Tobias

fotofanfic   

    Meu nome é Carolina, tenho 21 anos e estou em meu último ano na faculdade de música. Meus amigos me acham uma menina atraente, mas eu acho minha pele branca e cabelos negros sem graça.

    – Carol! – disse minha amiga, Rafaela – essa sua tosse está impossível… Já disse para você ir ao médico.

    Bufei. Para ela era fácil dizer, ela tinha dinheiro. Já eu tinha que esperar no mínimo três horas em uma UPA qualquer. Tudo na minha vida era assim mesmo, coração em um quartinho perto da faculdade e só estou na mesma por concurso público. Tinha lá os meus devaneios com uma vida melhor, mas era só.

    –  Eu vi hoje você cheia de ciúmes do Tobias com as alunas da manhã… Desiste disso amiga, ele é nosso professor – disse Rafa. 

   – Rafa, você podia, favor, parar com isso? Ninguém manda no coração, infelizmente… 

    Depois da minha resposta, a porta se abriu e então ele entrou com o casaco de sempre, porém mais lindo do que nunca. Era impossível conter o sorriso.

    -Bom dia, turma! Paramos onde na aula passada?

                                                               DUAS SEMANAS DEPOIS

    Eu estou calada no banco carona do carro da Rafa. Eu não tinha condições de fazer nada, apenas esperar a minha inevitável…

     -Eu falo com os meus pais, a gente paga o tratamento, Carol.

     -Não! Me deixe em casa e obrigada por me levar no médico.

      Rafa não respondeu, só suspirou, frustrada. Sabia que era melhor, eu já não tinha mais objetivo mesmo… Me restava viver só mais um pouquinho, só mais um pouquinho. Como eu iria contar para os meus pais que eu estava com tuberculose em estado avançado? Melhor nem contar! 

                                                                   QUATRO MESES DEPOIS 

        Hoje fazem exatamente quatro meses que não vou para a faculdade… Quatro meses sem ver o Tobias.

        Antes a Rafa vinha me ver, mas com a minha reclusão, acho que ela já entendeu que não quero papo. Na última vez em que a vi, entreguei uma carta para ela dar a Tobias. Só realmente em minha cabeça que ficamos juntos.

       Todos os dias eu penso em uma vida refeita ao lado dele. Aqueles olhos castanhos, pele clara, ombros largos… Tenho ciúmes de qualquer menina, mulher ou senhora que chegue pertinho dele, mesmo que em vão…

        -Ai,ai, Tobias, Já pensou? Já imaginou nós dois juntos?

       Levantei da cama com dificuldade, peguei uma foto minha e da Rafa em mãos, ao lado uma foto de minha família. Deixei tanta coisa para trás…

       Foi nessa hora que eu senti um aperto no peito, mas era algo diferente, não era amor nem saudade, era dor. A minha respiração falhou de uma forma pior do que eu já estava acostumada. Minhas pernas bambearam e eu caí de costas no chão. Nesse instante eu soube que era a minha hora. Fechei os olhos e focalizei o meu pensamento no melhor da minha vida… Tobias!

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O Bilhete de Amor

tumblr_static_tumblr_m5gh75eqot1r1jbp8o1_400_large      No relógio estava marcando uma e quarenta e cinco, estava faltando quinze minutos para o meu primeiro encontro com a Marina. Mesmo que ainda faltassem alguns minutos, eu já estava esperando-a no nosso ponto de encontro, o relógio grande da praça. Cada vez que o ponteiro andava marcando a passagem do tempo eu ficava mais nervoso; e se ela tivesse desistido de me encontrar? E se ela não gostasse de mim de verdade? Sempre que pensava nessas possibilidades a minha mente ficava mais bagunçada e mais borboletas no meu estômago surgiam.

Depois de uns dez minutos, Marina chegou, ela estava muito bonita, como sempre. Suas vestimentas eram simples, talvez essa fosse uma das características de que eu mais gostasse nela, era uma menina simples que não chamava atenção, mas ainda assim tinha um brilho especial.

– Eu finalmente cheguei! Você estava me esperando por muito tempo? – ela me perguntou com um sorriso no rosto.

– Não muito. – respondi acenando com a cabeça – Eu estou feliz que você esteja aqui. Para onde vamos? O que vamos fazer?

– Vamos passear um pouco! Gosto muito de caminhar por essa praça, sempre venho com o meu pai ou sozinha.

Andamos um pouco enquanto conversávamos até pararmos em uma lojinha onde tinha um senhor vendendo sorvete.

– Oi, tio! – Marina o cumprimentou com um grande sorriso (com certeza, o sorriso dela era o mais bonito de todos).

– Oi, Marina! – pelo jeito eles já se conheciam – Quem é esse seu amigo? Estão se divertindo?

– O nome dele é Pitu! Ele é o meu namorado!

Ao ouvir aquilo não pude deixar de corar, era a primeira vez que alguém me chamava de “namorado”.

– Prazer em conhecê-lo, Pitu!- Ele me cumprimentou, parecia ser bem gentil.

– Ah! Er… Prazer. – eu estava nervoso.

– Espero que cuide bem da Marina, ela é uma garota muito especial. Sim, ela é.

– Certo.

Quando olhei para Marina, vi que ela estava olhando a tabela de preços e sabores enquanto contava algumas moedas.

– Está tudo bem? – perguntei, pois pude ver que seu sorriso havia sumido.

– Eu queria comprar sorvete de chocolate para nós dois, mas não tenho dinheiro suficiente – eu queria ajudá-la, coloquei a mão no bolso de trás do meu short na esperança de encontrar algumas moedinhas, porém não havia nada.

– Não se preocupe com isso! – o senhor da lojinha estava nos olhando, com dois sorvetes de chocolate na casquinha em suas mãos, ele estava nos dando de graça – Hoje é um dia especial para vocês, divirtam-se!

– Obrigada, tio!

– Muito obrigado, senhor!

Depois disso, fomos até o parquinho, porém, enquanto caminhávamos até o local, Marina deixou seu sorvete cair acidentalmente no chão; reparei que ela ficou triste e então ofereci o meu para ela, ela não aceitou, então resolvemos dividir.

Ao chegarmos ao parquinho, fomos para os balanços e ficamos por lá conversando, ficamos nos balançando e competindo pra ver quem ia mais alto. Marina era meio competitiva e desajeitada, quase caiu do balanço umas duas vezes.

– Você e aquele senhor se conhecem há muito tempo? – Perguntei.

– Está falando do senhor da lojinha de sorvete? – ela olhou para mim e confirmei acenando com a cabeça – O nome dele é José, ele cuidou de mim durante… Um problema. – Marina ficou meio triste depois disso. Será que falei alguma coisa errada?

– A verdade é que… A minha mãe morreu faz dois anos, ela tinha câncer, o tratamento era caro e… – algumas lágrimas se formaram em seus olhos, fui até ela e a abracei.

– Está tudo bem, não precisa falar mais nada. – tentei reconfortá-la. – O dia hoje foi muito bom! Vamos sair juntos mais vezes, amanhã no mesmo horário? – perguntei.

– Claro! – ela me respondeu sorrindo, o seu sorriso era, com certeza, o mais bonito.

 

Fernando e Fernanda (continuação)

amor

Passados vinte cinco anos, o sentimento entre Fernando e Fernanda era o mesmo, embora estivesse adormecido em seus corações.

Fernando levava sua vida tranquilamente, viajando o mundo e ficando cada vez mais famoso como médico. Nossa querida Fernanda passou a vida dando sorrisos falsos, à espreita de Soares, que se tornou um marido ciumento e agressivo.

A família, antes tão unida, se via totalmente afastada.

Fernando visitava a Itália no momento que recebeu a notícia que o deixou completamente desnorteado e o fez voltar imediatamente para o Rio de Janeiro: Madalena morrera.

Fernanda cortava batatas quando o telefone tocou. Não conseguia parar de chorar, não conseguia aceitar que nunca mais veria a sua mãe.

No enterro, Fernando e Fernanda quase não reconheciam seus rostos, ¨flashes¨ de suas infâncias passavam em suas cabeças. Até que os olhares dos antigos amantes se encontraram. Seus corações foram tomados por sentimentos que nem os próprios conseguiam explicar. Saudade, remorso e tudo mais misturado.

Quando foram repartir a herança, foi impossível evitar a conversa. Depois de tantos olhares, os dois ¨irmãos¨ mataram a curiosidade. Conversaram sobre suas vidas, tão vazias até então, relembraram a infância e, com as memórias, afloraram diversos sentimentos, tão puros no passado, tão intensos agora. Um, em especial, se destacava: o amor.

De um instante para o outro suas mãos estavam grudadas como se fossem feitas uma para a outra. No calor do momento, o inesperado aconteceu: um beijo.

Depois daquilo, os dois não conseguiam se encarar mais. O ar começou a ficar escasso naquela sala de espera do escritório. Até que Fernanda decidiu voltar para casa. Sua cabeça parecia um emaranhado de pensamentos.

No escritório, Fernando só conseguia pensar naquele beijo e, tomado pela loucura, abriu mão de toda a sua parte da herança para Fernanda e decidiu se divorciar de sua esposa.

Ao chegar a casa, Fernanda se deparou com um envelope rosa, que não via há muito tempo; era uma carta de Madalena, escrita um dia antes de sua morte. Na carta, ela pedia a Fernanda uma única coisa: que seguisse seu coração.

Com os olhos encharcados de água, foi correndo para os braços de seu único amor, mais conhecido como Fernando.

Um ano depois da morte de Madalena, já divorciados, os dois amantes estavam novamente na casa de sua infância, dessa vez, finalmente, casando.