uma garota meio baixa, de cabelos loiros, olhos castanhos e com uma expressão de nervosismo veio falar com ele. Antenor, que nunca levara jeito para socializar e já estava estressadíssimo, fez alguns comentários rudes, que ele esperava que tivessem soado como piadas, apesar de terem um quê de verdade, e se retirou para fumar.

Pouco depois achou Isabella, que já estava cansada de tanto dançar valsa, e a convenceu a ir embora para casa, pois tinha que trabalhar na manhã seguinte.

Na volta do baile, ocorreu a discussão de sempre: “Por que não para de fumar?”, “Você nunca se manterá em um trabalho”, “Espero que esse dê certo”, “E as contas para pagar?”. Esse era o bate-boca diário.

A manhã do dia seguinte foi comum. Transporte cheio, típica manhã da General Osório. Sorte a dele que a loja em que trabalhava ficava em uma rua próxima, mas bem menos movimentada, e até um pouco difícil de achar. Pelo menos era o que todos diziam, e o que Antenor pensava, até que viu a mesma garota da noite anterior, que falara com ele no baile, entrando pela porta. Decidiu fingir que não a conhecia, afinal devia ter vindo para comprar algo. Não, dessa vez, ela havia ido procurá-lo, pelo que aparentava. “Meu Deus! Tanto trabalho só para ver minha pessoa? Acho que não”, era o que pensava Antenor, mas a menina parecia se esforçar para demonstrar o contrário. “Agradeço a visita, qualquer hora dessas dou uma ligada”, mas não ligou. Não que precisasse, já que a menina ligava para o trabalho de Antenor e desligava após ouvir o “Alô?” quase todo dia, umas três vezes.

Antenor chegava a casa já irritado, ainda tendo que lidar com os ciúmes de Isabella por essa garota que nenhum dos dois sabia ao certo quem era. Chamava se Aline, ou Amanda, alguma coisa com A e trabalhava ali no salão mesmo.

Mais ligações nos dias que se seguiram, Antenor já gritava ao telefone, independentemente de quem fosse do outro lado da linha. Recebeu mais uma, duas, cinco ligações e, pelo que aparentava, também havia um amigo da garota envolvido. “Estou comprometido, se um dia me der na telha, EU MESMO TELEFONO!”, gritou pela última vez. Depois de tanto transtorno e gritaria, ao ser chamado pelo chefe, não precisou nem adivinhar quem era. “Eu mesmo me retiro”, respondeu com voz baixa, assim que entrou. Orgulhoso como era, preferia se retirar a ser retirado. Chegando a casa, a briga foi feia. Isabella, com sua cabeça quente e temperamento explosivo, chegou a quebrar alguns copos. Chamaram a polícia. “Nada de mais, senhor policial”, dizia Isabella, um pouco envergonhada. Depois disso, sem gritaria. Uma ignorada aqui, uma troca de olhares de raiva e tristeza ali, um beijo rápido e frio e um boa noite seco. Afinal, não é bom dormirem brigados.

Já se passavam dias, após o episódio do telefone, sem mais ligações. Mas vinham diversas cartas. Todas falando quase a mesma coisa. “Esse relacionamento não lhe faz bem”, “Pode arranjar coisa melhor, como eu”, “Eu te amo mais que tudo” e alguns versos bonitos de uma música, poema ou livro.

Mais algumas cartas, mais alguns presentinhos, mais alguns dias. Num belo fim de tarde chuvoso, lá estava a menina. Toda encharcada, parecendo um cão que caiu do caminhão, esperando Antenor sair do serviço novo.

Antenor, que não pôde deixar de sentir pena, abrigou a garota embaixo de seu guarda-chuva surrado, levou-a para o ponto e a colocou dentro do ônibus.

A menina estava ficando desesperada. A fofoca na vizinhança se espalhava rapidamente. Foi até procurar Alzira, a velha do bairro que mexia com magia negra, pelo menos era o que diziam. E para isso Antenor respondia: “não poderia me importar menos”, afinal, dali a alguns meses  se casaria com sua amada.

Fora os transtornos e fofocas que a garota trazia para sua vida, estava tudo muito bem para Antenor. Casamento marcado para muito breve. Ansioso. Nervoso. O trabalho pelo menos estava fixo até agora. As contas, pagas. E olhe só, não fumava há quase um mês.

Finalmente se casou. Feliz da vida, os anos foram passando. Lugares diferentes, empregos diferentes, nada que atrapalhasse o amor do casal. As contas continuavam pagas, houve recaídas, mas já era o segundo semestre sem um cigarro na boca. Mais alguns meses, e veja! São gêmeos! Ainda recebia cartas de vez em quando, a menina se casou com Gilvan, grande amigo, “baita salvação que ele foi”. “Deve ter criado um apego por mim”, pensava Antenor, ao receber as cartas da menina que falavam sobre a vida dela, e como ela havia seguido em frente, recebia um pedido de desculpas em todas elas. No entanto, mal sabia ele que ela estaria a esperá-lo na estação no próximo domingo.

 

 

 

 

 

Música: https://www.vagalume.com.br/coldplay/shiver-traducao.html

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dois Milionários e uma Desconhecida

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Os mais velhos dizem que temos apenas duas chances de sermos ricos nesta vida: a primeira, é na hora de nascer; a segunda, na hora de casar. Desperdiçadas essas chances, pronto, vai ser pobre pelo resto da vida.

Emílio nasceu e cresceu na cidade de Barbacena, morava em um bairro humilde, em um barraco feito de tijolos podres e cimento velho. Sua mãe, empregada doméstica, não ganhava o suficiente para pagar as contas; seu pai, segurança do prédio pertencente à família mais rica da cidade, ganhava mais que sua esposa e, mesmo assim, não era o bastante para sustentar sua mulher e três filhos.

Emílio, o filho mais velho, trabalhava desde pequeno, fazendo bicos aqui e acolá. Sempre quis mais, sonhava em morar em uma mansão, ter helicópteros, computadores, vários empregados a sua disposição e muito mais. Sua mãe, de cara, já percebera a ganância e fome de dinheiro de seu filho. Ouvia-se muito ela dizer:

– Emílio já encontrou o amor, o nome de sua parceira é Dinheiro, por ela esse menino faria qualquer coisa, amor verdadeiro esse.

Com vinte e cinco anos de idade, o filho do segurança do prédio da família mais rica de Barbacena encontrou-se com a filha mais nova dessa família: um encontro ao acaso,  indo visitar o pai, Emílio esbarrou nela sem querer. Foi amor à primeira vista, ela apaixonou-se por ele e ele pelo dinheiro dela.

Não tardou para começarem a se encontrar todo dia no mesmo prédio, demorou menos ainda para começarem a namorar e logo ele fez o pedido tão esperado. Ajoelhado em um restaurante, perguntou:

– Dinheiro, digo, Gisele, quer casar comigo? – Ela, toda apaixonada, aceitou, e ele, muito contente por não ter desperdiçado a segunda chance, começou a preparar o festejo.

Não conseguiram ter filhos, mas ninguém ficou abatido, para Gisele apenas Emílio importava, e para Emílio, bem, não é preciso repetir.

Contudo, o tempo passou e Emílio percebeu que não só de mansões e carros de luxo o homem vive, estava faltando alguma coisa. Mais empregados? Uma casa maior? Computadores mais modernos? Ele não sabia dizer.

Um belo dia, andando no shopping, Emílio se deparou com o que faltava na sua vida. Ela era linda, com feições delicadas e simples, um rosto que seria fácil de esquecer se não fosse tão hipnotizante e marcante, era aquele tipo de rosto que se você olha uma vez não chama atenção, mas quanto mais você olha, mais bonito vai ficando, sempre.

O homem rico aproximou- se enquanto ela lia um livro, “O Corcunda de Notre Dame”, e começou a conversar, perguntou seu nome. “Carolina” foi a resposta, dita de forma tão suave e doce que até os anjos pararam para ouvir.

Desconfiada no início, a moça não deu muita atenção ao homem, porém, aos poucos, foi se encantando por aquele rico, aparentemente muito superficial, mas com a mente tão profunda e surpreendente quanto o universo.

Passaram sempre a se encontrar no mesmo shopping, apaixonaram-se aos poucos, aquele tipo de amor que se constrói peça por peça, como um quebra-cabeça, no início impossível de construir, confuso demais, mas, com o tempo, nota-se uma imagem linda e simples de ser compreendida.

No começo Emílio enganou Carolina, mas, depois de um tempo, depois que estavam completamente apaixonados, ele contou sobre sua esposa. Espantosamente, Carolina não se importou, ela o amava e sabia que Emílio, ganancioso como só ele, não largaria o dinheiro. Aceitou, portanto, ser a amante, a tão famosa “outra”.

E Gisele, não desconfiava de nada? Muito pelo contrário, ela sabia de tudo, desde os encontros no shopping até os eventuais encontros carnais em lugares mais reservados. Mas ela amava muito Emílio para abandoná-lo e sustentou isso por um tempo, até seu orgulho gritar em sua cabeça dizendo que ela não merecia tal humilhação.

Foi em uma tarde nublada, o vento uivava como uma amante em seu ocasional encontro com o outro, uivava quase tão alto quanto o som do revólver. Dois tiros seguidos, secos, limpos, sem gritos ou correria. Depois, um último disparo, executado da mesma forma. Horas depois encontraram os corpos, um casal de milionários, membros da família mais rica de Barbacena, e uma mulher, até então desconhecida. Disseram que a desconhecida e o milionário eram amantes, e a milionária matou os dois e depois se matou. A polícia deu ao caso o nome de “Os Amantes”.

Eterna Noite de Verão

Era chegado o dia do seu casamento e Demétrio, sabendo que Helena gostava especialmente da cor azul, procurava entre a vegetação selvagem por ramalhetes que pudessem formar um belo arranjo para sua noiva. Helena preenchia sua mente; em tudo via traços seus. Sua presença era tão entrelaçada a sua alma que não se recordava de um tempo em que não a amasse.

Encontrando um arbusto repleto de pequeninas flores azuladas, aproximou-se para sentir seu perfume e, de súbito, simplesmente não soube por que estava ali. Eis que, de entre os galhos, surgiu uma fada que, ofegante, tocou-lhe os dedos.

– Que alívio, enfim encontrei-te. Fadas te procuram por todo o bosque, Demétrio! Que fazes aqui?

– Não sei. Agora percebo, não me recordo de nada desde ontem, quando procurava por Hérmia.

– Espera… Não me digas que inalastes do perfume desta flor… – a criatura arregalou os olhos ao vê-lo assentir. – Estavas sob o efeito de magia, Demétrio! Foste ludibriado por um duende que te fez crer que amavas Helena e com ela se casaria. Passaram-se já quatro dias desde aquela noite e, neste momento, deverias estar com Lisandro à espera da cerimônia.

– Há Lisandro de se casar?

– Sim, casar-se-á com Hérmia, filha de Egeu.

– Como? Ela estava prometida a mim! – gritou, os olhos transbordando de fúria.

– Egeu pensou que tu amasses Helena, por isso permitiu que eles se unissem em matrimônio. Por favor, meu caro, não faças estupidez alguma! Prometes não interromper o casamento e prometo encontrar-te um novo amor.

Demétrio ponderou sobre a proposta. Não queria perder Hérmia, amou-a tanto… Contudo, tinha às vezes a impressão de que esse sentimento crescia nele como erva-daninha no pavimento, persistente, destruindo seu entorno. Além de tudo, seria capaz de viver um amor não correspondido?

– Juro, então, não interferir na felicidade deles desde que cumpras tua palavra.

**Ponto de Vista de Hérmia**

Faltavam algumas horas para a cerimônia. Helena e eu nos preparávamos quando Titânia, a fada que nos ajudara a planejar a festa, adentrou o cômodo. Parando à minha frente, estendeu-me uma coroa de flores silvestres e disse:

– Abençoada seja esta coroa e a mulher que a usar, que possa sabiamente sua família guiar.

Diante de belas palavras, assenti e pus o arranjo ao meu lado, reservando-o exclusivamente para o casório. À Helena, ela entregou um pequeno frasco contendo um líquido cor púrpura e, ternamente, falou:

– Se um dia o mundo quebrar seu coração, teu maior desejo será salvo por esta poção. Antes de tudo, vá e converse com teu noivo, que lá fora te espera.

Helena sorriu em agradecimento silencioso e saiu. Meu casamento seria dali a pouco, antes do dela, por isso adiantei-me ao local designado.

Lisandro me esperava sorridente, assim como eu, através de tantas desventuras, o esperei. E ele jamais me deixou. Quando tomou minha mão, por todo tempo só teve olhos pra mim. E nosso tempo agora duraria para sempre.

Helena não foi tão feliz ao ouvir Demétrio declarar seu desamor e a impossibilidade de casar-se. Tomou a poção e, aparentemente, fora seu desejo mergulhar em sono eterno e profundo. Quem sabe, acordar, num lugar onde é sempre verão.

O AMOR TRAIDOR

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Já fazia algum tempo que não via a Pomba Enamorada, porém ela continuava a mandar cartas falando de sua vida. Ela nem imaginava que eu já sabia de tudo. O Gilvan me contava.

Certo dia, após sair do meu trabalho, bem desgastante, como motorista de ônibus, na rodoviária vi uma mulher que me lembrava alguém, mas, a princípio, não a identifiquei. Aquela moça familiar veio em minha direção e percebi que era a Pomba.

Ela começou a fazer um monte de perguntas, e como não tinha muita paciência, fui curto e grosso, tentando afastá-la. Finalmente consegui me livrar dela. Já havia esquecido como isso era difícil.

A partir desse dia, não tive mais sossego. Tive medo que ela descobrisse meu relacionamento às escondidas com Gilvan. Andava olhando para os lados, por saber que podia encontrá-la.

Em uma tarde, resolvi contar ao meu namorado que a Pomba havia me encontrado. Liguei para ele várias vezes, porém, as tentativas foram falhas. Somente no fim da mesma tarde, recebi uma ligação de Gilvan. Do outro lado, a esposa encontrava-se ao telefone, querendo saber de quem era aquele número que telefonava tantas vezes. Ao perceber o que estava ocorrendo, ficou constrangido e desligou rapidamente.

A Pomba Enamorada confrontou seu marido perguntando se mantinha contato comigo. Ele, sem saber ao certo o que dizer, falou que sim e que saíamos para beber em algumas noites.

Ela associou, imediatamente, esses encontros com as noites em que Gilvan saía sozinho para “esfriar a cabeça”. Porém, ela ainda achava que tinha algo errado e logo pensou que estava, na verdade, sendo traída com uma mulher mais nova, mais bonita e que seu marido me usava como álibi.

Toda sua obsessão, que antes era por mim, agora estava na tentativa de encontrar respostas, sempre fazendo várias perguntas e vendo as mensagens do marido. Toda vez que ele saía, ela o seguia.

No dia seguinte, quando faríamos três anos de namoro, fomos ao cinema ver um filme que estava tendo bastante sucesso e, como sempre, ela nos seguiu, porém não percebemos a tempo de disfarçar. Agimos normalmente, como um casal. Ao final do filme, nos beijamos. A Pomba ficou sem reação. Nesse momento, a vimos e ela saiu correndo.

Não quisemos que a noite fosse arruinada por causa dela. Antes de Gilvan voltar para casa e tentar explicar tudo, fomos jantar, porque estávamos com muita fome.

Ao chegar em casa, as coisas dela não estavam mais lá e havia um recado na geladeira que dizia que tinha ido para casa dos seus pais, pois não aguentava o fato dos dois homens que ela amava tivessem-na traído.

No começo, Gilvan e eu  não soubemos o que fazer, mas depois de um tempo, percebemos que essa foi a melhor maneira de resolver a situação, afinal, não tivemos que falar nada.

A partir de então, essa história é sempre contada nas festas de família e um de nós dois sempre acrescenta detalhes. Esse amor fez mudar um pouco minha personalidade, afinal, eu só era grosseiro com a Pomba.

Mesmo depois de tudo que aconteceu, surpreendentemente, chegam cartas contando a história de uma moça que mora no interior sempre assinadas por: PE.

 

Músicas:

• 1ª música – 50 reais, Maiara e Maraísa, Naiara Azevedo; reação da Pomba Enamorada ao saber o que acontecia. https://www.youtube.com/watch?v=_b-FdGeNcYo

• 2ª música – É de arrepiar, Pixote; o amor vivido pelo casal. https://www.youtube.com/watch?v=BbJFoD7pivw

 

ADEUS

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Ao chegar na rodoviária, a Pomba Enamorada se encosta numa mesa e começa a procurar pelo seu “verdadeiro amor”. Depois de 2 horas de espera, eis que ela vê um homem com um sobretudo marrom e chapéu cinza descendo de um ônibus amarelo, como a moça havia previsto. Ela olhou para ele e quando seus olhares se encontraram, ficaram se encarando por alguns segundos, sem reação alguma. Então Antenor tomou uma atitude: foi em direção a ela. Ela ficou nervosa, com o coração acelerado. Todas as lembranças de Antenor vieram à tona e, logo após isso, ela o escuta chamando por seu nome.

Depois de dez minutos de conversa numa lanchonete próxima dali, ela se esqueceu do nervosismo, do passado, até do marido. Ela só sorria. Depois de horas de uma conversa prazerosa, ele tinha que ir embora. Estava chovendo. Antenor percebeu que não podia deixar aquela dama lá. Ele a chamou para um motel, ela aceitou.

Ao chegar nos seus aposentos, conversaram, beberam um pouco e tiveram uma longa noite de amor.

Quando Antenor acordou, viu que ela não estava mais lá e em seu lugar, havia um papel escrito “adeus”. Ela voltou para casa, viu seus filhos chegando do trabalho e passou o dia com eles, enquanto seu marido trabalhava. Um pouco antes de Gilvan chegar, escreveu uma carta, se despediu de seus filhos e foi embora. Quando seu marido chegou, encontrou um papel em cima do sofá que dizia: “adeus”. E no final de tudo, percebeu que a liberdade era seu verdadeiro amor.

 

Turma: 805

Grupo: Lucas, Ryan e Ruan

Stela me fechou a porta

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Após suas desventuras amorosas e sua jornada de autoconhecimento, Stela descobriu que seu pai deixou-lhe uma enorme herança e, com isso, ela viajou para a Austrália sem dizer nada para Paulo.

Em um dia de chuva, Paulo, que agora era um médico bem sucedido, estava passando próximo a um terminal onde uma moça pediu informações:

– Com licença, você poderia me informar onde ficam os hotéis nessa cidade?

Ela tinha olhos pretos, cabelos escuros, pele mulata e porte médio. Após Paulo ter respondido, ele lhe ofereceu o guarda-chuva e os dois começaram a conversar:

– Qual é o seu nome, senhorita?

– Renata, e o seu?

– Paulo. Você é nova na cidade?

– Sim. Com o que você trabalha, Paulo?

-Sou médico. Você não tem onde ficar, certo? Pode dormir no quarto de hóspedes da minha casa.

– Sério?! Muito obrigada!

Passaram-se três meses de encontros com algumas brigas e eles estavam para casar. Nesse momento Stela voltou de sua viagem, foi para a casa de Madame Graça e perguntou sobre Paulo; ela soube que ele estava para se casar e estava bem sucedido em seu emprego. Stela imediatamente foi à casa de Paulo, agora uma belíssima mansão.

Chegando lá, ela foi recebida por Paulo, que se surpreendeu ao vê-la; ele rapidamente perguntou sobre o local aonde ela tinha ido e perguntou também por que Stela não lhe falou que iria viajar. Ela respondeu:

– Eu achei que se falasse com você, me desmotivaria, possivelmente me fazendo desistir da viagem, já que gosto o suficiente de você a ponto de ficar apenas por isso.

– Deixando isso de lado, você não quer entrar?

Ela entrou e Renata estava lá. Stela perguntou, sentada no sofá, quanto tempo eles estavam juntos. Paulo respondeu que tinham se conhecido há três meses.

– Três meses?! –Stela disse, aumentando o tom de voz.

-Sim, três meses, você tem algum problema com isso? Pois se tiver, retire-se – disse Paulo.

– Essa é a nossa casa, não sua –Disse Renata, já se exaltando – E em quantos caras você aplicou o golpe do baú para viajar para a Austrália ?

– Nenhum! –Exclamou Stela, se retirando.

Depois de um tempo, enquanto o casamento se aproximava, Paulo percebeu como seria caro, mas era tarde demais, já tinha pago por tudo, e pior, havia se desentendido com seu chefe, o que acarretou em sua demissão posteriormente. Afundado em dívidas, ele recebe uma mensagem que acabaria com a vida de qualquer um: Renata, sua amada noiva, estava lhe traindo com um velho mafioso, Don Falcone. Arrasado, ele proferiu as seguintes palavras:

– Renata ingrata, trocou o meu amor por uma ilusão, e nem me avisou antes de eu pagar por tudo!

Então Paulo recorreu a quem um dia já havia sido seu grande amor, Stela. Chegando a casa de Madame Graça, Stela atendeu a porta com uma expressão raivosa e ele logo começou a falar:

– Me desculpe, você estava certa sobre eu ter me apressado no casamento e… – De repente ele foi interrompido pelo som rígido da porta batendo e se fechando na sua frente.

A reação de Stela o deixou desolado, e começou a andar perdido, sem rumo algum, como o vento…