Eterna Noite de Verão

Era chegado o dia do seu casamento e Demétrio, sabendo que Helena gostava especialmente da cor azul, procurava entre a vegetação selvagem por ramalhetes que pudessem formar um belo arranjo para sua noiva. Helena preenchia sua mente; em tudo via traços seus. Sua presença era tão entrelaçada a sua alma que não se recordava de um tempo em que não a amasse.

Encontrando um arbusto repleto de pequeninas flores azuladas, aproximou-se para sentir seu perfume e, de súbito, simplesmente não soube por que estava ali. Eis que, de entre os galhos, surgiu uma fada que, ofegante, tocou-lhe os dedos.

– Que alívio, enfim encontrei-te. Fadas te procuram por todo o bosque, Demétrio! Que fazes aqui?

– Não sei. Agora percebo, não me recordo de nada desde ontem, quando procurava por Hérmia.

– Espera… Não me digas que inalastes do perfume desta flor… – a criatura arregalou os olhos ao vê-lo assentir. – Estavas sob o efeito de magia, Demétrio! Foste ludibriado por um duende que te fez crer que amavas Helena e com ela se casaria. Passaram-se já quatro dias desde aquela noite e, neste momento, deverias estar com Lisandro à espera da cerimônia.

– Há Lisandro de se casar?

– Sim, casar-se-á com Hérmia, filha de Egeu.

– Como? Ela estava prometida a mim! – gritou, os olhos transbordando de fúria.

– Egeu pensou que tu amasses Helena, por isso permitiu que eles se unissem em matrimônio. Por favor, meu caro, não faças estupidez alguma! Prometes não interromper o casamento e prometo encontrar-te um novo amor.

Demétrio ponderou sobre a proposta. Não queria perder Hérmia, amou-a tanto… Contudo, tinha às vezes a impressão de que esse sentimento crescia nele como erva-daninha no pavimento, persistente, destruindo seu entorno. Além de tudo, seria capaz de viver um amor não correspondido?

– Juro, então, não interferir na felicidade deles desde que cumpras tua palavra.

**Ponto de Vista de Hérmia**

Faltavam algumas horas para a cerimônia. Helena e eu nos preparávamos quando Titânia, a fada que nos ajudara a planejar a festa, adentrou o cômodo. Parando à minha frente, estendeu-me uma coroa de flores silvestres e disse:

– Abençoada seja esta coroa e a mulher que a usar, que possa sabiamente sua família guiar.

Diante de belas palavras, assenti e pus o arranjo ao meu lado, reservando-o exclusivamente para o casório. À Helena, ela entregou um pequeno frasco contendo um líquido cor púrpura e, ternamente, falou:

– Se um dia o mundo quebrar seu coração, teu maior desejo será salvo por esta poção. Antes de tudo, vá e converse com teu noivo, que lá fora te espera.

Helena sorriu em agradecimento silencioso e saiu. Meu casamento seria dali a pouco, antes do dela, por isso adiantei-me ao local designado.

Lisandro me esperava sorridente, assim como eu, através de tantas desventuras, o esperei. E ele jamais me deixou. Quando tomou minha mão, por todo tempo só teve olhos pra mim. E nosso tempo agora duraria para sempre.

Helena não foi tão feliz ao ouvir Demétrio declarar seu desamor e a impossibilidade de casar-se. Tomou a poção e, aparentemente, fora seu desejo mergulhar em sono eterno e profundo. Quem sabe, acordar, num lugar onde é sempre verão.

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O AMOR TRAIDOR

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Já fazia algum tempo que não via a Pomba Enamorada, porém ela continuava a mandar cartas falando de sua vida. Ela nem imaginava que eu já sabia de tudo. O Gilvan me contava.

Certo dia, após sair do meu trabalho, bem desgastante, como motorista de ônibus, na rodoviária vi uma mulher que me lembrava alguém, mas, a princípio, não a identifiquei. Aquela moça familiar veio em minha direção e percebi que era a Pomba.

Ela começou a fazer um monte de perguntas, e como não tinha muita paciência, fui curto e grosso, tentando afastá-la. Finalmente consegui me livrar dela. Já havia esquecido como isso era difícil.

A partir desse dia, não tive mais sossego. Tive medo que ela descobrisse meu relacionamento às escondidas com Gilvan. Andava olhando para os lados, por saber que podia encontrá-la.

Em uma tarde, resolvi contar ao meu namorado que a Pomba havia me encontrado. Liguei para ele várias vezes, porém, as tentativas foram falhas. Somente no fim da mesma tarde, recebi uma ligação de Gilvan. Do outro lado, a esposa encontrava-se ao telefone, querendo saber de quem era aquele número que telefonava tantas vezes. Ao perceber o que estava ocorrendo, ficou constrangido e desligou rapidamente.

A Pomba Enamorada confrontou seu marido perguntando se mantinha contato comigo. Ele, sem saber ao certo o que dizer, falou que sim e que saíamos para beber em algumas noites.

Ela associou, imediatamente, esses encontros com as noites em que Gilvan saía sozinho para “esfriar a cabeça”. Porém, ela ainda achava que tinha algo errado e logo pensou que estava, na verdade, sendo traída com uma mulher mais nova, mais bonita e que seu marido me usava como álibi.

Toda sua obsessão, que antes era por mim, agora estava na tentativa de encontrar respostas, sempre fazendo várias perguntas e vendo as mensagens do marido. Toda vez que ele saía, ela o seguia.

No dia seguinte, quando faríamos três anos de namoro, fomos ao cinema ver um filme que estava tendo bastante sucesso e, como sempre, ela nos seguiu, porém não percebemos a tempo de disfarçar. Agimos normalmente, como um casal. Ao final do filme, nos beijamos. A Pomba ficou sem reação. Nesse momento, a vimos e ela saiu correndo.

Não quisemos que a noite fosse arruinada por causa dela. Antes de Gilvan voltar para casa e tentar explicar tudo, fomos jantar, porque estávamos com muita fome.

Ao chegar em casa, as coisas dela não estavam mais lá e havia um recado na geladeira que dizia que tinha ido para casa dos seus pais, pois não aguentava o fato dos dois homens que ela amava tivessem-na traído.

No começo, Gilvan e eu  não soubemos o que fazer, mas depois de um tempo, percebemos que essa foi a melhor maneira de resolver a situação, afinal, não tivemos que falar nada.

A partir de então, essa história é sempre contada nas festas de família e um de nós dois sempre acrescenta detalhes. Esse amor fez mudar um pouco minha personalidade, afinal, eu só era grosseiro com a Pomba.

Mesmo depois de tudo que aconteceu, surpreendentemente, chegam cartas contando a história de uma moça que mora no interior sempre assinadas por: PE.

 

Músicas:

• 1ª música – 50 reais, Maiara e Maraísa, Naiara Azevedo; reação da Pomba Enamorada ao saber o que acontecia. https://www.youtube.com/watch?v=_b-FdGeNcYo

• 2ª música – É de arrepiar, Pixote; o amor vivido pelo casal. https://www.youtube.com/watch?v=BbJFoD7pivw

 

Como tudo começou

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      Um jovem chamado Anthony, de 20 anos, cursava a  faculdade com o fim de se tornar um grande empresário e estava prestes a encontra o amar de sua vida, a menina de seus sonhos. Antony tinha uma personalidade bem peculiar para sua idade. Era muito calmo, humilde, tímido e, acima de tudo, muito amoroso. Vindo de uma família de classe baixa, sonhava ser reconhecido pela sociedade da época e construir sua própria família com a mulher que amava.

    Foi quando, em uma festa de sua faculdade, ele conheceu Açusenna, e rapidamente se interessou pela jovem. Então, se apaixonou e começou a conversar e, em meio a isso tudo, ela se demonstrou simpática, humilde, divertida e, além disso, era bonita, lindos olhos azuis e também havia vindo de uma família de classe média.

    A partir de então, começaram a se encontrar inúmeras vezes, até que Anthony a pediu em namoro. Ela, apaixonada por ele, aceitou sem nenhuma dúvida de que queria namorá-lo.

    Alguns anos se passaram, até que um dia, o casal reencontrou um velho amigo da faculdade que já havia se formado e estava muito bem sucedido: Jeremias. Era um aristocrata de classe média alta., bastante ganancioso. Logo após a chegada de Jeremias, Açusenna terminou o namoro com Anthony sem dar explicações e, pouco tempo depois do término, Anthony descobriu que sua amada estava tendo um caso com seu amigo, interessada apenas no dinheiro dele.

    Depois de tanto sofrimento, Anthony chegou à conclusão de que não importa o quão calmas, bonitas, agradáveis e amorosas as pessoas sejam, os ricos sempre vão se sobressair. Devido a essa decepção, sua personalidade mudou completamente, estava disposto a ganhar muito dinheiro e passou a acreditar que o dinheiro compra tudo, até mesmo amor, mesmo que seja indiretamente.

A ilusão se tornou realidade

No bar de esquina, Fernando se encontrava já em sua terceira dose de whisky, resultado de uma desilusão amorosa causada por sua irmã postiça Fernanda, que o trocou enquanto ele estava em uma viagem de estudos.

Fernando estava apreciando uma jovem e atraente cantora, que cantava “Somebody to Love”, do Queen, quando foi interrompido por seu amigo Claudio, que sempre passava pelo bar na volta do trabalho e andava preocupado com as atitudes de Fernando após a desilusão.

– Dia difícil, Fernando? – Perguntou Claudio, sentando no banco de couro ao lado do amigo.

– Estou surpreendido, nunca vi uma moça tão linda, você a conhece? – disse, apontando para a cantora.

– É Tereza, ela sofreu uma desilusão assim como você, é gente finíssima!

Os amigos até tentaram construir um diálogo, mas Fernando já estava em outro plano, ora, como é bobo um homem apaixonado. Claudio, vendo ali uma oportunidade de ajudar o amigo a esquecer Fernanda, já estava criando expectativas de ir falar com a moça.

E assim foi feito; depois da quarta dose, Fernando e Tereza já estavam desabafando sobre suas desilusões e começando ali, quem sabe, uma nova ilusão…

Todo domingo, na casa de Madalena (mãe de Fernando e de Fernanda), ela, Fernanda e seu marido se reuniam para almoçar. Fernando não queria mais olhar para cara de sua ex-namorada, no entanto, tinha que buscar algumas roupas na sua antiga casa, por isso, pediu a Claudio para buscar para ele.

Quando Claudio entrou e explicou para dona Madalena seu motivo de estar ali, a mesma não se opôs, e, quando ele já estava indo embora, Fernanda o surpreendeu:

– Olá, Claudio, como vai Fernando? – Perguntou Fernanda, timidamente.

– Solitário, como sempre – Desdenhou Soares (marido de Fernanda).

– Pois digo-lhe que não, meu caro Soares. Fernando está muito bem acompanhado de uma bela mulher chamada Tereza, se bem lhe interessa – respondeu Claudio sem pensar, afinal, por enquanto, Fernanda e Tereza eram apenas amigos.

– Pois bem, proponho um encontro de casais, diga a Fernando para que ele venha com sua “namorada” domingo que vem, na hora do almoço – Desafiou Soares.

Quando Claudio contou a Fernando o que aconteceu, o rapaz ficou preocupado, pois não podia mais cancelar ou iriam achar que era mentira. Tereza tinha lhe contado no bar que não queria nada sério agora. Então, Fernando decidiu armar com Tereza um amor, apenas para não sair mal no almoço.

Fernando ligou para Tereza e, com relutância, ela aceitou, “apenas por amizade”, dizia a mesma. E, quando finalmente chegou o dia do almoço, deu tudo certo, menos para Fernanda, que ficou irritada, pois queria estar no lugar de Tereza, e nesse momento percebeu que seu verdadeiro amor era Fernando, porém agora não dava mais tempo.

Já para Fernando, deu tudo certo, já que depois daquele almoço, a ilusão se tornou realidade, e Tereza e Fernando decidiram, depois de um mês, namorar de verdade desta vez.

 

Música tema: https://www.youtube.com/watch?v=kijpcUv-b8M

ADEUS

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Ao chegar na rodoviária, a Pomba Enamorada se encosta numa mesa e começa a procurar pelo seu “verdadeiro amor”. Depois de 2 horas de espera, eis que ela vê um homem com um sobretudo marrom e chapéu cinza descendo de um ônibus amarelo, como a moça havia previsto. Ela olhou para ele e quando seus olhares se encontraram, ficaram se encarando por alguns segundos, sem reação alguma. Então Antenor tomou uma atitude: foi em direção a ela. Ela ficou nervosa, com o coração acelerado. Todas as lembranças de Antenor vieram à tona e, logo após isso, ela o escuta chamando por seu nome.

Depois de dez minutos de conversa numa lanchonete próxima dali, ela se esqueceu do nervosismo, do passado, até do marido. Ela só sorria. Depois de horas de uma conversa prazerosa, ele tinha que ir embora. Estava chovendo. Antenor percebeu que não podia deixar aquela dama lá. Ele a chamou para um motel, ela aceitou.

Ao chegar nos seus aposentos, conversaram, beberam um pouco e tiveram uma longa noite de amor.

Quando Antenor acordou, viu que ela não estava mais lá e em seu lugar, havia um papel escrito “adeus”. Ela voltou para casa, viu seus filhos chegando do trabalho e passou o dia com eles, enquanto seu marido trabalhava. Um pouco antes de Gilvan chegar, escreveu uma carta, se despediu de seus filhos e foi embora. Quando seu marido chegou, encontrou um papel em cima do sofá que dizia: “adeus”. E no final de tudo, percebeu que a liberdade era seu verdadeiro amor.

 

Turma: 805

Grupo: Lucas, Ryan e Ruan

Stela e a Tecelã

Após destecer seu marido, Lúcia, a moça tecelã, voltou a sentir-se só. Diante disso, mudou de ideia e percebeu que era melhor viver ao lado de Antônio, seu marido, do que sozinha. Pôs-se, então, a tecê-lo novamente.

Porém, Antônio estava magoado por ter sido traído e resolveu se vingar. Sem que Lúcia percebesse, ele fugiu da modesta casa onde se isolava a tecelã levando consigo o tapete mágico de sua esposa.

Tempos depois, Antônio estava vivendo confortavelmente, cercado de criados em um palácio de luxo que havia tecido, enquanto Lúcia passava necessidades. Ao procurar emprego, a tecelã se lembrou da época em que costurava no “Mariposa Azul”, então foi procurar a amiga Stela, antiga colega de trabalho, para pedir ajuda.

Lúcia conseguiu emprego no ateliê da Madame Graça, que foi muito bondosa. Embora vivesse uma rotina cansativa trabalhando para se sustentar, sua relação com a amiga Stela era de parceria. A relação de ambas foi ganhando tanta proximidade que logo a amizade se transformou em romance. Ao perceber a relação das duas, Madame Graça resolveu ajudar, permitindo que as apaixonadas se encontrassem em um cômodo vazio do ateliê. Heitor, amigo de Stela, também percebeu a amiga mais contente, então a costureira, mesmo com o receio de sofrer algum preconceito, confidenciou que estava apaixonada por Lúcia.

Movido pela inveja do relacionamento que Lúcia havia conseguido com Stela, Heitor passou a espionar as duas e escutou-as falar de Antônio. Interessado pela história do ex-marido, Heitor procurou o homem e, ao encontrá-lo, planejaram juntos uma vingança.

Os dois colocaram em prática seu plano, mas para garantir o sucesso, precisavam de alguém que entendesse mais sobre o assunto; então, se aproveitaram da ingenuidade de Madame Graça e juntos, levaram o tapete ao ateliê. Heitor apresentou-lhe Antônio como um amigo que se apresentava com fantoches e precisava que a madame tecesse duas jovens apaixonadas que se afogavam após caírem de uma ponte. E assim, com perfeição, a madame foi tecendo, e logo ficou pronto. A magia do tapete fez com que Stela e Lúcia caíssem de uma ponte e se afogassem no rio.

Ao chegar a noite, Madame Graça esperou, como de costume, as costureiras para entregar as chaves do ateliê e do cômodo que as duas ocupavam. O tempo passou e nenhum sinal de Stela e Lúcia. Aflita, a madame esperou amanhecer para ir procurá-las.

Na polícia, soube que dois corpos haviam sido encontrados às margens do rio. Arrasada e desconfiada, a madame foi atrás de Heitor para questionar a coincidência entre a costura que havia feito para Antônio e o acontecido. Pressionado, Heitor contou sobre a magia do tapete e, juntos, foram atrás de Antônio.

No palácio, Graça começou a destecer tudo, o homem sumiu novamente e as costureiras voltaram à vida. Heitor se disse arrependido, porém não foi perdoado por Stela e Lúcia, que armaram para que ele fosse flagrado com o tapete e fosse preso por bruxaria.

Depois de um ano de cadeia, Heitor decidiu retomar a vida em outro país. Em um navio, viajando pela Europa, teve a surpresa de encontrar Stela e Lúcia, que estavam a caminho de uma universidade onde Stela se especializaria em Geografia e daria aulas para crianças de uma pequena cidade. Stela então lhe contou que no ano em que ele esteve na cadeia, ela conseguiu se formar na escola e ingressar no curso normal, pois o tapete as sustentara e não precisaram mais trabalhar. Seu espírito de viajante então a guiou para essa universidade europeia, onde realizaria seu sonho.

Heitor se mostrou profundamente arrependido e Stela e Lúcia não tinham mais mágoas, então Stela e Heitor reataram a amizade e seguiram suas vidas sem rancores do passado.

Stela me fechou a porta

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Após suas desventuras amorosas e sua jornada de autoconhecimento, Stela descobriu que seu pai deixou-lhe uma enorme herança e, com isso, ela viajou para a Austrália sem dizer nada para Paulo.

Em um dia de chuva, Paulo, que agora era um médico bem sucedido, estava passando próximo a um terminal onde uma moça pediu informações:

– Com licença, você poderia me informar onde ficam os hotéis nessa cidade?

Ela tinha olhos pretos, cabelos escuros, pele mulata e porte médio. Após Paulo ter respondido, ele lhe ofereceu o guarda-chuva e os dois começaram a conversar:

– Qual é o seu nome, senhorita?

– Renata, e o seu?

– Paulo. Você é nova na cidade?

– Sim. Com o que você trabalha, Paulo?

-Sou médico. Você não tem onde ficar, certo? Pode dormir no quarto de hóspedes da minha casa.

– Sério?! Muito obrigada!

Passaram-se três meses de encontros com algumas brigas e eles estavam para casar. Nesse momento Stela voltou de sua viagem, foi para a casa de Madame Graça e perguntou sobre Paulo; ela soube que ele estava para se casar e estava bem sucedido em seu emprego. Stela imediatamente foi à casa de Paulo, agora uma belíssima mansão.

Chegando lá, ela foi recebida por Paulo, que se surpreendeu ao vê-la; ele rapidamente perguntou sobre o local aonde ela tinha ido e perguntou também por que Stela não lhe falou que iria viajar. Ela respondeu:

– Eu achei que se falasse com você, me desmotivaria, possivelmente me fazendo desistir da viagem, já que gosto o suficiente de você a ponto de ficar apenas por isso.

– Deixando isso de lado, você não quer entrar?

Ela entrou e Renata estava lá. Stela perguntou, sentada no sofá, quanto tempo eles estavam juntos. Paulo respondeu que tinham se conhecido há três meses.

– Três meses?! –Stela disse, aumentando o tom de voz.

-Sim, três meses, você tem algum problema com isso? Pois se tiver, retire-se – disse Paulo.

– Essa é a nossa casa, não sua –Disse Renata, já se exaltando – E em quantos caras você aplicou o golpe do baú para viajar para a Austrália ?

– Nenhum! –Exclamou Stela, se retirando.

Depois de um tempo, enquanto o casamento se aproximava, Paulo percebeu como seria caro, mas era tarde demais, já tinha pago por tudo, e pior, havia se desentendido com seu chefe, o que acarretou em sua demissão posteriormente. Afundado em dívidas, ele recebe uma mensagem que acabaria com a vida de qualquer um: Renata, sua amada noiva, estava lhe traindo com um velho mafioso, Don Falcone. Arrasado, ele proferiu as seguintes palavras:

– Renata ingrata, trocou o meu amor por uma ilusão, e nem me avisou antes de eu pagar por tudo!

Então Paulo recorreu a quem um dia já havia sido seu grande amor, Stela. Chegando a casa de Madame Graça, Stela atendeu a porta com uma expressão raivosa e ele logo começou a falar:

– Me desculpe, você estava certa sobre eu ter me apressado no casamento e… – De repente ele foi interrompido pelo som rígido da porta batendo e se fechando na sua frente.

A reação de Stela o deixou desolado, e começou a andar perdido, sem rumo algum, como o vento…

Fernando e Fernanda

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Após longuíssimos dias que pareciam não ter fim, Fernanda esperava seu amado voltar da Europa no porto da capital. Risonha, com o semblante transformado, pensava que o pior já havia passado. Ficar dois anos sem ver quem ama, existiria algo pior?

O navio em que Fernando estava desembarcou no porto. O brilho no olhar de Fernanda, a ansiedade para ver seu amado crescia mais e mais.

Quando o jovem desembarcou do navio, o semblante de Fernanda mudara novamente, mas agora, exibia um espírito triste. Percebera que existia coisa pior que ficar longe do seu amado: Fernanda fora traída.

Avistou juntamente com Fernando uma jovem chamada Tereza. Os dois se aproximavam de Fernanda, que conteve as emoções. Ambos passaram direto sem sequer olhar para o triste rosto de Fernanda, que depois, ficou coberto por lágrimas.

O tempo passara e Fernando e Fernanda, embora fossem irmãos de criação, nunca mais se falaram. Fernanda chorou longos dias sem consolação. Vendo o estado em que o Espírito de sua filha encontrava-se, Madalena convidou a todos para um jantar em sua casa, incluindo Fernando e Tereza. Mas para a felicidade dos anjos do destino, Tereza não poderia comparecer ao jantar.

Corramos folha e entremos logo no dia em que ocorreria o jantar em família.

Estavam todos reunidos na mesa, quando Madalena teve de sair para ver o preparo da comida. Fernando e Fernanda se olharam, silenciosamente; não sabiam o que dizer, mas em seus olhares estava nítido o amor que um sentia pelo outro.

Fernanda foi corajosa. Declarou-se completamente a Fernando, expressando todo o seu amor a ele, dizendo que o amor tudo suporta e que mesmo com a distância ela ainda o amara, mas este lhe disse que não sentia mais nada por ela.

Mentira para si mesmo. Meses se passaram e Fernando ainda guardava aquelas belas palavras que Fernanda havia dito em sua memória.

Uma quinta-feira à noite, Fernanda caminhava pelo parque próximo a sua casa, quando avistou Fernando. Naquele momento, os anjos do destino reescreveram um amor nunca apagado, o de Fernando e Fernanda.

Estes conversaram a noite toda. Fernanda indagou o que havia ocorrido na Europa. Fernando lhe esclareceu, dizendo que sentira um vazio no peito e utilizou Tereza para preencher o vazio que a saudade causou, mas que nada foi capaz de apagar o amor que sentia por ela.

Meses se passaram e, após a situação ser esclarecida, Fernando e Fernanda estavam juntos e casaram-se, para a felicidade de todos, principalmente para a de Madalena, que anelava demasiadamente para que ambos ficassem juntos.

Novamente, o semblante de Fernanda mudara: agora, era o de uma mulher feliz, por estar casada com seu primeiro amor.

 

Nas Águas do Seu Mar

Joshua POV.

   Eu não ligava para os outros marinheiros que conversavam alto, não ligava para o quão escuro e nublado o dia estava e tinha até esquecido o quanto odiava o fato de ter sido praticamente atirado nesse navio por meu pai. Tudo só por causa dela, Stela, que agora estava apoiada na beirada do navio, os cabelos esvoaçantes pelo vento forte e o olhar perdido em algum lugar na imensidão do mar.

Ela conseguia roubar toda a minha atenção, assim como o oceano roubava a sua. Estava sempre presente em alguma parte de minha mente desde que a conhecera no pier local, marcando presença ali todo domingo e, eventualmente, passeando nos navios que sempre apareciam aos montes. Foi difícil e levou bastante tempo para fazê-la retirar os olhos do mar e focá-los em mim, já que parecia ficar presa em uma espécie de transe toda vez que ouvia o barulho das ondas.

Agora ela servia como uma âncora para mim, me impedindo de me perder no mar com todas as lembranças de seu rosto e sorriso. Mas ao mesmo tempo que me ajudava a continuar são, sua imagem também me desnorteava, me cegando a todos os perigos que o mar indomável oferecia aos marinheiros e, com isso, me deixando vulnerável.

Felizmente (ou infelizmente) nos aproximávamos cada vez mais, o que aumentou mais minha paixão pela mulher que mais parecia uma tempestade em alto-mar. Mas tinha plena noção que ela, como qualquer mulher de espírito livre como as ondas, poderia ir embora a qualquer momento, ainda mais se se sentisse pressionada ou presa. Por isso tentava deixá-la confortável ao meu lado a todo custo, para que pudesse continuar a contar minhas histórias e, talvez, vivermos uma nossa.

 

Narrador POV.

   Aos poucos, os dois jovens foram se aproximando, encontrando inúmeros gostos em comum. Joshua fazia questão de compartilhar suas aventuras em alto-mar com a garota (de quem, após conhecer o passado, tornou-se grande amigo). Não conseguia negar que estava ligeiramente apaixonado pela moça, até a buscava nas manhãs gélidas de sexta-feira em sua casa, que beirava a imensidão de águas agitadas, fazendo-a se sentir próxima de seu falecido pai. Contudo, já estava ciente de que a mais nova não estava interessada em nenhum tipo de relacionamento sério, queria continuar solteira, livre como as gaivotas que voavam em pleno pôr do sol.

À espreita, um marinheiro de fios claros, rebeldes, denominado Rogério, observava tudo. Seu ódio por Joshua aumentava a cada troca de olhares entre os dois amigos e, após descobrir que também nutria sentimentos de mesmo gênero pela mulher, com certo receio de perdê-la, achou melhor se confessar. Inicialmente ficou confusa e perguntou se era um tipo de brincadeira, mas depois de notar que cada parcela da afeição era real, com um sorriso doce em seus lábios aveludados, disse que também gostava muito dele, todavia, não achava estar pronta para dar esse grande passo em sua vida.

Para a surpresa e alegria dos dois (e desgraça para Rogério), se tornaram cada vez mais próximos, mas esses bons momentos voaram para longe junto com a brisa do mar. Stela começou a discutir frequentemente com seu amigo e o mesmo não entendia o porquê de tanta confusão. Sentiu seu mundo cair em uma noite de domingo, avistando sua amada observando o luar nos braços de outro homem e, infelizmente, conhecia muito bem aquelas madeixas amareladas que se mesclavam com o cabelo negro da moça.

 

  Rogério POV.

   Eu não sei muito bem o que deu em mim. Realmente. Me sinto horrível desde que Stela entrou no nosso navio. Mas essa sensação de estar com ela é tão boa, mesmo que por meios errados.

Ver Joshua e Stela quase juntos fez o sangue subir à minha cabeça. Eu realmente parei de me importar com o que a religião ou as pessoas bondosas e sensatas diziam, só seguia meu coração angustiado, e traí a confiança do meu colega de tripulação.

Eu comecei a escrever cartas. Cartas para Stela. Nelas jaziam palavras escritas com o ódio de uma caneta azul gasta. Uma delas foi:

  “Querida Stela,

   Por que não me corresponde? Você disse que gostava tanto de mim… Isso me machuca demais. Acho que é melhor me afastar definitivamente de você. Isso não me faz nem nunca me fará bem.

                                        Com amor não correspondido por você,

                                                                            Joshua.”

   Sim, meus caros, eu escrevi cartas me passando pelo homem que roubava minha Stela. Depois disso, ele com certeza teria o que merecia.

Me sentia sempre o melhor de dois demônios ao fazer aquelas coisas. Pior do que eu, só o próprio diabo. Algo dentro de mim me deixava triunfante ao me comparar com aquele ser obscuro.

Depois de receber esta e mais algumas cartas nada amigáveis do falso Joshua, Stela veio procurar apoio em mim. Ela desabafava, comigo, o quanto se sentia chateada por ele ter escrito algo e no outro dia não se lembrar de nada.

Até chegar a fatídica noite. Stela não era de abraçar as pessoas, pelo menos nunca a vi praticar tal ato, mas mesmo assim ela me envolveu em seus braços e deixou um beijo estalado em minha bochecha. Isso comprovou uma porcentagem de sucesso no meu plano.

Isso foi acontecendo com cada vez mais frequência. Ouvia a mais nova desabafar todas as noites. O luar parecia colaborar comigo, refletindo sua imagem iluminada, poética e melancólica nas águas do mar. Mas que era como Stela: intenso, vasto, profundo e agitado.

E ela me beijou num dia ensolarado de verão. Um beijo calmo e terno, como o mar naquele dia. Foi uma sensação indescritível, seus lábios doces em contato com os meus me faziam sentir mais leve que o ar.

Contei a novidade à tripulação, enquanto Joshua parecia mais abatido do que nunca. Pensei que, pelo menos, Stela estaria nos braços do homem certo.

Em um dia de inverno, Joshua conversou comigo, dizendo que Stela sempre ia embora. Como resposta, disse que ela só se prenderia a mim se quisesse.

Na prática não foi bem assim. Caprichava nas belas palavras que derretiam o coração de Stela. Mas, na verdade, apenas tinha achado cartas do verdadeiro Joshua enquanto limpava seu quarto. Anotei tudo no pulso na primeira vez, e passei a levar um bloquinho de papel para anotar tudo e amolecer a moça.

Muito tempo depois, Stela e eu estávamos unidos, mas não oficialmente. Não nos casamos, por escolha dela. Concordava com o que ela propusesse, para não correr o risco de perdê-la para Joshua novamente.

Tudo ia acontecendo, e Joshua parecia cada vez mais abatido. Não comia direito, não fazia a barba, não cortava o cabelo. Parecia um mendigo, maltrapilho e magro. Daria até pena, se isso não fosse para chamar a atenção de Stela.

Não pude negar o alívio que preencheu meu peito quando o homem se jogou na imensidão das águas do mar. Se juntou à sua água amada para se libertar de um amor não correspondido. Eu acalentava Stela, mas não estava nem um pouco triste. Pelo contrário, estava radiante.

Não sei como, mas um marinheiro de nossa tripulação descobriu minha armadilha. Não contou nada a Stela, segundo seu discurso, mas finalizou com um “no inferno você pagará por tudo o que fez.”

Eu apenas lhe lancei um sorriso maroto e voltei para o convés, onde Stela se encontrava admirando as águas. Eu a abracei por trás, enquanto observávamos o mesmo ponto.

 

Turma: 805

Grupo: Manuela, Maria Clara e Luana

Toshi Higashikata

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Eu me lembro como se fosse ontem: a vida tranquila e calma em São Paulo se tornou um melancólico e cinzento passar dos dias, Fujie me deixar me fez mudar para o Japão, tentar uma vida nova, conhecer novas pessoas.

Quando me mudei, na realidade, estava morrendo de medo da adaptação, dos costumes e da cultura, de não ser aceito. Mas o que aconteceu foi exatamente o contrário, logo arranjei emprego, fiz colegas na vinhança e me adaptei rapidamente. Até conheci alguém. Uma pessoa meiga, educada, inteligente, bonita e outros mil elogios que passaria dias descrevendo – seu nome era Misa Amane.

Apesar de sentir algo por ela, eu estava bastante receoso por causa das minhas experiências anteriores e isso sempre me mantinha com o pé no chão.

O tempo foi passando, nossa amizade cresceu e logo começamos a namorar. Estava dando tudo certo entre nós, já estávamos noivos e tivemos nosso filho, Kin. Não era um nome muito popular, mas nós gostávamos. Os anos passaram e nossa vida era perfeita, até aquele dia.

Misa acordou reclamando de fortes dores nas costas e na cabeça. Corri para o hospital, tentei mantê-la calma dizendo que estava tudo bem, que não era nada demais, que voltaríamos para casa e poderíamos viver normalmente.

Misa passou por uma bateria de exames e o resultado esmagou as minhas esperanças, ela sofria de uma doença degenerativa que destruiria seu sistema nervoso, causando paralisia e, no fim, morte cerebral. Infelizmente não tinha cura, nossos sonhos se desmancharam e foram embora com o vento.

Nos meses seguintes, eu não desisti dela, amava-a demais para isso, porém acabei desistindo de mim mesmo. Minha vida não tem sentindo sem Misa, agora eu estou aqui no fundo do poço, Kin está sem a mãe, estou sofrendo tanto que achei a solução; por favor, a quem encontrar essa carta, peço que busque meu filho na escola, meu fim é aqui no meu quarto. Eu, uma cadeira e uma corda.

Assinado: Toshi Higashikata Amane