Um novo amor

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Passou-se um mês desde que Fernando havia ido embora atrás do seu sonho de dar um futuro melhor para o suposto “amor de sua vida”. Tudo estava programado para dar certo, até o casal cometer um erro ao deixar a rotina distanciá-los.

Após não aguentar mais tanta solidão, ambos resolvem, sem comunicar um ao outro, que talvez devessem ceder um pouco e aceitar as propostas para saírem e se divertirem. Fernando resolveu ir em uma balada com seus amigos de faculdade e Fernanda foi ao cinema com algumas meninas que conhecia. Mas o que eles não esperavam é que os dois iriam conhecer pessoas novas que mudariam todo o rumo de suas vidas.

Fernando conheceu uma menina linda, de olhos e cabelos negros como a noite e, após perguntar muito sobre ela, descobriu que era recém-solteira e também a organizadora da festa, a tão famosa Teresa.

Fernanda não teve tanta “sorte”, demorou um pouco para se interessar por alguém, mas chegou o dia em que conheceu Lorenzo, um menino loiro e meigo que, assim como Fernando, resolveu sair de seu país para estudar, talvez seja essa semelhança que fez seu coração se sentir tão familiar com ele e querer sempre conhecê-lo mais e mais.

Depois de alguns meses, desses dois relacionamentos escondidos, Fernando não aguentava mais se sentir tão sujo por ter traído a confiança de Fernanda e resolveu contar tudo a ela, havia até que planejado não voltar mais para o Rio de Janeiro e se casar com Tereza. Então decidiu rescrever uma carta , relatando tudo.

O alívio de Fernanda foi muito grande ao terminar de ler a carta, pois nela estava escrito tudo que sentia. E muito feliz escreveu uma resposta explicando toda a situação e dizendo para ele fazer o que lhe deixasse mais feliz, pois, embora não fossem mais namorados, agora eram amigos e irmãos.

E os dois concluíram que, embora esse não fosse o final que eles esperavam, foi o melhor final que poderiam ter tido.

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O Reencontro

 

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Chegou o grande dia, já havia se passado uma semana desde o bilhetinho e o simples encontro na praça que, ousamos dizer, mudou a vida dos dois.

Aquele namorico estava indo muito bem, amor de criança, primeiro amor. Ficavam juntos no intervalo, algumas vezes suas mãos se encontravam logo após seus olhos, uma conexão sem palavras. Na sala de aula, por mais que Pitu tentasse se controlar, perdia a conta de quantas vezes seus olhares se encontravam, a beleza de Marina o encantava, antes a achava bonitinha, mas agora ela era a mais linda do universo, o amor transforma mesmo.

Marcaram um piquenique para celebrar uma semana de namoro. As coisas iam ficar melhores, se não fosse a conversa de Pitu com seus pais na noite anterior, aquela conversa acabara com ele e com todos os seus sonhos ao lado da amada, suas esperanças de ter algo duradouro com alguém com as mesmas ideias. Ele se mudaria, em duas semanas, para outro estado, outra escola e ficaria sem a sua felicidade, sem a sua Marina. “Por que isso agora? Logo quando estava dando tudo certo, eu até estava perdendo a minha timidez, ela me faz tão bem, vocês não se importam comigo? Eu não quero ir!”, disse Pitu, tentando convencer os pais de desistirem da mudança.

Chegando ao encontro, se deparou com Marina toda animada, eufórica, enquanto ele estava lá todo triste, cabisbaixo. Marina perguntava o que tinha acontecido enquanto arrumava as coisas para o piquenique. Quando entendeu do que se tratava, ficou em choque e começou a chorar, os dois se abraçaram forte, como se fosse o último abraço, e disseram no mesmo instante o mais sincero e puro “Eu te amo”.

As duas semanas passaram voando; parece que, quanto mais queremos que o tempo dure, mais rápido ele passa. Quando Pitu deu por si, estava colocando as malas no carro rumo ao Rio Grande do Sul; lembrou-se da promessa que eles haviam feito, de se ver todo ano e esperarem até poder voltar a namorar. Deram o último e mais apertado abraço, Pitu entrou no carro com lágrimas nos olhos e olhando para trás, até a figura da Marina sumir. Ele repetia na sua mente: “Nunca te esquecerei e nunca quebrarei a nossa promessa, nunca!!”.

As horas passaram mais lentas que tartaruga. Quando chegaram, acharam tudo perfeito, a casa era bem mais bonita, a escola era maior e melhor, os pais estavam ganhando mais, só faltava um detalhe: Marina não estava ali.

Passaram-se meses, um ano, e durante todo esse tempo ele não pôde vê-la; sentia sua falta, mas não tanto quanto antes, já se acostumara com a saudade e com a ideia de que jamais voltaria.

E assim foram 2,3,4,5,6,7,8,9,10 anos sem Marina e ainda pensava nela. Estava prestes a começar a faculdade, havia conhecido muitas meninas, mas nunca esqueceu o primeiro amor. No caminho da faculdade pensava em como ela estaria e se esse amor era recíproco. A faculdade não era dentro do país, era a faculdade dos sonhos de Marina também, pois os dois queriam cursar medicina.

Chegando na sua sala, foi ver os nomes dos alunos e ficou em choque, pálido, quando viu um nome que conhecia bem. Esfregou os olhos, pensando ter sido apenas ilusão, mas não era! Ela realmente estava na mesma sala que ele! A coisa mais impossível do mundo estava acontecendo! Sentiu uma cutucada em seu ombro e quase desmaiou quando se virou, lá estava ela, mais alta, bem mais atraente, mas com o mesmo sorriso de 10 anos atrás. Deram um abraço bem apertado e marcaram de sair para colocar a conversa em dia.

Agora lá estavam eles, em uma praça bem conhecida, tomando um sorvete e falando de tudo o que aconteceu em suas vidas. A noite caiu, foram jantar em um restaurante e acabaram no apartamento dele.

Tudo estava ótimo, botaram uma música lenta e começaram a dançar no meio da sala, como nos velhos tempos, seus corpos juntos, o rosto foi se aproximando até que Pitu a beijou.

Acordaram um ao lado do outro e Marina, chorando, disse que aquilo não podia ter acontecido; se arrumou às pressas e saiu.

Ele a encontrou na faculdade, acompanhado de um cara, seu namorado e então perguntou “O que será de nós dois?”, e ela respondeu “apenas uma linda lembrança”. Nesse momento ele viu o anel de noivado em seu dedo e a lágrima caiu. Ela entrou na aula e não se viram mais.

Quando estava em seu armário, esbarrou em uma menina e logo se desculpou. Para sua surpresa, era brasileira e disse “Oi, meu nome é Marina, e o seu?”.

 

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A volta da ilusão

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Alda partiu para a Europa, ainda muito triste com fim de sua ilusão, que fazia tão bem a ela… Descobrira na noite anterior que seu amado “Túlio” era Geraldo, um estudante de medicina.

Enquanto isso, Geraldo continua seus estudos. Porém, o tempo faz com que as coisas melhorem. Alda estava estudando em um parque, quando conheceu um homem de valor, ótimo lutador no tatame. Seu nome era Toshitaro. Pareceu amor à primeira conversa! Os dois precisavam falar. Ele contou que sua ex-mulher o traiu com seu melhor amigo. Ela também contou sua história.

Os dois passavam a se encontrar quase que diariamente. Alda descobriu que Toshitaro estava se tornando um lutador de sucesso por toda a Europa. Ela já estava terminando os estudos.

Já Geraldo se tornou um grande médico, rico e casado! No final da faculdade, ele conheceu Marilene. Uma menina alguns anos mais velha, e um pouco metida, como diziam as más línguas! Também era médica, mas não possuía um consultório particular, como Geraldo.

Os dois se casaram na praia, em um dia aparentemente feliz, mas ele sentia falta de Alda Pereira, seu grande amor.

Quando Alda estava prestes a se casar com Toshitaro, recebeu a notícia de que precisaria fazer uma viagem ao Brasil para visitar seu pai. Por coincidência do destino, no dia de sua chegada, Geraldo estava levando Marilene ao aeroporto. Ela iria representá-lo em um congresso no exterior por um tempo.

Geraldo estava de saída quando, de repente, avista Alda. Seu coração bate mais forte e ele corre ao seu encontro, esquecendo-se completamente do anel que enfeitava seu dedo. Ela se surpreende com o inesperado reencontro, e quando estava prestes a sair de perto, Geraldo lhe ofereceu uma carona.

Enquanto isso, Marilene chega à Europa e conhece pessoalmente Tochitaro, de quem já era uma grande fã.

Ela passa a frequentar suas lutas e ele a leva às suas reuniões. Finalmente decide terminar com Alda, pois está completamente apaixonado por Marilene.

Tochitaro fez uma chamada por skype e Alda responde rapidamente. Ele está com Marilene, ela não vê Geraldo desde a carona até o aeroporto.

Tochitaro começa, falando:

– Alda, precisamos coversar! Eu quero terminar!

Marilene completa:

– Estamos apaixonados!

Tochitaro pede:

– Marilene, não se mete!

Alda em choque, responde:

– Tudo bem, eu aceito o divórcio.

E foi isso que aconteceu, os dois se divorciaram e Tochitaro casou-se com Marilene, que é realmente o seu grande amor. Enquanto isso, Geraldo chama Alda para conversar. Ele se declara para ela, contando como ele é, sem nenhuma mentira ou ilusão dessa vez… E, finamente, eles assumem o relacionamento e começaram a viver esse amor.

 

Música tema: https://www.vagalume.com.br/ellie-goulding/love-me-like-you-do.html

O outro lado da verdade

Desperate blonde reaching for boyfriend against blackboard

Antenor voltara ao trabalho, já estressado pensando no baile de primavera ao qual teria de ir acompanhando sua namorada. Ele odiava esse tipo de festa, mas Isabella havia lhe implorado tanto que ele acabou cedendo.

Chegaram um pouco atrasados, devido ao pequeno trânsito e à demora de Isabella para se arrumar. Assim que chegaram, a moça foi falar com uns conhecidos, deixando Antenor de lado.

Menos de dois minutos após ser deixado por Isabella, uma garota meio baixa, de cabelos loiros, olhos castanhos e com uma expressão de nervosismo veio falar com ele. Antenor, que nunca levara jeito para socializar e já estava estressadíssimo, fez alguns comentários rudes, que ele esperava que tivessem soado como piadas, apesar de terem um quê de verdade, e se retirou para fumar.

Pouco depois achou Isabella, que já estava cansada de tanto dançar valsa, e a convenceu a ir embora para casa, pois tinha que trabalhar na manhã seguinte.

Na volta do baile, ocorreu a discussão de sempre: “Por que não para de fumar?”, “Você nunca se manterá em um trabalho”, “Espero que esse dê certo”, “E as contas para pagar?”. Esse era o bate-boca diário.

A manhã do dia seguinte foi comum. Transporte cheio, típica manhã da General Osório. Sorte a dele que a loja em que trabalhava ficava em uma rua próxima, mas bem menos movimentada, e até um pouco difícil de achar. Pelo menos era o que todos diziam, e o que Antenor pensava, até que viu a mesma garota da noite anterior, que falara com ele no baile, entrando pela porta. Decidiu fingir que não a conhecia, afinal devia ter vindo para comprar algo. Não, dessa vez, ela havia ido procurá-lo, pelo que aparentava. “Meu Deus! Tanto trabalho só para ver minha pessoa? Acho que não”, era o que pensava Antenor, mas a menina parecia se esforçar para demonstrar o contrário. “Agradeço a visita, qualquer hora dessas dou uma ligada”, mas não ligou. Não que precisasse, já que a menina ligava para o trabalho de Antenor e desligava após ouvir o “Alô?” quase todo dia, umas três vezes.

Antenor chegava a casa já irritado, ainda tendo que lidar com os ciúmes de Isabella por essa garota que nenhum dos dois sabia ao certo quem era. Chamava se Aline, ou Amanda, alguma coisa com A e trabalhava ali no salão mesmo.

Mais ligações nos dias que se seguiram, Antenor já gritava ao telefone, independentemente de quem fosse do outro lado da linha. Recebeu mais uma, duas, cinco ligações e, pelo que aparentava, também havia um amigo da garota envolvido. “Estou comprometido, se um dia me der na telha, EU MESMO TELEFONO!”, gritou pela última vez. Depois de tanto transtorno e gritaria, ao ser chamado pelo chefe, não precisou nem adivinhar quem era. “Eu mesmo me retiro”, respondeu com voz baixa, assim que entrou. Orgulhoso como era, preferia se retirar a ser retirado. Chegando a casa, a briga foi feia. Isabella, com sua cabeça quente e temperamento explosivo, chegou a quebrar alguns copos. Chamaram a polícia. “Nada de mais, senhor policial”, dizia Isabella, um pouco envergonhada. Depois disso, sem gritaria. Uma ignorada aqui, uma troca de olhares de raiva e tristeza ali, um beijo rápido e frio e um boa noite seco. Afinal, não é bom dormirem brigados.

Já se passavam dias, após o episódio do telefone, sem mais ligações. Mas vinham diversas cartas. Todas falando quase a mesma coisa. “Esse relacionamento não lhe faz bem”, “Pode arranjar coisa melhor, como eu”, “Eu te amo mais que tudo” e alguns versos bonitos de uma música, poema ou livro.

Mais algumas cartas, mais alguns presentinhos, mais alguns dias. Num belo fim de tarde chuvoso, lá estava a menina. Toda encharcada, parecendo um cão que caiu do caminhão, esperando Antenor sair do serviço novo.

Antenor, que não pôde deixar de sentir pena, abrigou a garota embaixo de seu guarda-chuva surrado, levou-a para o ponto e a colocou dentro do ônibus.

A menina estava ficando desesperada. A fofoca na vizinhança se espalhava rapidamente. Foi até procurar Alzira, a velha do bairro que mexia com magia negra, pelo menos era o que diziam. E para isso Antenor respondia: “não poderia me importar menos”, afinal, dali a alguns meses  se casaria com sua amada.

Fora os transtornos e fofocas que a garota trazia para sua vida, estava tudo muito bem para Antenor. Casamento marcado para muito breve. Ansioso. Nervoso. O trabalho pelo menos estava fixo até agora. As contas, pagas. E olhe só, não fumava há quase um mês.

Finalmente se casou. Feliz da vida, os anos foram passando. Lugares diferentes, empregos diferentes, nada que atrapalhasse o amor do casal. As contas continuavam pagas, houve recaídas, mas já era o segundo semestre sem um cigarro na boca. Mais alguns meses, e veja! São gêmeos! Ainda recebia cartas de vez em quando, a menina se casou com Gilvan, grande amigo, “baita salvação que ele foi”. “Deve ter criado um apego por mim”, pensava Antenor, ao receber as cartas da menina que falavam sobre a vida dela, e como ela havia seguido em frente, recebia um pedido de desculpas em todas elas. No entanto, mal sabia ele que ela estaria a esperá-lo na estação no próximo domingo.

 

 

 

 

 

Música: https://www.vagalume.com.br/coldplay/shiver-traducao.html

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fernando e Fernanda

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https://www.vagalume.com.br/ed-sheeran/thinking-out-loud.html

Após longuíssimos dias que pareciam não ter fim, Fernanda esperava seu amado voltar da Europa no porto da capital. Risonha, com o semblante transformado, pensava que o pior já havia passado. Ficar dois anos sem ver quem ama, existiria algo pior?

O navio em que Fernando estava desembarcou no porto. O brilho no olhar de Fernanda, a ansiedade para ver seu amado crescia mais e mais.

Quando o jovem desembarcou do navio, o semblante de Fernanda mudara novamente, mas agora, exibia um espírito triste. Percebera que existia coisa pior que ficar longe do seu amado: Fernanda fora traída.

Avistou juntamente com Fernando uma jovem chamada Tereza. Os dois se aproximavam de Fernanda, que conteve as emoções. Ambos passaram direto sem sequer olhar para o triste rosto de Fernanda, que depois, ficou coberto por lágrimas.

O tempo passara e Fernando e Fernanda, embora fossem irmãos de criação, nunca mais se falaram. Fernanda chorou longos dias sem consolação. Vendo o estado em que o Espírito de sua filha encontrava-se, Madalena convidou a todos para um jantar em sua casa, incluindo Fernando e Tereza. Mas para a felicidade dos anjos do destino, Tereza não poderia comparecer ao jantar.

Corramos folha e entremos logo no dia em que ocorreria o jantar em família.

Estavam todos reunidos na mesa, quando Madalena teve de sair para ver o preparo da comida. Fernando e Fernanda se olharam, silenciosamente; não sabiam o que dizer, mas em seus olhares estava nítido o amor que um sentia pelo outro.

Fernanda foi corajosa. Declarou-se completamente a Fernando, expressando todo o seu amor a ele, dizendo que o amor tudo suporta e que mesmo com a distância ela ainda o amara, mas este lhe disse que não sentia mais nada por ela.

Mentira para si mesmo. Meses se passaram e Fernando ainda guardava aquelas belas palavras que Fernanda havia dito em sua memória.

Uma quinta-feira à noite, Fernanda caminhava pelo parque próximo a sua casa, quando avistou Fernando. Naquele momento, os anjos do destino reescreveram um amor nunca apagado, o de Fernando e Fernanda.

Estes conversaram a noite toda. Fernanda indagou o que havia ocorrido na Europa. Fernando lhe esclareceu, dizendo que sentira um vazio no peito e utilizou Tereza para preencher o vazio que a saudade causou, mas que nada foi capaz de apagar o amor que sentia por ela.

Meses se passaram e, após a situação ser esclarecida, Fernando e Fernanda estavam juntos e casaram-se, para a felicidade de todos, principalmente para a de Madalena, que anelava demasiadamente para que ambos ficassem juntos.

Novamente, o semblante de Fernanda mudara: agora, era o de uma mulher feliz, por estar casada com seu primeiro amor.