O Bilhete de Amor

frases_de_coracao_partido

Pitu mostrou o bilhete de Marina apenas para seu melhor amigo, Benjamim, que sentou na cadeira de trás. A aula acabou e estava na hora de se encontrar com a menina.

No caminho para a praça, Pitu sonhava acordado, lia e relia o bilhete, suspirava. Ao se aproximar do local do encontro, o nervosismo começou a tomar conta de todo o seu corpo. Suas pernas tremiam, suas mãos suavam e tudo o que tinha em mente apagava-se.

Minutos se tornavam horas, o coração batia mais rápido. Até que Pitu viu Marina se aproximando. Estava mais linda do que nunca: sua pele morena, seus cachos longos e negros e seus olhos cor de mel faziam Pitu suspirar. Porém aqueles olhos estavam estranhos, seu olhar estava confuso. Pitu arrumou o cabelo, endireitou a postura e dirigiu-se à menina. Antes que o garoto pudesse falar, Marina perguntou:

– Pitu, você veio com o Benjamim? Cadê ele?

– Marina, por que eu traria o Ben comigo?

Neste momento o semblante de Marina se alterou: o bilhete não era para Pitu, e sim para Benjamim, seu melhor amigo. A menina havia entregado sua declaração para o menino errado. Então Pitu, apaixonado, se declarou. Marina estava paralisada, a preocupação saltava de seus olhos. A situação era muito delicada, o melhor jeito era esclarecer toda a verdade:

– Pitu… o bilhete não era para você, eu o coloquei em baixo de sua mesa por engano.

Marina abraçou Pitu e foi embora. O menino estava com seus lindos olhos verdes inundados por lágrimas. Jogou futebol na praça com alguns amigos e depois foi para casa.

Admirável é a inocência da infância… A segunda-feira chegou e tudo o que acontecera no fim de semana parecia estar em um passado distante. Pitu cumprimentou todos os seus amigos, sentou em sua carteira e ficou à espera do início da aula.

O garoto colocou seu estojo em cima da mesa e seu caderno embaixo, e foi neste momento que percebeu que havia, novamente, um bilhete rosa com corações desenhados em toda parte. Por um instante, alegrou-se, porém se lembrou do que houvera dois dias atrás. Mas a curiosidade era maior que o medo.

Encorajou-se e abriu o envelope…

de: Maitê

para: Pitu

https://www.vagalume.com.br/henrique-e-juliano/cuida-bem-dela.html

Anúncios

Tobias

fotofanfic   

    Meu nome é Carolina, tenho 21 anos e estou em meu último ano na faculdade de música. Meus amigos me acham uma menina atraente, mas eu acho minha pele branca e cabelos negros sem graça.

    – Carol! – disse minha amiga, Rafaela – essa sua tosse está impossível… Já disse para você ir ao médico.

    Bufei. Para ela era fácil dizer, ela tinha dinheiro. Já eu tinha que esperar no mínimo três horas em uma UPA qualquer. Tudo na minha vida era assim mesmo, coração em um quartinho perto da faculdade e só estou na mesma por concurso público. Tinha lá os meus devaneios com uma vida melhor, mas era só.

    –  Eu vi hoje você cheia de ciúmes do Tobias com as alunas da manhã… Desiste disso amiga, ele é nosso professor – disse Rafa. 

   – Rafa, você podia, favor, parar com isso? Ninguém manda no coração, infelizmente… 

    Depois da minha resposta, a porta se abriu e então ele entrou com o casaco de sempre, porém mais lindo do que nunca. Era impossível conter o sorriso.

    -Bom dia, turma! Paramos onde na aula passada?

                                                               DUAS SEMANAS DEPOIS

    Eu estou calada no banco carona do carro da Rafa. Eu não tinha condições de fazer nada, apenas esperar a minha inevitável…

     -Eu falo com os meus pais, a gente paga o tratamento, Carol.

     -Não! Me deixe em casa e obrigada por me levar no médico.

      Rafa não respondeu, só suspirou, frustrada. Sabia que era melhor, eu já não tinha mais objetivo mesmo… Me restava viver só mais um pouquinho, só mais um pouquinho. Como eu iria contar para os meus pais que eu estava com tuberculose em estado avançado? Melhor nem contar! 

                                                                   QUATRO MESES DEPOIS 

        Hoje fazem exatamente quatro meses que não vou para a faculdade… Quatro meses sem ver o Tobias.

        Antes a Rafa vinha me ver, mas com a minha reclusão, acho que ela já entendeu que não quero papo. Na última vez em que a vi, entreguei uma carta para ela dar a Tobias. Só realmente em minha cabeça que ficamos juntos.

       Todos os dias eu penso em uma vida refeita ao lado dele. Aqueles olhos castanhos, pele clara, ombros largos… Tenho ciúmes de qualquer menina, mulher ou senhora que chegue pertinho dele, mesmo que em vão…

        -Ai,ai, Tobias, Já pensou? Já imaginou nós dois juntos?

       Levantei da cama com dificuldade, peguei uma foto minha e da Rafa em mãos, ao lado uma foto de minha família. Deixei tanta coisa para trás…

       Foi nessa hora que eu senti um aperto no peito, mas era algo diferente, não era amor nem saudade, era dor. A minha respiração falhou de uma forma pior do que eu já estava acostumada. Minhas pernas bambearam e eu caí de costas no chão. Nesse instante eu soube que era a minha hora. Fechei os olhos e focalizei o meu pensamento no melhor da minha vida… Tobias!

https://www.vagalume.com.br/arctic-monkeys/baby-im-yours.html

O Reencontro

 

download-3

 

Chegou o grande dia, já havia se passado uma semana desde o bilhetinho e o simples encontro na praça que, ousamos dizer, mudou a vida dos dois.

Aquele namorico estava indo muito bem, amor de criança, primeiro amor. Ficavam juntos no intervalo, algumas vezes suas mãos se encontravam logo após seus olhos, uma conexão sem palavras. Na sala de aula, por mais que Pitu tentasse se controlar, perdia a conta de quantas vezes seus olhares se encontravam, a beleza de Marina o encantava, antes a achava bonitinha, mas agora ela era a mais linda do universo, o amor transforma mesmo.

Marcaram um piquenique para celebrar uma semana de namoro. As coisas iam ficar melhores, se não fosse a conversa de Pitu com seus pais na noite anterior, aquela conversa acabara com ele e com todos os seus sonhos ao lado da amada, suas esperanças de ter algo duradouro com alguém com as mesmas ideias. Ele se mudaria, em duas semanas, para outro estado, outra escola e ficaria sem a sua felicidade, sem a sua Marina. “Por que isso agora? Logo quando estava dando tudo certo, eu até estava perdendo a minha timidez, ela me faz tão bem, vocês não se importam comigo? Eu não quero ir!”, disse Pitu, tentando convencer os pais de desistirem da mudança.

Chegando ao encontro, se deparou com Marina toda animada, eufórica, enquanto ele estava lá todo triste, cabisbaixo. Marina perguntava o que tinha acontecido enquanto arrumava as coisas para o piquenique. Quando entendeu do que se tratava, ficou em choque e começou a chorar, os dois se abraçaram forte, como se fosse o último abraço, e disseram no mesmo instante o mais sincero e puro “Eu te amo”.

As duas semanas passaram voando; parece que, quanto mais queremos que o tempo dure, mais rápido ele passa. Quando Pitu deu por si, estava colocando as malas no carro rumo ao Rio Grande do Sul; lembrou-se da promessa que eles haviam feito, de se ver todo ano e esperarem até poder voltar a namorar. Deram o último e mais apertado abraço, Pitu entrou no carro com lágrimas nos olhos e olhando para trás, até a figura da Marina sumir. Ele repetia na sua mente: “Nunca te esquecerei e nunca quebrarei a nossa promessa, nunca!!”.

As horas passaram mais lentas que tartaruga. Quando chegaram, acharam tudo perfeito, a casa era bem mais bonita, a escola era maior e melhor, os pais estavam ganhando mais, só faltava um detalhe: Marina não estava ali.

Passaram-se meses, um ano, e durante todo esse tempo ele não pôde vê-la; sentia sua falta, mas não tanto quanto antes, já se acostumara com a saudade e com a ideia de que jamais voltaria.

E assim foram 2,3,4,5,6,7,8,9,10 anos sem Marina e ainda pensava nela. Estava prestes a começar a faculdade, havia conhecido muitas meninas, mas nunca esqueceu o primeiro amor. No caminho da faculdade pensava em como ela estaria e se esse amor era recíproco. A faculdade não era dentro do país, era a faculdade dos sonhos de Marina também, pois os dois queriam cursar medicina.

Chegando na sua sala, foi ver os nomes dos alunos e ficou em choque, pálido, quando viu um nome que conhecia bem. Esfregou os olhos, pensando ter sido apenas ilusão, mas não era! Ela realmente estava na mesma sala que ele! A coisa mais impossível do mundo estava acontecendo! Sentiu uma cutucada em seu ombro e quase desmaiou quando se virou, lá estava ela, mais alta, bem mais atraente, mas com o mesmo sorriso de 10 anos atrás. Deram um abraço bem apertado e marcaram de sair para colocar a conversa em dia.

Agora lá estavam eles, em uma praça bem conhecida, tomando um sorvete e falando de tudo o que aconteceu em suas vidas. A noite caiu, foram jantar em um restaurante e acabaram no apartamento dele.

Tudo estava ótimo, botaram uma música lenta e começaram a dançar no meio da sala, como nos velhos tempos, seus corpos juntos, o rosto foi se aproximando até que Pitu a beijou.

Acordaram um ao lado do outro e Marina, chorando, disse que aquilo não podia ter acontecido; se arrumou às pressas e saiu.

Ele a encontrou na faculdade, acompanhado de um cara, seu namorado e então perguntou “O que será de nós dois?”, e ela respondeu “apenas uma linda lembrança”. Nesse momento ele viu o anel de noivado em seu dedo e a lágrima caiu. Ela entrou na aula e não se viram mais.

Quando estava em seu armário, esbarrou em uma menina e logo se desculpou. Para sua surpresa, era brasileira e disse “Oi, meu nome é Marina, e o seu?”.

 

https://www.vagalume.com.br/tribalistas/velha-infancia.html

 

O Amor de Peter

tumblr_o9uiervru11uume75o1_1280

Daphne, logo após a minha pergunta, respondeu:

– Não! Eu apenas quero que você me deixe em paz.

– Mas…

– Por favor, só me deixe sozinha.

Ela desligou o telefone logo após isso. Foi a última vez que falei com ela.

Fiquei muito triste, não sei por quê. Eu gostava de ser assim, encontrar mulheres bonitas, flertar com elas e deixá-las depois, mas a Daphne… Ela era diferente.

Depois de um tempo meus amigos me chamaram para ir ao boliche, eu não queria, mas eles insistiram tanto que eu fui só para tentar esquecer a Daphne. Ao chegar, encontrei minha amada nos braços de outro homem. Senti arrependimento ao ver aquilo. Vi que ser mulherengo me faria ficar sozinho, pois ninguém quer um homem que adora namorar várias mulheres.

Neste momento fiquei paralisado, apenas vi a linda Daphne vindo em minha direção.

Foi quando eu vi seu lindo rosto, seus olhos iguais a diamantes, seus cabelos cacheados que me atraíam e sua cor de pele negra, adorável. Para mim, ela era perfeita.

Quando ela se aproximou de mim, disse:

– Oi, Peter, estou sabendo da sua depressão, eu te perdoo por tudo que você fez comigo. Estou torcendo para a sua recuperação.

Estava tão chocado que nem consegui falar com ela. Que vontade de poder falar o que eu sentia, porém era tarde, o meu amor já estava nos braços de outro homem.

Eu tentei fazer como antigamente, esquecer rapidamente e escolher outra para namorar. Porém eu sempre a encontrava na praça, ao pôr do sol. Ela não saía da minha cabeça.

Em um dia, eu a encontrei nos braços do mesmo homem no boliche e, o que mais me deixou surpreso, eles se beijaram. Depois disto eu desisti de tentar namorar Daphne e fugi para longe, onde nunca mais eu iria vê-la e eu poderia continuar a ser o mulherengo de sempre.

Daphne nem percebeu meu desaparecimento, continuou sua vida normalmente, até que um dia ela foi me procurar para ver se eu tinha saído da depressão. Foi quando ela percebeu que eu fugi. A minha linda pediu a ajuda de seu namorado para me encontrar e, juntos, eles procuraram por todo o bairro, mas ninguém sabia o que tinha acontecido comigo. Quando ela chegou em casa, viu um presente em sua mesa; ela abriu e leu a carta que estava junto ao presente:  “Para a nossa amizade”, de um anônimo. Dentro vinha um buquê de flores, daquelas que Daphne mais gostava: rosas brancas.

A minha querida descobriu que eu havia enviado o presente e mandou de volta o buquê, dizendo:

“Querido Peter, adorei o buquê de flores, porém não posso aceitar. Meu namorado (que eu queria te apresentar, ele se chama Fernando) não gostou e não quer que você envie mais presentes para a nossa casa. Beijos, Daphne e Fernando.”

Parecia que eu tentar ser seu amigo não resolveria nada, só pioraria. Porém, não desisti, pelo menos ter uma amizade era o que eu queria.

Daphne foi trabalhar e, quando voltou, encontrou outro presente. Abriu o pacote escondido de Fernando e se deparou com um urso de pelúcia abraçando um coração, onde estava escrito “eu te amo”. Ela adorou, mas sabia que era meu. Ela leu a carta que enviei junto com o presente, na qual estava escrito: “mesmo que ele pense mal de mim, eu quero ser seu amigo, este presente não tem nada de mais. Por favor, pense. Agradeço, anônimo.”

Ela tentou falar com Fernando e, de novo, piorei tudo:

– Peter só quer ser meu amigo. – disse Daphne.

– Se ele quer ser seu amigo, por que lhe deu presentes românticos, como buquê de flores e um ursinho de pelúcia no qual está escrito “eu te amo”? Ele podia te dar um vestido, ou uma blusa, aí eu não ficaria com raiva.

– Isso não faz sentido, ele nunca me amou, foi um interesseiro.

– Daphne, você está me traindo?

– O quê? Nunca iria te trair, por favor, é só uma amizade.

Daphne tentava provar para ele que eu não a amava, porém, era mentira, eu queria tê-la só para mim. Decidi esperar para o próximo presente.

Em um final de semana, a minha linda dos cachos recebeu um CD escrito “toque-me” e na carta dizia: “estou cansado de me esconder, preciso dizer, Daphne, te tratei mal, mas eu me arrependo. Por Favor, toque este CD.

P.S.- Eu te amo.

Peter”

Ela colocou o CD e começou a tocar uma música romântica que ela adorava. Eu apareci na porta flertando com ela e cantando:

– Sei que machuquei você, mas quero voltar, te tratei mal, mas agora quero te amar, volta pra mim, o nosso amor não vai ter fim.

Daphne viu aquilo e disse para mim que não iria ficar comigo:

– Você magoou meu coração, não quero voltar a ficar com você.

Eu percebi o erro que cometi e fui embora.

Eu fui a um bar e fiquei lá, extremamente triste. Passei a frequentá-lo diariamente, sentia que não tinha motivo para viver. Até que em um dia, percebi algo de diferente naquele local, alguém diferente estava lá. Comecei a ouvir uma música familiar, a que eu coloquei para flertar com Daphne, porém, era uma mulher cantando, com uma voz bela e suave. Ela me lembrava muito a dama de olhos de diamantes, sua fofura, a voz suave, e a sua risada linda; foi quando percebi que amor à primeira vista realmente existe.

Link da música: https://www.vagalume.com.br/shawn-mendes/stitches.html

O Bilhete de Amor

tumblr_static_tumblr_m5gh75eqot1r1jbp8o1_400_large      No relógio estava marcando uma e quarenta e cinco, estava faltando quinze minutos para o meu primeiro encontro com a Marina. Mesmo que ainda faltassem alguns minutos, eu já estava esperando-a no nosso ponto de encontro, o relógio grande da praça. Cada vez que o ponteiro andava marcando a passagem do tempo eu ficava mais nervoso; e se ela tivesse desistido de me encontrar? E se ela não gostasse de mim de verdade? Sempre que pensava nessas possibilidades a minha mente ficava mais bagunçada e mais borboletas no meu estômago surgiam.

Depois de uns dez minutos, Marina chegou, ela estava muito bonita, como sempre. Suas vestimentas eram simples, talvez essa fosse uma das características de que eu mais gostasse nela, era uma menina simples que não chamava atenção, mas ainda assim tinha um brilho especial.

– Eu finalmente cheguei! Você estava me esperando por muito tempo? – ela me perguntou com um sorriso no rosto.

– Não muito. – respondi acenando com a cabeça – Eu estou feliz que você esteja aqui. Para onde vamos? O que vamos fazer?

– Vamos passear um pouco! Gosto muito de caminhar por essa praça, sempre venho com o meu pai ou sozinha.

Andamos um pouco enquanto conversávamos até pararmos em uma lojinha onde tinha um senhor vendendo sorvete.

– Oi, tio! – Marina o cumprimentou com um grande sorriso (com certeza, o sorriso dela era o mais bonito de todos).

– Oi, Marina! – pelo jeito eles já se conheciam – Quem é esse seu amigo? Estão se divertindo?

– O nome dele é Pitu! Ele é o meu namorado!

Ao ouvir aquilo não pude deixar de corar, era a primeira vez que alguém me chamava de “namorado”.

– Prazer em conhecê-lo, Pitu!- Ele me cumprimentou, parecia ser bem gentil.

– Ah! Er… Prazer. – eu estava nervoso.

– Espero que cuide bem da Marina, ela é uma garota muito especial. Sim, ela é.

– Certo.

Quando olhei para Marina, vi que ela estava olhando a tabela de preços e sabores enquanto contava algumas moedas.

– Está tudo bem? – perguntei, pois pude ver que seu sorriso havia sumido.

– Eu queria comprar sorvete de chocolate para nós dois, mas não tenho dinheiro suficiente – eu queria ajudá-la, coloquei a mão no bolso de trás do meu short na esperança de encontrar algumas moedinhas, porém não havia nada.

– Não se preocupe com isso! – o senhor da lojinha estava nos olhando, com dois sorvetes de chocolate na casquinha em suas mãos, ele estava nos dando de graça – Hoje é um dia especial para vocês, divirtam-se!

– Obrigada, tio!

– Muito obrigado, senhor!

Depois disso, fomos até o parquinho, porém, enquanto caminhávamos até o local, Marina deixou seu sorvete cair acidentalmente no chão; reparei que ela ficou triste e então ofereci o meu para ela, ela não aceitou, então resolvemos dividir.

Ao chegarmos ao parquinho, fomos para os balanços e ficamos por lá conversando, ficamos nos balançando e competindo pra ver quem ia mais alto. Marina era meio competitiva e desajeitada, quase caiu do balanço umas duas vezes.

– Você e aquele senhor se conhecem há muito tempo? – Perguntei.

– Está falando do senhor da lojinha de sorvete? – ela olhou para mim e confirmei acenando com a cabeça – O nome dele é José, ele cuidou de mim durante… Um problema. – Marina ficou meio triste depois disso. Será que falei alguma coisa errada?

– A verdade é que… A minha mãe morreu faz dois anos, ela tinha câncer, o tratamento era caro e… – algumas lágrimas se formaram em seus olhos, fui até ela e a abracei.

– Está tudo bem, não precisa falar mais nada. – tentei reconfortá-la. – O dia hoje foi muito bom! Vamos sair juntos mais vezes, amanhã no mesmo horário? – perguntei.

– Claro! – ela me respondeu sorrindo, o seu sorriso era, com certeza, o mais bonito.

 

A Pomba Enamorada ou uma história de amor

trabalho-de-portugues

A Pomba Enamorada vai ao encontro do misterioso amado, cujo nome se iniciava com a letra A. Quando chegou, ficou feliz, porém insegura, pois quem estava lá era Antenor. Sem fôlego e emocionada, pergunta a ele:

– O que você veio fazer aqui?

Então ele responde:

– Vim aqui para te encontrar novamente e te dar uma segunda chance.

– Nossa mãe, esperaria ganhar na megassena e não esperaria que você fosse dizer isso.

Depois desse diálogo inicial,  Antenor a chama para um restaurante para conversarem. Entrando lá, eles olharam o cardápio e pediram o jantar, depois de pedir a comida, a Pomba Enamorada pergunta a ele novamente:

– Como você, depois de tudo o que fez comigo, veio me encontrar?

– Então, eu pensei bem sobre o fato de você ter ficado aquele tempo todo insistindo e eu ignorando e resolvi te dar uma chance.

Surpreendida, ela fez várias outras perguntas sobre ele, não vendo a hora passar.

Depois de conversarem bastante, Antenor leva a Pomba Enamorada para casa.

No carro, a Pomba beija Antenor de surpresa. Dias depois, a Pomba Enamorada passa mal dentro de casa e liga para Antenor desesperada, ele atende e foi correndo para lá. Quando chegou, se surpreendeu, ela desmaiou na hora, parou de respirar e morreu.

No dia do enterro da Pomba, Antenor foi o único a comparecer naquele dia triste e escuro. Antenor estava muito triste e se arrependeu por não ter dado a atenção que ela merecia. Depois de alguns minutos Antenor sentiu uma dor forte do peito e morreu… de amor.

Link da Música :https://www.vagalume.com.br/fabio-jr/alma-gemea.html

Uma paixão por baixo de uma ilusão

Geraldo era um homem pobre, grosso, forte, de braços cabeludos. Com esse físico, qualquer pessoa jamais imaginaria que ele era realmente um estudante de medicina. Morava em uma pequena casa de frente para o mar e todos os dias acordava bem cedo para ir à casa de banho conversar com os banhistas e nadar, a fim de se tonificar pelo resto do dia para os estudos.

Um dia, quando estava em um corredor conversando com Nicolau, uma dama loira saiu de um quarto, chamou Geraldo pensando que o mesmo era um banhista e o convidou para banhá-la em troca de dinheiro. Ele pensou em se passar por banhista, não pelo dinheiro, mas sim por amor. Então ele se apresentou como Tulio e a acompanhou até o oceano.

Os dias foram se passando e Alda (a dama loira) e Geraldo foram ficando mais íntimos, até que um dia Alda descobriu que ele não sabia ler. Alda decidiu, então,  oferecer aulas grátis para ele em sua casa, à noite. No dia seguinte Geraldo compareceu à casa de Alda e, enquanto “estudava”, se aproveitava da situação para tentar algo com ela, mas Alda se sentiu muito pressionada e o mandou ir embora.

Geraldo ficou um pouco furioso e pensou em contar a verdade sobre ele, mas como a intenção do rapaz era conseguir algo com a linda dama, decidiu seguir em frente com o pensamento de conquistá-la.

Dias depois, Geraldo foi novamente a casa de seu amor para mais um dia de estudo e, aproveitando um momento de maior proximidade, agarrou Alda no meio da aula. Eles começaram a se beijar sem parar até que, desesperadamente, Alda implorou-lhe para não contar o ocorrido para ninguém; depois eles voltaram a se beijar e assim ficaram até o final da noite.

Senador Eleutério, mais “protetor” do que amante de Alda, acabou descobrindo o caso entre ela e Geraldo e resolveu mandá-la para Europa para ver se dava um fim aos encontros furtivos. Alda ficou triste e lhe implorou para que não fizesse isso, mas foi em vão. Então resolveu contar para Geraldo e esse decidiu que aquela era a hora de contar a verdade, e assim foi. Ao se dar conta de toda a farsa, Alda ficou surpresa e indecisa sobre o que iria fazer, até que decidiu mandá-lo embora.

Alda passou bastante tempo refletindo sobre o que tinha acontecido no dia anterior. Depois de muito pensar, chegou à conclusão que iria escrever uma carta para Geraldo se desculpando e sugeriu a ele que saíssem do Rio de Janeiro, já que ainda faltava uma semana para seu protetor levá-la para fora do país. Geraldo leu a carta, lhe respondeu e, um dia depois, foi até a casa de Alda. Esperou que Eleutério saísse por um tempo e levou Alda para sua casa, a fim de aguardar o dia em que iriam viajar.

O senador Eleutério, assim que notou a ausência de sua protegida, contratou detetives para descobrir onde ela tinha ido. Os detetives acharam a carta de Geraldo e foram direto para sua casa, mas quando chegaram lá não encontraram nada, pois Geraldo os viu chegando e saiu com Alda pela porta dos fundos.

A bela dama loira e o estudante de medicina não sabiam o que fazer naquele momento, então Alda lembrou que o senador guardava um dinheiro em sua conta para emergências; Geraldo sugeriu viverem uma nova vida na Itália, pois ele dominava essa língua, porque se ambos continuassem no Brasil o senador ia fazer de tudo para achá-la. Os dois decidiram ir para fora do país para viver uma nova vida amorosa. Durante a viagem, Alda refletia que não importa se a pessoa é realmente o que diz ser ou não, pois se ela te ama irá te amar de qualquer jeito.

https://www.letras.mus.br/nicky-jam/el-perdon/traducao.html

A moça teçelã

mocinha

Manhã chuvosa, céu cheio de nuvens e rastros cinza, lá estava a moça, sentada, tecendo fios dourados, almejando os raios de sol. Levantou-se e, ao abrir a janela e sentar-se no parapeito, contemplando o calor do sol, a tristeza e a solidão lhe invadiram; agora já era uma jovem senhora e, sofrendo com a solidão, sonhou em ter novamente uma família.

Dessa vez, ela passou dois longos dias buscando uma forma de acertar na personalidade do seu futuro esposo. Todavia, depois de muito pensar, chegou à conclusão de que não estava ao seu alcance agourar a personalidade do sujeito que ela teceria.

Logo, a jovem senhora, que estava se sentindo cada vez mais solitária e desolada, decidiu arriscar quantas vezes fosse necessário. Escolheu seu melhor carretel de linha e teceu um novo indivíduo, linhas cinza, gostava de cabelos grisalhos, olhos expressivos, alguns rastros de linha preta cobiçando uma barba por fazer, e quando entrelaçou o último fio, ouviu um barulho vindo da porta, lá estava ele, olhando fixamente para ela.

Passaram-se alguns meses e tudo corria bem, seu esposo estava sendo um homem fiel e empenhado em fazê-la feliz. Tiveram duas filhas. Até que um dia, quando ele estava cavalgando, se acidentou e acabou lesionando a mão direita, com a qual ele escrevia. Após o acidente, ele passou a escrever com sua mão esquerda e surpreendentemente constatou que tudo o que era escrito com ela tornava-se realidade. Em princípio, ele foi sábio ao utilizar seu poder, verificava se sua esposa concordava com a decisão que ele iria tomar. Porém, com o passar do tempo, ele começou a mudar a personalidade de suas filhas e até da própria mulher.

Ela começou a notar algo de errado em suas filhas amadas e em si própria também, e acabou por descobrir que seu marido andava utilizando seus poderes de maneira indevida.

Ela ficou muito desapontada e, precipitadamente, foi destecendo todo o seu passado com ele. Durante este processo, ela lembrou de suas filhas e de como o seu marido um dia fora um companheiro leal. Então ela resolve encerrar na época em que isso era realidade.

Chegando nesse momento de suas vidas, a moça tecelã confessa a ele que ele descobriu que possuía poderes e que os mesmos fizeram dele uma pessoa pior, pois o fez não aceitar a ela e as suas filhas da maneira que elas eram.

Então ela pede para que escreva com sua mão esquerda, decretando o fim dos poderes dele e dos dela se ele achasse que, de alguma maneira, aquilo prejudicava a família deles; ele concordou sem hesitar, e disse que não precisavam de poderes para ser felizes.

Link da música: https://www.vagalume.com.br/kenny-g/forever-in-love.html