O Bilhete do Amor

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No final de semana eles se encontraram na praça para se conhecerem melhor, trocaram seus números e despediram-se com abraços. Na semana seguinte se encontram novamente eles começaram a se apaixonar mais e mais; até que em uma tarde ensolarada, os dois não conseguiam mais esconder os seus sentimentos, e deram seu primeiro beijo, muito esperado pelo casal.

Quando os dois tinham 17 (dezessete) anos, foram estudar no exterior, ele em Nona York e marina em Boston, mas sempre que podiam eles se encontravam, pois nenhuma distância pode acabar com o amor verdadeiro.

Terminaram a faculdade com 22 anos e Pitu pediu-a em casamento, um (1) ano depois eles casaram na praia (lugar sonhado pelos dois fazia tempo) a festa foi até o por do sol o casal passou a noite na praia para tirar fotografias ao nascer do sol.

A lua de mel foi em paris onde se divertiram muito, de lá foram para suas novas vidas.

Quando chegaram em casa tiveram uma grande surpresa Marina estava grávida. Com o passar dos nove meses, a filha deles nasceu a muito esperada Letícia.

Meses depois, eles andavam de carro, e houve um acidente, em que Marina ficou gravemente ferida e entrou em coma durante dois anos, ao sair do coma Marina não se lembra de nada de sua vida para tristeza de todos. Pitu faz de tudo para fazer sua esposa olhar sua família como olhava antes, em ver que todo o esforço seria em vão Pitu, fica muito triste e a única coisa que o faz seguir a diante é o amor pela sua filha e sua esposa.

Como sempre, muito insistente, continua tentando de tudo para reconquistar Marina, a leva na praça onde ocorreu o primeiro beijo. Aos poucos Marina vai se lembrando de sua história, de seu marido, de sua filha.

Dois (2) anos depois Marina estava completamente curada com sua memória toda restaurada e Pitu estava com as suas amadas.

Pitu e Marina tiveram mais duas meninas e viveram o resto de suas vidas muito felizes.

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Sonho de uma tarde de inverno

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Sempre fui muito impulsiva. Isso me custou muito, mas talvez tenha me proporcionado a melhor parte de toda uma vida.

Tudo começou em uma tarde de inverno, quando vi um homem que aparentava ter cerca de vinte e cinco anos sendo linchado por um grupo de moradores atenienses. Pude perceber que o jovem trajava típicas roupas espartanas. Entendi então o motivo de tal violência: Esparta e Atenas estavam em guerra e aqueles moradores achavam que se tratava de um espião. Espartano ou não, se tratava de uma vida, não podia deixar que aquilo continuasse.

– Saiam de perto do meu irmão! – gritei com toda a força que pude, forçando algumas lágrimas para trazer mais vivacidade a minha atuação repentina – Meu pobre irmão voltava de Esparta para se juntar a nós na guerra e vocês o recebem desta maneira? Por acaso têm alguma prova de que ele é um espião? – o silêncio constrangedor entre eles me foi bastante satisfatório – Pois peçam-lhe desculpas e voltem para suas casas!

Depois da confusão, levei o rapaz até minha casa para cuidar-lhe e saber mais sobre sua história. Disse-me que se chamava Netuno e viera a Atenas em busca de estudo mais avançado. Jurou que não me faria mal algum e pediu ajuda e abrigo, estava completamente perdido na nova cidade. Permiti, contanto que também trabalhasse para suprir a casa.

Com o passar dos meses, tornamo-nos de amigos a namorados, e depois noivos. Foi então que me contou toda a verdade: era de fato um espião. Entretanto, sua honra não o permitia que fizesse qualquer coisa que me prejudicasse. Agora apaixonado, estava disposto a lutar contra qualquer espartano que ousasse nos afastar. Eu podia ver sinceridade em seus olhos, mas era doloroso demais saber que tudo era mentira. Fugi para a floresta, ignorando suas súplicas.

– O que faz aqui, humana? Será que já não basta destruírem nosso lar para dar continuidade a essa guerra inútil? Vocês não são os únicos moradores dessa terra! – gritou com voz potente a pequena fada. Dirigi a ela um olhar profundo e a mesma, comovida, perguntou-me: – Por que está chorando?

Contei toda a minha história, e que não sabia que destruíam a floresta por causa dessa disputa sem fim. Solidária, Titânia, rainha das fadas, se mostrou disposta a uma amizade inusitada, disse que conhecia a verdade por trás das palavras humanas, e eu era uma das poucas que a carregava em tudo o que dizia. Foi somente por isso que não me abandonou quando viu chegar Netuno d’entre as folhas, surpreso ao contemplar o ser mágico.  Pelo contrário, se aliou ao meu noivo em suas incessantes desculpas.

– Só o perdoo por causa de Titânia. – disse um tanto relutante, até que ele me abraçasse e prometesse não mais mentir.

Resolvidos os problemas entre nós dois, fizemo-lo ciente da atrocidade ainda maior que as cidades estavam provocando, pois, além de soldados, muitos animais e criaturas encantadas estavam sendo mortos.

– Conheci um duende certa vez, se chamava Oberon. Há a possibilidade de acabar com a guerra se juntarmos todos esses que estão em perigo nas florestas para lutar? – perguntou Netuno, esperançoso.

– Não trabalho com duendes. – Titânia logo o cortou – Não tem a mínima seriedade.

Houve um longo período de negociação entre nós e Oberon, que havia sido encontrado por meu noivo dois dias depois da conversa com a rainha fada, resultando em uma trégua “em nome do bem maior”, argumentei. Casei-me o mais depressa possível, em segredo, já que parte da cidade achava que Netuno era meu irmão. Depois de incontáveis reuniões bolando estratégias e buscando atrasar a produção de armas e carros de guerra, tínhamos um plano concreto, esperando para ser posto em prática. O que queríamos? Executar um feitiço que iludiria ambas as cidades, fazendo-as pensar que haviam vencido, esquecendo-se dos combates e voltando a suas velhas rotinas.

O grande problema era que demandava energia demais, por isso nem as fadas nem os duendes haviam tentado tal coisa, era possível somente por estarmos aliados. Nosso plano se concretizaria logo, se não fosse um detalhe: eu estava grávida. Netuno não permitiria que eu me esgotasse tanto e pudesse trazer problemas ao bebê. Estava muito enganado ao achar que eu aceitaria isso tão facilmente… O tempo correu muito depressa, completado meu oitavo mês de gravidez, tudo estava pronto para acabar de vez com a guerra.

Certo dia, ao adentrar a floresta, deparei-me com uma cena tão inusitada quanto bela: Titânia e Oberon, antes inimigos, se encaravam, o duende acariciava seu rosto enquanto ela sorria. Há algum tempo eu percebia que a rivalidade se tornava, aos pouquinhos, amor, mas não conseguia deixar de me espantar ao vê-los em tamanha demonstração de carinho. Titânia era destemida, defendia seus amigos com a própria vida, ajudava, era uma verdadeira rainha. Oberon, também rei, governava com cautela, aconselhava a todos, tinha uma personalidade mais tranquila, sempre buscando alegrar e encorajar as pessoas a sua volta.  Tão diferentes e tão compatíveis.

Uma última reunião antecedia a realização do feitiço, foi só então que descobrimos que era necessário entrar no combate para todos das tropas serem encantados. Supliquei a Netuno que não fosse, era arriscado demais, não podia perder meu marido tão amado, mas ele não desistiria, era orgulhoso demais para isso. O que me restava era aproveitar o tempo que tínhamos.

Chegado o dia do confronto, próximos ao campo de batalha, escondidos, esperamos. Os soldados posicionados nas fileiras avançavam, era a hora de agir. Netuno me abraçou forte enquanto eu chorava, e deu-me um beijo longo, tão cheio de amor que por um instante achei que nunca nos separaríamos. Ele foi até o centro do local e depositou uma planta com uma pequena fagulha de fogo, que cresceu até uma fumaça esverdeada, contendo os poderes de todas as fadas e duendes, ervas e tudo mais que conheciam, tomar o ar. A fumaça aturdiu os soldados e os fez largar as armas e pôr a cabeça entre as mãos, fechando os olhos e tossindo com força por alguns minutos. Depois do torpor, ainda um tanto confusos, deram meia volta e rumaram a suas cidades, acreditando que haviam vencido. A guerra estava terminada. A floresta e seus moradores estavam salvos. Estes, exaustos após tantos esforços, suspiraram aliviados.

Meu marido caminhava até nosso esconderijo, meu sorriso se desfez quando o vi desmoronar a dois metros de mim. ”Como eu não percebi a flecha em suas costas?”, me perguntava enquanto as lágrimas desciam pelo meu rosto. Comecei a sentir cólicas fortíssimas, ouvia Titânia gritar desesperada que me ajudassem, pois eu estava entrando em trabalho de parto. Duendes e fadas amparavam-nos com uma velocidade absurda, eu e meu marido fomos postos deitados um ao lado do outro, ele segurava minha mão e dizia que tudo daria certo, implorei que não falasse mais, estava perdendo muito sangue, não podia se esforçar. A dor me tomara, gritei até minha garganta doer, e finalmente pude ver o pequeno prematuro, era lindo. Todos choramos emocionados.

Netuno e eu seguramos nosso filho nos braços, era a primeira e última vez que o veríamos. Chamei Titânia e Oberon.

– Minha querida amiga, por favor, me prometa que cuidará dele.

– Vou cuidar como se fosse meu, ele vai crescer sabendo o quão honrados foram seus pais, dando a vida por nós… – ela disse com a voz embargada enquanto soluçava.

– Vocês foram um presente dos deuses, mas esse presente não poderá ficar conosco, que Hades os receba com a glória que merecem. – o rei duende também chorava.

– Não me entristeço por morrer por uma causa tão nobre. – Netuno se virou para mim – Eu amo você, Minerva, mais do que tudo.

– Eu também o amo mais do que tudo.

Com muito esforço, pus minha cabeça em seu peito, abraçando-o. Beijei-o e fechei meus olhos, minha mente se perdia no vazio enquanto minha vida e a dele iam se esvaindo.

– Nos vemos nos Campos Elísios.

Stela me fechou a porta

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Após suas desventuras amorosas e sua jornada de autoconhecimento, Stela descobriu que seu pai deixou-lhe uma enorme herança e, com isso, ela viajou para a Austrália sem dizer nada para Paulo.

Em um dia de chuva, Paulo, que agora era um médico bem sucedido, estava passando próximo a um terminal onde uma moça pediu informações:

– Com licença, você poderia me informar onde ficam os hotéis nessa cidade?

Ela tinha olhos pretos, cabelos escuros, pele mulata e porte médio. Após Paulo ter respondido, ele lhe ofereceu o guarda-chuva e os dois começaram a conversar:

– Qual é o seu nome, senhorita?

– Renata, e o seu?

– Paulo. Você é nova na cidade?

– Sim. Com o que você trabalha, Paulo?

-Sou médico. Você não tem onde ficar, certo? Pode dormir no quarto de hóspedes da minha casa.

– Sério?! Muito obrigada!

Passaram-se três meses de encontros com algumas brigas e eles estavam para casar. Nesse momento Stela voltou de sua viagem, foi para a casa de Madame Graça e perguntou sobre Paulo; ela soube que ele estava para se casar e estava bem sucedido em seu emprego. Stela imediatamente foi à casa de Paulo, agora uma belíssima mansão.

Chegando lá, ela foi recebida por Paulo, que se surpreendeu ao vê-la; ele rapidamente perguntou sobre o local aonde ela tinha ido e perguntou também por que Stela não lhe falou que iria viajar. Ela respondeu:

– Eu achei que se falasse com você, me desmotivaria, possivelmente me fazendo desistir da viagem, já que gosto o suficiente de você a ponto de ficar apenas por isso.

– Deixando isso de lado, você não quer entrar?

Ela entrou e Renata estava lá. Stela perguntou, sentada no sofá, quanto tempo eles estavam juntos. Paulo respondeu que tinham se conhecido há três meses.

– Três meses?! –Stela disse, aumentando o tom de voz.

-Sim, três meses, você tem algum problema com isso? Pois se tiver, retire-se – disse Paulo.

– Essa é a nossa casa, não sua –Disse Renata, já se exaltando – E em quantos caras você aplicou o golpe do baú para viajar para a Austrália ?

– Nenhum! –Exclamou Stela, se retirando.

Depois de um tempo, enquanto o casamento se aproximava, Paulo percebeu como seria caro, mas era tarde demais, já tinha pago por tudo, e pior, havia se desentendido com seu chefe, o que acarretou em sua demissão posteriormente. Afundado em dívidas, ele recebe uma mensagem que acabaria com a vida de qualquer um: Renata, sua amada noiva, estava lhe traindo com um velho mafioso, Don Falcone. Arrasado, ele proferiu as seguintes palavras:

– Renata ingrata, trocou o meu amor por uma ilusão, e nem me avisou antes de eu pagar por tudo!

Então Paulo recorreu a quem um dia já havia sido seu grande amor, Stela. Chegando a casa de Madame Graça, Stela atendeu a porta com uma expressão raivosa e ele logo começou a falar:

– Me desculpe, você estava certa sobre eu ter me apressado no casamento e… – De repente ele foi interrompido pelo som rígido da porta batendo e se fechando na sua frente.

A reação de Stela o deixou desolado, e começou a andar perdido, sem rumo algum, como o vento…

Toshi Higashikata

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Eu me lembro como se fosse ontem: a vida tranquila e calma em São Paulo se tornou um melancólico e cinzento passar dos dias, Fujie me deixar me fez mudar para o Japão, tentar uma vida nova, conhecer novas pessoas.

Quando me mudei, na realidade, estava morrendo de medo da adaptação, dos costumes e da cultura, de não ser aceito. Mas o que aconteceu foi exatamente o contrário, logo arranjei emprego, fiz colegas na vinhança e me adaptei rapidamente. Até conheci alguém. Uma pessoa meiga, educada, inteligente, bonita e outros mil elogios que passaria dias descrevendo – seu nome era Misa Amane.

Apesar de sentir algo por ela, eu estava bastante receoso por causa das minhas experiências anteriores e isso sempre me mantinha com o pé no chão.

O tempo foi passando, nossa amizade cresceu e logo começamos a namorar. Estava dando tudo certo entre nós, já estávamos noivos e tivemos nosso filho, Kin. Não era um nome muito popular, mas nós gostávamos. Os anos passaram e nossa vida era perfeita, até aquele dia.

Misa acordou reclamando de fortes dores nas costas e na cabeça. Corri para o hospital, tentei mantê-la calma dizendo que estava tudo bem, que não era nada demais, que voltaríamos para casa e poderíamos viver normalmente.

Misa passou por uma bateria de exames e o resultado esmagou as minhas esperanças, ela sofria de uma doença degenerativa que destruiria seu sistema nervoso, causando paralisia e, no fim, morte cerebral. Infelizmente não tinha cura, nossos sonhos se desmancharam e foram embora com o vento.

Nos meses seguintes, eu não desisti dela, amava-a demais para isso, porém acabei desistindo de mim mesmo. Minha vida não tem sentindo sem Misa, agora eu estou aqui no fundo do poço, Kin está sem a mãe, estou sofrendo tanto que achei a solução; por favor, a quem encontrar essa carta, peço que busque meu filho na escola, meu fim é aqui no meu quarto. Eu, uma cadeira e uma corda.

Assinado: Toshi Higashikata Amane

As Vozes de Dentro

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Cada linha que meus olhos percorriam, cada palavra que minha mente captava me fascinavam de uma forma que nada jamais fizera.

 Assustei-me com o barulho da porta e minha atenção não conseguia mais se fixar na história, pois eu já sabia o que se seguiria e esses barulhos e lamentos me atormentavam todas as noites, principalmente quando eram em meu quarto.

 E, como eu sempre temia, a porta se abriu bruscamente, me forçando a desviar os olhos do livro e arregalá-los com a visão que tive.

 Ele entrou no cômodo e, com passos pesados, se aproximou enquanto eu tentava me afastar, e foi inútil, já que a lateral de minha cama era apoiada na parede.

 Sem nada falar, meu pai, se é que eu podia chamá-lo assim, ergueu sua mão. Me encolhi esperando a dor que viria, não seria a primeira vez e nem a última vez; eu sabia que minha mãe estava na sala, na mesma situação em que ele me deixaria, por ter tentado impedi-lo de chegar aqui.

– Peter, Peter…!

 Sua pesada mão se preparou para descer e, num gesto rápido…

– PETER!

Abro os olhos bruscamente e vejo Mary ao meu lado com um semblante preocupado; percebo que tudo não passou de um pesadelo, ou pior, uma lembrança.

– Peter, você está bem?

– Sim, pode voltar a dormir.

– Foi aquele pesadelo de novo?

Bastou um pequeno gesto positivo com a cabeça para que minha amada me puxasse para seus braços calorosos para voltarmos a dormir. Agora eu tinha certeza de que os pesadelos não voltariam naquela noite, pois eu a tinha comigo.

+++

Na manhã seguinte, acordo e Mary ainda está dormindo profundamente; me retiro da cama com todo o cuidado para não acordá-la e me dirijo à cozinha para fazer nosso café da manhã. Fico pensando em todo amor que ela dirige a mim e aquelas vozes voltam gritando “você não a merece” ou “ela merece coisa melhor do que você” e a pior delas, que vieram das duas pessoas que eu considerava deuses: “ninguém merece ficar perto ou até mesmo se casar com você”.

Balanço minha cabeça para afastar esses pensamentos, mas eles só vinham com mais intensidade, até que reparei que já estava tudo pronto e que minha namorada me olhava encostada no batente da porta com um sorriso.

E, como qualquer outro dia, este correu normalmente, tirando as vozes que me acompanham. Mary e eu tomamos café juntos, ela foi tomar banho primeiro e eu fui em seguida. Assim que saio do banheiro com uma toalha em volta da cintura, vejo-a vir em minha direção e, após um beijo, ela parte para o trabalho.

Toda minha confusão volta com tudo, tento reprimi-la, mas é quase impossível. Eu não aguento mais, tenho que achar um jeito para que se calem, então pego a chave do carro e parto para o primeiro bar que eu encontrasse.

+++

Escuto alguma coisa distante, algo parecido com o toque do meu celular. Estico a mão e tateio o balcão até achá-lo e confirmo que tocava. Tento ler o nome na identificação, mas minha visão está muito turva, atendo e coloco no ouvido.

– Meu amor, você está bem? Me ligaram do seu trabalho perguntando por que você não foi e eu não sabia o que tinha acontecido, fiquei tão preocupada.

– O-oi, tá tudo bem – Digo com a voz meio enrolada.

– Você está bêbado? Mas você não bebe, onde está?

– Então, eu bebo agora – solto uma risada – eu… eu ‘tô no bar perto de ca-casa.

– Peter, eu já estou indo. Por favor, não saia daí até eu chegar.

Meia hora depois, ela chega e no caminho para casa me fez um interrogatório que fiz questão de ignorar.

A partir daquele dia as idas ao bar viraram minha rotina e as voltas pra casa embriagado, mais ainda, até eu me tornar uma pessoa que nem eu reconhecia mais.  As brigas em minha casa eram quase toda hora, minha nova cama era o sofá, pois Mary não queria dividir a cama com um embriagado. Isso durou até o momento em que Mary começou a chorar e explodiu, tacando minhas coisas na minha cara e me mandando embora, dizendo que merecia coisa melhor do que o homem que eu tinha me tornado, que eu não era mais o mesmo e para eu não a procurar nunca mais.

Eu fui embora chorando, sem rumo, não sabia que deixá-la seria tão doloroso, mas eu sabia  que era para o bem dela e, finalmente, a mesma tinha percebido.

A Traição de Fujie

Ainda me lembro de quando meu pai me deu a notícia de que iríamos nos mudar do Japão para o Brasil, diferença de 24 horas, uma cultura totalmente diferente da que estava acostumado, novo idioma. Era apenas um garoto de cinco anos e estava apavorado com tudo aquilo, mesmo com meu pai dizendo que iríamos ficar numa colônia japonesa no Brasil e que eu iria conseguir me enturmar.

Acostumar-se com uma cultura totalmente diferente da sua é uma missão difícil. Nos dois primeiros anos eu estudei numa escola japonesa enquanto fazia curso de português. Até aí estava tudo bem, mas quando eu fui para a escola brasileira, tudo desandou, comecei a ser zoado por ser japonês.

Meu pai começou a perceber a diferença na minha personalidade e resolveu me pôr numa escola de judô, pois, segundo ele, eu tinha que “me reencontrar com minhas origens”. No judô tínhamos muitas competições, e foi numa dessas competições, anos mais tarde, que conheci Rafael, de quem fiquei muito próximo.

Levei-o para conhecer as coisas do Japão, beber saquê nos restaurantes da Liberdade, mostrei-lhe o cinema, e sempre o ajudava no judô, já que eu estava num nível mais avançado do que ele.

Os anos foram se passando e a nossa amizade aumentando, a ponto de até mesmo meu pai arrumar um emprego no seu estúdio de fotografias para Rafael. Foi nessa época que encontrei a mulher mais bela do mundo, pela qual me apaixonei.

Seu nome era Fujie. Desde que a encontrei, fiz de tudo para conquistá-la, o que, depois de um tempo, funcionou.

Nos casamos no verão passado, nossa lua de mel foi numa estação de águas, onde passamos três semanas – as três semanas mais felizes da minha vida.

Depois de um mês de casados, Fujie parecia diferente, estava mais distante. Pensava que o problema era comigo, que não a fazia feliz. Tentava falar com Rafael, mas o mesmo também parecia estranho, parecia estar escondendo alguma coisa.

E foi em uma noite chuvosa que descobri o motivo de tanta estranheza, algo que eu nunca queria ter visto: Surpreendi Fujie e meu melhor amigo Rafael me traindo.

Senti-me com o coração vazio, lágrimas escorriam pelos meus olhos; se não tivesse visto, não acreditaria.

Não aguentando a traição, me divorciei de Fujie e cortei qualquer tipo de relação com Rafael, mesmo ele tentando se explicar. Mudei-me de volta para o Japão, onde abri uma academia de Judô e me casei novamente com Hatsune, com quem tive dois filhos, Kaneki e Jooheon.

Dessa vez, sem traição.