A Volta de Carolina

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Após Emílio atirar em Carolina e depois em si mesmo, os vizinhos chegaram, porém ele não estava morto. Foi levado a tempo  para o hospital e passou algumas semanas por lá. Usou este período para pensar sobre seus atos; já do outro lado, Carolina morreu de fato, e podia entrar por duas portas: uma que dava para uma cidade de casas douradas; outra que dava para Emílio, para que pudesse ao menos vê-lo pela última vez antes de ir para sempre.

Carolina entrou na porta e saiu em Paris, perto da casa onde morava Emílio, escondeu-se para que ele não a visse. Quando Emílio chegou estava acompanhado da vizinha, ela dizia algo sobre como era amiga de Carolina e queria ajudá-lo no que pudesse. Emílio pensou que Carolina foi o amor da vida dele, porém ela já se foi, a moça devia ter esperado a hora dele e não ele que deveria se apressar para acompanhá-la. Decidiu então convidar a vizinha para sair, seu nome era Marta. Foram para um restaurante caro, ela era rica, divertiram-se com a história um do outro e voltaram, cada um para sua casa, porém a casa da vizinha estava toda bagunçada com os móveis virados, a louça quebrada, as roupas jogadas no chão, entre outras coisas, Carolina havia tido um ataque de ciúmes. Marta foi para outra casa mais longe dali. Emílio tinha gostado dela e a convidou para sair outra vez, ele foi buscá-la em sua casa e a mulher tinha preparado um jantar para os dois.

Carolina, com medo de eles se apaixonarem, havia seguido Emílio até a casa de Marta e entrou escondida para os observar com a finalidade de atrapalhar um possível envolvimento. Após algum tempo, ela começou a mexer os móveis para assustá-los e eles, achando que era algum ladrão, foram checar, mas não acharam ninguém e voltaram para a mesa. Emílio sentia como se algo estivesse errado, pediu licença e foi ao banheiro. Encontrou Carolina, ficou muito assustado, pois já fazia tempo que ela tinha morrido. A moça disse que Emílio estava a traindo e achou que ele a amava. Emílio respondeu que devia seguir sua vida e esperar sua morte natural. Ela disse que queria  estar com ele na cidade dourada, porém Emílio não podia ir, queria seguir sua vida com Marta, prometeu que não teria relações com ela e se guardaria para Carolina. Assim, ela foi para a cidade dourada a espera de Emílio.

Os anos foram se passando e a tuberculose desenvolveu-se no corpo de Emílio, que morreu dormindo, sem sofrimento. Entrou na porta da cidade dourada e encontrou Carolina, que o esperava amorosamente.

O Bilhete do Amor

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No final de semana eles se encontraram na praça para se conhecerem melhor, trocaram seus números e despediram-se com abraços. Na semana seguinte se encontram novamente eles começaram a se apaixonar mais e mais; até que em uma tarde ensolarada, os dois não conseguiam mais esconder os seus sentimentos, e deram seu primeiro beijo, muito esperado pelo casal.

Quando os dois tinham 17 (dezessete) anos, foram estudar no exterior, ele em Nona York e marina em Boston, mas sempre que podiam eles se encontravam, pois nenhuma distância pode acabar com o amor verdadeiro.

Terminaram a faculdade com 22 anos e Pitu pediu-a em casamento, um (1) ano depois eles casaram na praia (lugar sonhado pelos dois fazia tempo) a festa foi até o por do sol o casal passou a noite na praia para tirar fotografias ao nascer do sol.

A lua de mel foi em paris onde se divertiram muito, de lá foram para suas novas vidas.

Quando chegaram em casa tiveram uma grande surpresa Marina estava grávida. Com o passar dos nove meses, a filha deles nasceu a muito esperada Letícia.

Meses depois, eles andavam de carro, e houve um acidente, em que Marina ficou gravemente ferida e entrou em coma durante dois anos, ao sair do coma Marina não se lembra de nada de sua vida para tristeza de todos. Pitu faz de tudo para fazer sua esposa olhar sua família como olhava antes, em ver que todo o esforço seria em vão Pitu, fica muito triste e a única coisa que o faz seguir a diante é o amor pela sua filha e sua esposa.

Como sempre, muito insistente, continua tentando de tudo para reconquistar Marina, a leva na praça onde ocorreu o primeiro beijo. Aos poucos Marina vai se lembrando de sua história, de seu marido, de sua filha.

Dois (2) anos depois Marina estava completamente curada com sua memória toda restaurada e Pitu estava com as suas amadas.

Pitu e Marina tiveram mais duas meninas e viveram o resto de suas vidas muito felizes.

O Bilhete de Amor

tumblr_static_tumblr_m5gh75eqot1r1jbp8o1_400_large      No relógio estava marcando uma e quarenta e cinco, estava faltando quinze minutos para o meu primeiro encontro com a Marina. Mesmo que ainda faltassem alguns minutos, eu já estava esperando-a no nosso ponto de encontro, o relógio grande da praça. Cada vez que o ponteiro andava marcando a passagem do tempo eu ficava mais nervoso; e se ela tivesse desistido de me encontrar? E se ela não gostasse de mim de verdade? Sempre que pensava nessas possibilidades a minha mente ficava mais bagunçada e mais borboletas no meu estômago surgiam.

Depois de uns dez minutos, Marina chegou, ela estava muito bonita, como sempre. Suas vestimentas eram simples, talvez essa fosse uma das características de que eu mais gostasse nela, era uma menina simples que não chamava atenção, mas ainda assim tinha um brilho especial.

– Eu finalmente cheguei! Você estava me esperando por muito tempo? – ela me perguntou com um sorriso no rosto.

– Não muito. – respondi acenando com a cabeça – Eu estou feliz que você esteja aqui. Para onde vamos? O que vamos fazer?

– Vamos passear um pouco! Gosto muito de caminhar por essa praça, sempre venho com o meu pai ou sozinha.

Andamos um pouco enquanto conversávamos até pararmos em uma lojinha onde tinha um senhor vendendo sorvete.

– Oi, tio! – Marina o cumprimentou com um grande sorriso (com certeza, o sorriso dela era o mais bonito de todos).

– Oi, Marina! – pelo jeito eles já se conheciam – Quem é esse seu amigo? Estão se divertindo?

– O nome dele é Pitu! Ele é o meu namorado!

Ao ouvir aquilo não pude deixar de corar, era a primeira vez que alguém me chamava de “namorado”.

– Prazer em conhecê-lo, Pitu!- Ele me cumprimentou, parecia ser bem gentil.

– Ah! Er… Prazer. – eu estava nervoso.

– Espero que cuide bem da Marina, ela é uma garota muito especial. Sim, ela é.

– Certo.

Quando olhei para Marina, vi que ela estava olhando a tabela de preços e sabores enquanto contava algumas moedas.

– Está tudo bem? – perguntei, pois pude ver que seu sorriso havia sumido.

– Eu queria comprar sorvete de chocolate para nós dois, mas não tenho dinheiro suficiente – eu queria ajudá-la, coloquei a mão no bolso de trás do meu short na esperança de encontrar algumas moedinhas, porém não havia nada.

– Não se preocupe com isso! – o senhor da lojinha estava nos olhando, com dois sorvetes de chocolate na casquinha em suas mãos, ele estava nos dando de graça – Hoje é um dia especial para vocês, divirtam-se!

– Obrigada, tio!

– Muito obrigado, senhor!

Depois disso, fomos até o parquinho, porém, enquanto caminhávamos até o local, Marina deixou seu sorvete cair acidentalmente no chão; reparei que ela ficou triste e então ofereci o meu para ela, ela não aceitou, então resolvemos dividir.

Ao chegarmos ao parquinho, fomos para os balanços e ficamos por lá conversando, ficamos nos balançando e competindo pra ver quem ia mais alto. Marina era meio competitiva e desajeitada, quase caiu do balanço umas duas vezes.

– Você e aquele senhor se conhecem há muito tempo? – Perguntei.

– Está falando do senhor da lojinha de sorvete? – ela olhou para mim e confirmei acenando com a cabeça – O nome dele é José, ele cuidou de mim durante… Um problema. – Marina ficou meio triste depois disso. Será que falei alguma coisa errada?

– A verdade é que… A minha mãe morreu faz dois anos, ela tinha câncer, o tratamento era caro e… – algumas lágrimas se formaram em seus olhos, fui até ela e a abracei.

– Está tudo bem, não precisa falar mais nada. – tentei reconfortá-la. – O dia hoje foi muito bom! Vamos sair juntos mais vezes, amanhã no mesmo horário? – perguntei.

– Claro! – ela me respondeu sorrindo, o seu sorriso era, com certeza, o mais bonito.

 

Uma paixão por baixo de uma ilusão

Geraldo era um homem pobre, grosso, forte, de braços cabeludos. Com esse físico, qualquer pessoa jamais imaginaria que ele era realmente um estudante de medicina. Morava em uma pequena casa de frente para o mar e todos os dias acordava bem cedo para ir à casa de banho conversar com os banhistas e nadar, a fim de se tonificar pelo resto do dia para os estudos.

Um dia, quando estava em um corredor conversando com Nicolau, uma dama loira saiu de um quarto, chamou Geraldo pensando que o mesmo era um banhista e o convidou para banhá-la em troca de dinheiro. Ele pensou em se passar por banhista, não pelo dinheiro, mas sim por amor. Então ele se apresentou como Tulio e a acompanhou até o oceano.

Os dias foram se passando e Alda (a dama loira) e Geraldo foram ficando mais íntimos, até que um dia Alda descobriu que ele não sabia ler. Alda decidiu, então,  oferecer aulas grátis para ele em sua casa, à noite. No dia seguinte Geraldo compareceu à casa de Alda e, enquanto “estudava”, se aproveitava da situação para tentar algo com ela, mas Alda se sentiu muito pressionada e o mandou ir embora.

Geraldo ficou um pouco furioso e pensou em contar a verdade sobre ele, mas como a intenção do rapaz era conseguir algo com a linda dama, decidiu seguir em frente com o pensamento de conquistá-la.

Dias depois, Geraldo foi novamente a casa de seu amor para mais um dia de estudo e, aproveitando um momento de maior proximidade, agarrou Alda no meio da aula. Eles começaram a se beijar sem parar até que, desesperadamente, Alda implorou-lhe para não contar o ocorrido para ninguém; depois eles voltaram a se beijar e assim ficaram até o final da noite.

Senador Eleutério, mais “protetor” do que amante de Alda, acabou descobrindo o caso entre ela e Geraldo e resolveu mandá-la para Europa para ver se dava um fim aos encontros furtivos. Alda ficou triste e lhe implorou para que não fizesse isso, mas foi em vão. Então resolveu contar para Geraldo e esse decidiu que aquela era a hora de contar a verdade, e assim foi. Ao se dar conta de toda a farsa, Alda ficou surpresa e indecisa sobre o que iria fazer, até que decidiu mandá-lo embora.

Alda passou bastante tempo refletindo sobre o que tinha acontecido no dia anterior. Depois de muito pensar, chegou à conclusão que iria escrever uma carta para Geraldo se desculpando e sugeriu a ele que saíssem do Rio de Janeiro, já que ainda faltava uma semana para seu protetor levá-la para fora do país. Geraldo leu a carta, lhe respondeu e, um dia depois, foi até a casa de Alda. Esperou que Eleutério saísse por um tempo e levou Alda para sua casa, a fim de aguardar o dia em que iriam viajar.

O senador Eleutério, assim que notou a ausência de sua protegida, contratou detetives para descobrir onde ela tinha ido. Os detetives acharam a carta de Geraldo e foram direto para sua casa, mas quando chegaram lá não encontraram nada, pois Geraldo os viu chegando e saiu com Alda pela porta dos fundos.

A bela dama loira e o estudante de medicina não sabiam o que fazer naquele momento, então Alda lembrou que o senador guardava um dinheiro em sua conta para emergências; Geraldo sugeriu viverem uma nova vida na Itália, pois ele dominava essa língua, porque se ambos continuassem no Brasil o senador ia fazer de tudo para achá-la. Os dois decidiram ir para fora do país para viver uma nova vida amorosa. Durante a viagem, Alda refletia que não importa se a pessoa é realmente o que diz ser ou não, pois se ela te ama irá te amar de qualquer jeito.

https://www.letras.mus.br/nicky-jam/el-perdon/traducao.html

Alfredo me abriu a caixa

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Eu e Alfredo estávamos parados naquela ponte, nos encarávamos como se nossa vida dependesse disso. Quando eu estava prestes a me virar e ir embora, começou a chover. Eu não me importava com isso, mas ele sim. Alfredo insistiu para que fossemos para sua casa, pois era mais perto e eu poderia pegar uma gripe com aquela chuva gelada.

Ao chegar a casa, Alfredo me entregou um roupão para usar sobre a roupa molhada e um copo de chocolate quente, eu agradeci e me sentei na poltrona, que ficava bem em frente ao sofá em que ele se encontrava. Novamente, como se estivéssemos na ponte, voltamos a nos encarar. Estava um silêncio constrangedor, que foi quebrado quando sua voz grave disse:

– Por que você ia me deixar, Stela?

– Você não iria me entender, Alfredo.

– Talvez Stela, talvez eu entenda, só me explique, por favor… – ele suplicava, então resolvi contar o por que.

– Antes de nós começarmos a namorar, eu acho que você já deve ter imaginado isso, eu tive outros namoros ou casos, chame como preferir. E, em todos eles, eu não estou generalizando, literalmente, em todos eles, quando eu contava o meu sonho de viajar pelo mundo, no meu barco, todos diziam relativamente a mesma coisa: “Desculpe, mas acho que deveríamos terminar aqui” e eu perguntava o porquê, e a resposta era quase sempre a mesma: “Por nada , só não combinamos tanto assim”. Eu te contei meu sonho Alfredo, e eu fiquei com medo de você me abandonar, como todos os outros. Então eu pensei, antes que ele me abandone, eu vou o abandonar primeiro. Você entende agora? Entende por que eu quase te deixei? – quando eu terminei minha história, algumas lágrimas já molhavam o meu rosto. Eu achei que ele fosse rir de mim quando eu acabasse minha história, mas o que ele fez me surpreendeu muito, ele me abraçou. Abraçou-me e disse algo que me deixou muito surpresa:

– Stela você gostaria de viajar pelo mundo comigo?

Alguns meses depois…

A Itália era incrivelmente bonita, o Alfredo realmente não tinha sido como meus outros namorados, ele era mil vezes melhor. Itália era o quarto país que visitávamos com o nosso barco.

Estávamos passeando por Roma, quando paramos em uma ponte extremamente parecida com a que quase terminamos, um sentimento de nostalgia me atingiu, eu fiquei um pouco triste e Alfredo disse algo que só piorou tudo:

– Preciso falar algo bem sério com você Stela.

– O que você precisa falar comigo Alfredo? – perguntei, receando uma resposta.

Ele simplesmente me virou as costas. Para mim já estava claro o que ele queria dizer, me virei chorando e quando dei o primeiro passo para ir embora sinto mãos me envolverem em um abraço e alguém sussurrar em meu ouvido:

– Eu nunca te deixaria Stela, você sabe disso. Quer casar comigo? – eu me viro com um enorme sorriso no rosto, e vejo Alfredo com uma caixa que continha um lindo anel dentro.

– Casar com você?! Sim Alfredo! Claro que eu aceito. Eu te amo!

– Eu também Stela! Eu também te amo!

O outro lado da verdade

Desperate blonde reaching for boyfriend against blackboard

Antenor voltara ao trabalho, já estressado pensando no baile de primavera ao qual teria de ir acompanhando sua namorada. Ele odiava esse tipo de festa, mas Isabella havia lhe implorado tanto que ele acabou cedendo.

Chegaram um pouco atrasados, devido ao pequeno trânsito e à demora de Isabella para se arrumar. Assim que chegaram, a moça foi falar com uns conhecidos, deixando Antenor de lado.

Menos de dois minutos após ser deixado por Isabella, uma garota meio baixa, de cabelos loiros, olhos castanhos e com uma expressão de nervosismo veio falar com ele. Antenor, que nunca levara jeito para socializar e já estava estressadíssimo, fez alguns comentários rudes, que ele esperava que tivessem soado como piadas, apesar de terem um quê de verdade, e se retirou para fumar.

Pouco depois achou Isabella, que já estava cansada de tanto dançar valsa, e a convenceu a ir embora para casa, pois tinha que trabalhar na manhã seguinte.

Na volta do baile, ocorreu a discussão de sempre: “Por que não para de fumar?”, “Você nunca se manterá em um trabalho”, “Espero que esse dê certo”, “E as contas para pagar?”. Esse era o bate-boca diário.

A manhã do dia seguinte foi comum. Transporte cheio, típica manhã da General Osório. Sorte a dele que a loja em que trabalhava ficava em uma rua próxima, mas bem menos movimentada, e até um pouco difícil de achar. Pelo menos era o que todos diziam, e o que Antenor pensava, até que viu a mesma garota da noite anterior, que falara com ele no baile, entrando pela porta. Decidiu fingir que não a conhecia, afinal devia ter vindo para comprar algo. Não, dessa vez, ela havia ido procurá-lo, pelo que aparentava. “Meu Deus! Tanto trabalho só para ver minha pessoa? Acho que não”, era o que pensava Antenor, mas a menina parecia se esforçar para demonstrar o contrário. “Agradeço a visita, qualquer hora dessas dou uma ligada”, mas não ligou. Não que precisasse, já que a menina ligava para o trabalho de Antenor e desligava após ouvir o “Alô?” quase todo dia, umas três vezes.

Antenor chegava a casa já irritado, ainda tendo que lidar com os ciúmes de Isabella por essa garota que nenhum dos dois sabia ao certo quem era. Chamava se Aline, ou Amanda, alguma coisa com A e trabalhava ali no salão mesmo.

Mais ligações nos dias que se seguiram, Antenor já gritava ao telefone, independentemente de quem fosse do outro lado da linha. Recebeu mais uma, duas, cinco ligações e, pelo que aparentava, também havia um amigo da garota envolvido. “Estou comprometido, se um dia me der na telha, EU MESMO TELEFONO!”, gritou pela última vez. Depois de tanto transtorno e gritaria, ao ser chamado pelo chefe, não precisou nem adivinhar quem era. “Eu mesmo me retiro”, respondeu com voz baixa, assim que entrou. Orgulhoso como era, preferia se retirar a ser retirado. Chegando a casa, a briga foi feia. Isabella, com sua cabeça quente e temperamento explosivo, chegou a quebrar alguns copos. Chamaram a polícia. “Nada de mais, senhor policial”, dizia Isabella, um pouco envergonhada. Depois disso, sem gritaria. Uma ignorada aqui, uma troca de olhares de raiva e tristeza ali, um beijo rápido e frio e um boa noite seco. Afinal, não é bom dormirem brigados.

Já se passavam dias, após o episódio do telefone, sem mais ligações. Mas vinham diversas cartas. Todas falando quase a mesma coisa. “Esse relacionamento não lhe faz bem”, “Pode arranjar coisa melhor, como eu”, “Eu te amo mais que tudo” e alguns versos bonitos de uma música, poema ou livro.

Mais algumas cartas, mais alguns presentinhos, mais alguns dias. Num belo fim de tarde chuvoso, lá estava a menina. Toda encharcada, parecendo um cão que caiu do caminhão, esperando Antenor sair do serviço novo.

Antenor, que não pôde deixar de sentir pena, abrigou a garota embaixo de seu guarda-chuva surrado, levou-a para o ponto e a colocou dentro do ônibus.

A menina estava ficando desesperada. A fofoca na vizinhança se espalhava rapidamente. Foi até procurar Alzira, a velha do bairro que mexia com magia negra, pelo menos era o que diziam. E para isso Antenor respondia: “não poderia me importar menos”, afinal, dali a alguns meses  se casaria com sua amada.

Fora os transtornos e fofocas que a garota trazia para sua vida, estava tudo muito bem para Antenor. Casamento marcado para muito breve. Ansioso. Nervoso. O trabalho pelo menos estava fixo até agora. As contas, pagas. E olhe só, não fumava há quase um mês.

Finalmente se casou. Feliz da vida, os anos foram passando. Lugares diferentes, empregos diferentes, nada que atrapalhasse o amor do casal. As contas continuavam pagas, houve recaídas, mas já era o segundo semestre sem um cigarro na boca. Mais alguns meses, e veja! São gêmeos! Ainda recebia cartas de vez em quando, a menina se casou com Gilvan, grande amigo, “baita salvação que ele foi”. “Deve ter criado um apego por mim”, pensava Antenor, ao receber as cartas da menina que falavam sobre a vida dela, e como ela havia seguido em frente, recebia um pedido de desculpas em todas elas. No entanto, mal sabia ele que ela estaria a esperá-lo na estação no próximo domingo.

 

 

 

 

 

Música: https://www.vagalume.com.br/coldplay/shiver-traducao.html

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fernando e Fernanda (continuação)

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Passados vinte cinco anos, o sentimento entre Fernando e Fernanda era o mesmo, embora estivesse adormecido em seus corações.

Fernando levava sua vida tranquilamente, viajando o mundo e ficando cada vez mais famoso como médico. Nossa querida Fernanda passou a vida dando sorrisos falsos, à espreita de Soares, que se tornou um marido ciumento e agressivo.

A família, antes tão unida, se via totalmente afastada.

Fernando visitava a Itália no momento que recebeu a notícia que o deixou completamente desnorteado e o fez voltar imediatamente para o Rio de Janeiro: Madalena morrera.

Fernanda cortava batatas quando o telefone tocou. Não conseguia parar de chorar, não conseguia aceitar que nunca mais veria a sua mãe.

No enterro, Fernando e Fernanda quase não reconheciam seus rostos, ¨flashes¨ de suas infâncias passavam em suas cabeças. Até que os olhares dos antigos amantes se encontraram. Seus corações foram tomados por sentimentos que nem os próprios conseguiam explicar. Saudade, remorso e tudo mais misturado.

Quando foram repartir a herança, foi impossível evitar a conversa. Depois de tantos olhares, os dois ¨irmãos¨ mataram a curiosidade. Conversaram sobre suas vidas, tão vazias até então, relembraram a infância e, com as memórias, afloraram diversos sentimentos, tão puros no passado, tão intensos agora. Um, em especial, se destacava: o amor.

De um instante para o outro suas mãos estavam grudadas como se fossem feitas uma para a outra. No calor do momento, o inesperado aconteceu: um beijo.

Depois daquilo, os dois não conseguiam se encarar mais. O ar começou a ficar escasso naquela sala de espera do escritório. Até que Fernanda decidiu voltar para casa. Sua cabeça parecia um emaranhado de pensamentos.

No escritório, Fernando só conseguia pensar naquele beijo e, tomado pela loucura, abriu mão de toda a sua parte da herança para Fernanda e decidiu se divorciar de sua esposa.

Ao chegar a casa, Fernanda se deparou com um envelope rosa, que não via há muito tempo; era uma carta de Madalena, escrita um dia antes de sua morte. Na carta, ela pedia a Fernanda uma única coisa: que seguisse seu coração.

Com os olhos encharcados de água, foi correndo para os braços de seu único amor, mais conhecido como Fernando.

Um ano depois da morte de Madalena, já divorciados, os dois amantes estavam novamente na casa de sua infância, dessa vez, finalmente, casando.

 

O AMOR TRAIDOR

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Já fazia algum tempo que não via a Pomba Enamorada, porém ela continuava a mandar cartas falando de sua vida. Ela nem imaginava que eu já sabia de tudo. O Gilvan me contava.

Certo dia, após sair do meu trabalho, bem desgastante, como motorista de ônibus, na rodoviária vi uma mulher que me lembrava alguém, mas, a princípio, não a identifiquei. Aquela moça familiar veio em minha direção e percebi que era a Pomba.

Ela começou a fazer um monte de perguntas, e como não tinha muita paciência, fui curto e grosso, tentando afastá-la. Finalmente consegui me livrar dela. Já havia esquecido como isso era difícil.

A partir desse dia, não tive mais sossego. Tive medo que ela descobrisse meu relacionamento às escondidas com Gilvan. Andava olhando para os lados, por saber que podia encontrá-la.

Em uma tarde, resolvi contar ao meu namorado que a Pomba havia me encontrado. Liguei para ele várias vezes, porém, as tentativas foram falhas. Somente no fim da mesma tarde, recebi uma ligação de Gilvan. Do outro lado, a esposa encontrava-se ao telefone, querendo saber de quem era aquele número que telefonava tantas vezes. Ao perceber o que estava ocorrendo, ficou constrangido e desligou rapidamente.

A Pomba Enamorada confrontou seu marido perguntando se mantinha contato comigo. Ele, sem saber ao certo o que dizer, falou que sim e que saíamos para beber em algumas noites.

Ela associou, imediatamente, esses encontros com as noites em que Gilvan saía sozinho para “esfriar a cabeça”. Porém, ela ainda achava que tinha algo errado e logo pensou que estava, na verdade, sendo traída com uma mulher mais nova, mais bonita e que seu marido me usava como álibi.

Toda sua obsessão, que antes era por mim, agora estava na tentativa de encontrar respostas, sempre fazendo várias perguntas e vendo as mensagens do marido. Toda vez que ele saía, ela o seguia.

No dia seguinte, quando faríamos três anos de namoro, fomos ao cinema ver um filme que estava tendo bastante sucesso e, como sempre, ela nos seguiu, porém não percebemos a tempo de disfarçar. Agimos normalmente, como um casal. Ao final do filme, nos beijamos. A Pomba ficou sem reação. Nesse momento, a vimos e ela saiu correndo.

Não quisemos que a noite fosse arruinada por causa dela. Antes de Gilvan voltar para casa e tentar explicar tudo, fomos jantar, porque estávamos com muita fome.

Ao chegar em casa, as coisas dela não estavam mais lá e havia um recado na geladeira que dizia que tinha ido para casa dos seus pais, pois não aguentava o fato dos dois homens que ela amava tivessem-na traído.

No começo, Gilvan e eu  não soubemos o que fazer, mas depois de um tempo, percebemos que essa foi a melhor maneira de resolver a situação, afinal, não tivemos que falar nada.

A partir de então, essa história é sempre contada nas festas de família e um de nós dois sempre acrescenta detalhes. Esse amor fez mudar um pouco minha personalidade, afinal, eu só era grosseiro com a Pomba.

Mesmo depois de tudo que aconteceu, surpreendentemente, chegam cartas contando a história de uma moça que mora no interior sempre assinadas por: PE.

 

Músicas:

• 1ª música – 50 reais, Maiara e Maraísa, Naiara Azevedo; reação da Pomba Enamorada ao saber o que acontecia. https://www.youtube.com/watch?v=_b-FdGeNcYo

• 2ª música – É de arrepiar, Pixote; o amor vivido pelo casal. https://www.youtube.com/watch?v=BbJFoD7pivw